Cavaco recusa "dramatismos" sobre revisão constitucional
"Não vale a pena fazer dramatismos, nem em relação ao OE, porque não se conhece ainda nenhum orçamento, nem em relação à revisão constitucional, porque não está em curso nenhum projeto", afirmou o Chefe de Estado. (Veja vídeo SIC no final do texto)
Cavaco Silva disse que não espera instabilidade política
Miguel A.Lopes/Lusa
O Presidente da República, Cavaco Silva
, recusou hoje "dramatismos" à volta de uma eventual revisão constitucional
e do Orçamento do Estado
para 2011, garantindo que não espera instabilidade política relacionada com o Orçamento.
"Não vale a pena fazer dramatismos, nem em relação ao OE, porque não se conhece ainda nenhum orçamento, nem em relação à revisão constitucional, porque não está em curso nenhum projeto de revisão constitucional", disse o Presidente da República.
Cavaco Silva falava em Ourique, no final de uma visita à vila alentejana, onde foi questionado pelos jornalistas sobre se, na "rentrée" política, teme instabilidade em torno do Orçamento do Estado para 2011 (OE2011).
"Por aquilo que sei, pela informação que tenho, não espero instabilidade política. Penso que todas as forças políticas estão muito conscientes da situação portuguesa, bastante difícil, que se impõe enfrentar", argumentou.
Apelo à negociação com a oposição
Evocando a sua própria experiência, quando liderou "um governo minoritário", como é o caso do atual executivo PS, Cavaco lembrou que é preciso negociar com as outras forças políticas representadas na Assembleia da República (AR).
"Tenho muita dificuldade em entender toda a dramatização que aparece na comunicação social. Eu posso invocar a experiência própria porque presidi a um governo minoritário e tive que fazer negociações para que o Orçamento do Estado (OE) fosse aprovado", lembrou.
O Presidente da República (PR) afiançou que, daquilo que tem conhecimento, não lhe parece "difícil" que "se alcance um compromisso na AR que possibilite a aprovação do OE para 2011".
"Quando um governo não tem apoio maioritário na AR são necessárias negociações com os partidos da oposição para que as medidas sejam aprovadas. É normal", frisou, afirmando não ver "razões para uma preocupação excessiva, para dramatizações que não fazem sentido".
O Chefe de Estado disse ainda acreditar que "o bom senso vai predominar na AR", para que "se chegue a um resultado que seja aceitável por todas forças políticas".
PR não espera instabilidade política
"Eu não temo instabilidade. Penso que haverá bom senso da parte de todas as forças políticas. O OE que vai chegar à mesa da AR ainda não chegou. Haverá, com certeza, um diálogo que permitirá um compromisso", insistiu.
Também em declarações aos jornalistas, Cavaco Silva lembrou que, atualmente, "se fala muito em revisão constitucional", mas que, relativamente a esse assunto, "há algumas coisas de que os portugueses devem estar bem conscientes".
"Em primeiro lugar, não está em curso nenhum processo de revisão constitucional. Em segundo lugar, o processo de revisão constitucional só começa quando uma força política, um deputado, apresenta o seu projeto na AR", explicou.
Por último, esclareceu o PR, "só serão aprovadas as alterações à constituição que consigam obter, pelo menos, o apoio de dois terços dos deputados da AR".
"Portanto, não coloquemos o carro à frente dos bois", alertou, sublinhando, quando questionado pelos jornalistas sobre se é extemporâneo falar em revisão constitucional: "Totalmente".
Cheguei, vi e venci, ou então o chefe disse e está dito. Afinal o que tenho eu andado aqui a fazer, senão a dizer o mesmo e afinal mesmo sendo o primeiro aqui no Expresso (hahahahahaah) ninguém me liga nenhuma. Não digam que não tenho razão e sinto-me furibundo (ahahahaha). Só os menos atentos é que ainda acreditam, mas tudo não passa de teatro para animar a malta. Fiquem cientes que apesar de andarem a cuspir no prato, vão comer nele todos juntos. Depois invoca-se os supremos interesses da Nação e desta vez até com uma certa razão. Por outro lado tanto o PSD como o PS sabem que pouco ou nada iam ganhar com eleições. Mesmo que eventualmente o PSD venha a ganhar, o que duvido, seria por uma margem mínima e ficaria sempre a depender do PS e a ter de suportar os sindicatos o PC e BE que não seriam tão benevolentes como o são com o PS. Se o País está ingovernavel como seria então? Bom senso precisa-se e menos picardias também. Primeiro o País, depois os portugueses e só depois os partidos.
O Presidente continua em forma, como Homem de Estado: Num País cheio de ondas artificiais, o que seria se tivéssemos um Presidente que não fosse um Timoneiro de muitas águas?
Portugal encontra-se à beira do abismo económico-financeira mas quem se importa com isso?
Cavaco Silva quer ser reeleito e não pretende "ondas".
José Sócrates imagina um País que só ele e uns poucos seguidores fanáticos vêem e acusa o PSD de algo que ele próprio está a fazer: retalhar a Saúde, rebaixar a Educação, desfazer a Justiça e minar a Segurança.
Pedro Passos Coelho só não arrasa o primeiro-ministro porque anda a discursar pelas sondagens, o que é uma cobardia. Homem que é Homem defende as suas convicções até às últimas consequências.
Paulo Portas, entalado entre submarinos e carros de combate luta pela sobrevivência política, nem que seja preciso vender a alma do diabo.
Jerónimo de Sousa quer as foices e os martelos agitados na ruas e a CGTP alapada aos privilégios e não aos interesses dos verdadeiros trabalhadores.
Francisco Louçã limita-se a segurar as rédeas das causas minoritárias como casamentos entre pessoal do mesmo sexo, arrastando para a sua causa o PS e aquele candidato a PR, Manuel Alegre, que não é carne nem é peixe...
A Constituição, que quase ninguém cumpre e alguns querem mudar, é já uma aberração histórica e até ridícula em muitos dos seus intermináveis artigos.
O mundo político, porém, não quer ondas neste charco imundo em que se transformou Portugal nestes últimos anos.
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Porque este estado da nação interessa a muito boa gente, e enquanto a fonte não secar de vez eles vão-se orientando.
Quando a fonte secar provavelmente o país ficará sem estes iluminados, que irão pastar para outras margens.
Com Cavaco Silva na presidência com a manipulação dos orgâos de comunicação social, aproveitando-se das fragilidades culturais de boa parte da população portuguesa, que não se apercebe das intenções de Cavaco Silva ao convidar o Papa para visitar Portugal ao mesmo tempo que é feito outro convite significativo e preocupante que foi o convite ao ultra conservador católico presidente da Polónia vitima do acidente aereo e agora as condecorações do papa a Cavaco Silva e Socrates. Todas estas coincidências revelam as intenções dessas pessoas de perpectuar em Portugal a ignorância com que o País viveu durante a ditadura com a hegemonia da igreja católica que levou o País ao mais alto nivel de ignorância e de injustiças...
“A partir de uma passagem da recente entrevista de Augusto Santos Silva ao jornal i, gerou-se uma onda de disparates que reverberaram em cascata pelo espaço mediático, protagonizado por alguns comentadores de serviço e, pasme-se, por alguns deputados da República, que mostraram uma ignorância absolutamente confrangedora acerca do que são e fazem os serviços de informação militares...” Uma “função desempenhada antes do 25 de Abril pela Pide durante a guerra colonial”, e que actualmente nas guerras de colonização do Império são desempenhadas por quem?"
"Loureiro dos Santos tem decerto mais responsabilidades que os eleitos pelo simulacro de República e, como não é um qualquer comentador ignorante, mas um notável eleito por uma assembleia restrita isenta de burros, poderá com certeza asnear como lhe aprouver, porém não poderia ter ignorado a manchete do New York Times de apenas dois dias antes: “a CIA pagou por inteiro do seu orçamento os serviços de espionagem no Afeganistão entre 2002 e 2009” (1). Se os Estados Unidos invadiram o Afeganistão com determinados objectivos e programas... se Portugal foi desde a primeira hora aliado desta politica... Se Portugal a apoia materialmente enviando tropas... que raio de tótós andam por ali e por aqui a auferir principescos salários (em tempo de crise não há reumático que afecte esta brigada) que desconhecem haver espiões e acções de espionagem na sua área de actuação?"
Aparentemente, o editorial de Henrique Monteiro "Quem vai pôr água na fervura?" não caiu em orelhas moucas.
Ainda que o presidente se refugie no formalismo (dizendo que nenhum processo de revisão foi apresentado, tal como nenhum orçamento), é certo que certas palavras foram ditas, ultimatos foram apresentados, e nada disto pode ser ignorado, sob o risco de se poder dizer tudo sem consequências. A desvalorização do drama que Cavaco Silva ensaia não pode passar por ignorar as mesmas, mas também não precisa de as respeitar. A estabilidade política e o cumprimento dos nossos compromissos é mais importante, e se for necessário dizer que o que dizem em comício vale por um jogo, porque o que conta é o que de concreto entra na Assembleia da Republica, Cavaco di-lo-á. E ao colocar a questão em termos de um jogo negocial que se tem que fazer e que ele próprio jogou, Cavaco diz-nos implicitamente que não compreenderá se os seus protagonistas não o souberem jogar.