04/02/2012 atualizado às 0:18

Postal: Japão, paraíso dos idosos?

O Japão é o país com maior esperança de vida do mundo - 85 anos para as mulheres e 78 para os homens. A maioria dos idosos vive bem, mas alguns recebem reformas pequenas, roubam comida e preferem a prisão a um asilo.

 

Daniel Ribeiro, no Japão
11:51 Segunda feira, 8 de junho de 2009
Miyoko e Eizo, de 86 e 87 anos, num restaurante em Tóquio. Os idosos japoneses permanecem activos
Miyoko e Eizo, de 86 e 87 anos, num restaurante em Tóquio. Os idosos japoneses permanecem activos
Daniel Ribeiro

Tomie é avó de Naoaki Kamiya (ver postal O 'Vaticano' do xintoísmo), tem cem anos e mora perto da cidade de Nagoya, onde habitam milhões de pessoas. Nagoya é uma metrópole surpreendente - dizem alguns japoneses que aí "anda mais gente debaixo de terra do que à superfície".

A cidade tem autênticas avenidas subterrâneas cheias de luz e de comércios por onde se pode aceder, a pé, a quase todo o lado. Exemplo: sai-se do Metro e o caminho mais rápido para chegar a um restaurante do centro é seguir por um desses longos túneis para peões construidos alguns metros abaixo das avenidas de alcatrão. Estas são ladeadas por grandes torres e árvores, onde circulam de facto mais automóveis do que pessoas.

Tomie vive numa vila dos arredores, numa aprazível rua estreita de casas baixas e tradicionais. O carro do filho mais novo, um Toyota automático, está estacionado junto à residência, numa pequena garagem-abrigo privada, sem porta e com acesso directo à rua, semelhante a tantas outras que se vêem nas cidades japonesas.

Na província, os japoneses têm geralmente carros muito pequenos, práticos e automáticos (modelos simples e baratos que não existem na Europa), sempre equipados com eficazes silenciadores. Quando estão em andamento, os motores quase não se ouvem.

O filho, Hideki, de 65 anos, engenheiro-técnico numa fábrica Toyota dos subúrbios, bem como a mulher, Reiko, vivem em casa dela. São eles que cuidam da mãe e sogra. Tomie bebe chá e come bolos connosco, sentada sobre os calcanhares com os joelhos dobrados numa almofada, como toda a gente à volta da mesa baixa instalada sobre o tatami (tapete tradicional), no centro de uma salita quadrada com vista para um bem tratado jardim interior de uma dezena de metros quadrados.

É uma mulher calma, alegre, e exprime-se com fluência. Reconhece sem esforço todos os familiares, mesmo os que não vê há alguns anos. O peso da idade apenas se nota quando se levanta - necessita de ajuda para caminhar.

O casal Eizo e Miyoko, respectivamente de 87 e 86 anos, participa na reunião de família. Eizo é primo direito de Tomie, que tem quatro filhos, todos ainda vivos e com mais de 65 anos.

Financeiramente desafogados, Eizo e Miyoko vivem sozinhos em Tóquio e não necessitam de ajuda para o dia-a-dia. Fazem eles próprios as compras, andam de metro, vão regularmente a restaurantes, à ópera e ao teatro. Comem de tudo, mas ele bebe agora menos do que no passado. A mulher apenas bebe chá durante as refeições. "Uma ou duas cervejas por dia chegam para mim", informa Eizo, ex-negociante no sector têxtil.

Idosos larápios


Apesar de uma taxa de suicídios elevada - nos últimos meses chegaram a verificar-se 100 por dia -, o Japão é o país industrializado onde se vive mais tempo. O país do Sol Nascente reivindica ter a maior quantidade de mulheres e homens mais idosos do planeta - diversas com cerca de 115 anos.

No total, existirão no Japão 20 mil centenários, dos quais 80% são mulheres. O número de centenários duplicou nos últimos anos, o que deixa prever uma explosão demográfica de idosos porque mais de 20% dos japoneses terão actualmente mais de 65 anos - 25 milhões numa população total de 120 milhões.

Os especialistas em gerontologia explicam este fenómeno de longevidade com a qualidade de vida dos japoneses. Entre as explicações, destaca-se o facto de os idosos continuarem activos e de viverem muito próximos da natureza - mesmo as gigantescas cidades são rodeadas por verdejantes montanhas e o mar está sempre por perto.

Os "velhos" são geralmente muito respeitados e permanecem integrados na vida social. O regime alimentar - à base de legumes frescos, peixe, arroz e molhos pouco gordurosos - também contribuirá para a longevidade.

No entanto, nos últimos anos começaram a surgir notícias que apontam para a existência de problemas com a gestão do elevado número de idosos, sobretudo dos que não vivem com familiares.

As autoridades registaram o aumento de roubos - sobretudo de comida, nos supermercados - efectuados por larápios da "terceira idade". Alguns deles justificam essas acções com a falta de dinheiro (dizem ter reformas pequenas, de 400/500 euros, e de não ter família). Um deles explicou aos jornalistas que prefere viver na prisão do que na rua ou no asilo.

"Há demasiados idosos, o que coloca dois problemas - um é financeiro, porque é preciso pagar as reformas durante muito tempo; outro é que o Governo ainda não descobriu a forma de lidar com os numerosos idosos cuja família não se pode ocupar deles, os abrigos e asilos não têm grandes condições e os velhos não gostam de lá estar porque o asilo não faz parte da nossa cultura", explica Yuko, de 40 anos, quinesiterapeuta em Tóquio.

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Vou para lá um dia destes
Sebastião da Treta (seguir utilizador), 1 ponto , 13:56 | Segunda feira, 8 de junho de 2009
quando o fascismo tomar conta do Planeta... De certeza que será o lar de idosos do Mundo. Trabalhar até morrer, mesmo ao gosto fascista, qual campo de concentração.
 
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    Re: Vou para lá um dia destes    Ver comentário
ZePortouga (seguir utilizador), 1 ponto , 21:17 | Segunda feira, 8 de junho de 2009
    Não perca tempo com essa miserável criatura    Ver comentário
Censor do Expresso (seguir utilizador), 1 ponto , 21:27 | Segunda feira, 8 de junho de 2009
    Re: Vou para lá um dia destes    Ver comentário
Sebastião da Treta (seguir utilizador), 1 ponto , 8:57 | Terça feira, 9 de junho de 2009
    Re: Vou para lá um dia destes    Ver comentário
filipe@rio (seguir utilizador), 1 ponto , 10:26 | Terça feira, 9 de junho de 2009
    Re: Vou para lá um dia destes    Ver comentário
Sebastião da Treta (seguir utilizador), 1 ponto , 11:59 | Terça feira, 9 de junho de 2009
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