10/02/2012 atualizado às 18:01
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Portugueses criam duas invenções por dia

Universidades e empresas nacionais apostam cada vez mais na investigação e no desenvolvimento de produtos inovadores. O número de patentes registadas em Portugal para proteção de inventos está a crescer 40% ao ano.

Joana Pereira Bastos (texto) e Cristina Sampaio (ilustração) (www.expresso.pt)
22:22 Quinta feira, 12 de agosto de 2010
Portugueses criam duas invenções por dia

Da educação à economia, não faltam más notícias nos jornais, nem estudos que revelam o atraso de Portugal e colocam o país no fundo da tabela nas mais variadas comparações internacionais. Mas no que toca à criatividade e à inovação o cenário é bem diferente. As invenções portuguesas estão a aumentar a um ritmo de 40% ao ano desde 2004. E a evolução é tal que Portugal já é o país da Europa com maior crescimento nos pedidos de patente para proteção de inventos no espaço comunitário.

Desde a descoberta de novos fármacos à criação de equipamentos para utilização de energias renováveis, passando pela conceção de sistemas de rega inteligentes ou dispositivos que permitem medir a dor, são de todos os tipos os pedidos de patente que chegam ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Só em 2009 foram recebidos 723, a uma média recorde de dois por dia.

António Campinos, presidente do INPI, assegura que os investigadores portugueses "estão cada vez mais a dar cartas no mercado global", sobretudo em domínios como a química, farmacêutica, informática e telecomunicações ou em áreas de ponta como a biotecnologia e a nanotecnologia.

"É quase demasiado bom para ser verdade, mas o certo é que, no que diz respeito à inovação e ao desenvolvimento tecnológico, Portugal está a crescer a um ritmo muito superior à média da União Europeia. Ao nível da ciência, já temos um desempenho comparável ao dos países mais desenvolvidos da Europa e até do mundo", concorda António Cruz Serra, presidente do Instituto Superior Técnico (IST), em Lisboa, a instituição portuguesa de ensino superior que detém mais patentes.

Laboratórios em vez de sebentas


Muitas outras escolas estão determinadas em seguir o exemplo do Técnico. Em várias universidades e politécnicos nacionais, o ensino já não se faz apenas com sebentas, mas cada vez mais com tubos de ensaio. Longe dos anfiteatros, é nos laboratórios e centros de investigação que as instituições mais têm apostado nos últimos anos.

"Havia a ideia de que o mundo académico era muito teórico, feito só de papel e caneta, mas isso está a mudar a uma velocidade vertiginosa. Neste momento, há mais de 1100 alunos de doutoramento no IST, o que era absolutamente impensável há três ou quatro anos. Se nessa altura alguém tivesse a ousadia de propor essa meta como objetivo estratégico, toda a gente se iria rir", exemplifica o presidente da instituição.

Apesar de relativamente recente, a verdade é que a mudança de paradigma e a aposta crescente na investigação já estão a dar resultados: no ano passado, pela primeira vez, o número de publicações científicas produzidas em Portugal e citadas internacionalmente foi superior à média europeia, revela o responsável do INPI.

Mas a investigação não é apenas uma aposta das universidades. As empresas nacionais têm investido cada vez mais na criação de produtos e equipamentos pioneiros. Tanto que em 2009 o investimento privado em inovação superou o investimento público, "algo inédito na história do país", continua António Campinos. O facto é ainda mais surpreendente se se tiver em conta que as verbas do Orçamento do Estado afetas à ciência não só não diminuíram como têm vindo a aumentar e no ano passado chegaram mesmo a 1,4% do PIB.

Empresários mais inovadores


"Há uma mudança muito evidente de mentalidades entre os empresários, sobretudo os mais jovens. As empresas portuguesas têm vindo a internacionalizar-se e já perceberam que a única forma de conseguirem competir em mercados mais exigentes é através da inovação e da propriedade industrial", explica António Câmara, professor universitário e fundador da Ydreams, empresa especializada em tecnologias de interação, que já desenvolveu mais de 500 projetos em todo o mundo.

Nem a crise veio travar o novo ímpeto inovador de universidades e empresas. Pelo contrário. Parece até ter servido como uma alavanca da criatividade, já que o crescimento do número de patentes disparou em 2008 e 2009, exatamente quando a conjuntura económica mais se agravou.

Crise "aguça o engenho"


"Há mais investigação em períodos de depressão económica. Aconteceu o mesmo em 2002, quando atravessámos outra crise. Nestas alturas o número de empresas a contactar as universidades para projetos de investigação é sempre maior, porque os empresários percebem que essa é a melhor forma para poderem crescer e resistir à crise", diz o presidente do Técnico.

Segundo António Campinos, do INPI, a lógica é simples. Se a invenção é sempre uma resposta a um problema ou a uma carência e em períodos de crise as carências são maiores, então é também nessas alturas que há mais criatividade e motivação para inovar. De preferência criando novas soluções que permitam às empresas baixar custos de produção e vender mais. "Costuma dizer-se que a necessidade aguça o engenho. Não pode ser mais verdade. Sobretudo num país como Portugal, que já praticamente não dispõe de matérias-primas. A única com que ainda podemos contar é a que sai das nossas cabeças".

Três perguntas a

Cristina Sousa, membro do grupo de investigação em Inovação e Conhecimento do Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica do ISCTE

Os portugueses são conhecidos pela capacidade de "desenrascanço". Isso é um sinal de criatividade?
A criatividade portuguesa é reconhecida internacionalmente. Os nossos criativos que vão lá para fora acabam por brilhar e ganhar imensos prémios. E temos sectores que já são extraordinariamente criativos e inovadores, como o software ou a biotecnologia, por exemplo. Mas, no geral, o panorama do emprego em Portugal ainda não fomenta muito a criatividade.

Porquê?
Porque estamos a fazer a transição de um modelo competitivo baseado em baixos custos para um modelo baseado na inovação e isso é muito complexo. Muitas empresas ainda não deram o salto e estão presas algures a meio do caminho. Já começaram a fazer alguns investimentos em inovação, mas em pequena escala. Nos sectores mais tradicionais, como o calçado, por exemplo, até já podem ter um excelente criativo que faz uns modelos ótimos, mas o grosso são operários a trabalhar em linhas de montagem e que se limitam a fazer operações repetitivas e rotinizadas. E ter apenas um ou dois criativos é totalmente diferente de ter 10 ou 20.

A crise pode ajudar à inovação?
As épocas de crise são boas para a inovação porque as empresas que estão mais ameaçadas sentem mais a necessidade de arregaçar as mangas e procurar soluções inovadoras. É uma questão de sobrevivência.


Via Verde

Invenção pioneira no mundo nunca foi patenteada


Portugueses criam duas invenções por dia

É considerada uma das maiores invenções made in Portugal dos últimos anos, mas nunca foi registada. No início da década de 1990, a Brisa criou a Via Verde e tornou-se a primeira empresa do mundo a desenvolver um sistema de portagem automática aplicável de forma universal a todo o país, independentemente da autoestrada utilizada, do local de entrada e saída ou da instituição bancária associada à conta do automobilista.

A tecnologia baseada em radiofrequência era de origem norueguesa, mas a ideia de a aplicar ao sistema de portagens, através de uma antena e de um identificador, foi nacional e totalmente pioneira. No entanto, a empresa não ficou com quaisquer direitos sobre a invenção, uma vez que nunca a registou. "Não pedimos a patente porque, na altura, o registo de patentes em Portugal ainda estava muito verde e havia pouco conhecimento sobre a forma como as coisas se faziam. Foi uma pena", lamenta Jorge Sales Gomes, diretor do departamento de inovação da Brisa.

Pena parece pouco. Se tivesse a patente internacional da invenção, "a Brisa seria atualmente um gigante mundial", assegura António Campinos, presidente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Não é caso para menos. Ainda hoje, a Brisa é todos os meses contactada por empresários do mundo inteiro - dos EUA à Austrália, do Brasil à África do Sul - interessados em perceber melhor como o sistema funciona para poderem também aplicá-lo nos seus países. Mas a empresa aprendeu a lição.

Agora, tem advogados especialistas em patentes e um departamento de inovação que trabalha com uma rede de 60 investigadores. Acabou de ganhar a patente nacional de um sistema de reconhecimento automático de matrículas para cobrança eletrónica de portagens e já pediu a extensão dos direitos para os Estados Unidos e para todo o mercado europeu.



Texto publicado na edição do Expresso de 7 de agosto de 2010

Palavras-chave  Ciência
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12 agosto 2010

Exemplos de patentes portuguesas

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O espírito sempre existiu...
Lonet (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 1:19 | Sexta feira, 13 de agosto de 2010
os apoios é que não...
O excesso de criatividade foi sempre prejudicado por uma mentalidade de "Velho do Restelo": arriscar para quê?

Por outro lado, só desde há pouco tempo se começaram a "abrir os olhos" para a necessidade de proteger internacionalmente o que inventamos.

Durante a guerra colonial, lançavam-se granadas de helicóptero que explodiam antes de chegar ao chão. Foi sol de pouca dura, pois houve quem se "lembrasse" de as meter dentro de copos de vidro...

O sistema "air walk" da Nike foi inventado por um português que não tinha recursos suficientes para registar a patente internacionalmente. Chegou a pedir o apoio do Estado, mas foi-lhe negado.

Um neuro-cirurgião de renome inventou um instrumento que permitia aceder a um tumor cerebral por trás do globo ocular, sem ter que abrir a caixa craniana. Apenas obteve autorização para o utilizar em solo nacional depois de ter sido convidado para o fazer na Alemanha.

Elvira Fortunato foi convidada por uma empresa de celulose brasileira para demonstrar o seu transístor de papel. Antes, tinha contactado a Renova e a Portucel. Quem se mostrou interessado?

Desconhecia a história da Brisa, mas é sintomática. Costuma dizer-se que aprendemos com os erros. Esperemos que sim
 
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Educação
fpac (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 9:26 | Sexta feira, 13 de agosto de 2010
Também seria interessante que os jovens que acabam o 12º ano tivessem uma noção básica do funcionamento do estado e da sociedade.
O que é preciso para criar uma empresa? Como obter financiamento? que impostos, que leis, que problemas vão aparecer? Como registar uma ideia

Se mais jovens conhecerem o sistema e as suas burocracias se calhar vamos ter mais empreendedores e mais pessoas a arriscar.
Se tudo parecer muito dificil e complicado vamos criar acomodados que preferem empregos estáveis e de preferência com progressões automáticas na carreira
 
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3% é meta
forevertheuni (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 10:03 | Sexta feira, 13 de agosto de 2010
"1,4% do PIB" Quando chegarmos aos 3% pararei de refilar.
Por toda a Europa pode-se fazer carreira em Ciência. Em Portugal,menos.

Fui ver os programas eleitorais de todas as forças políticas que têm assento parlamentar.
O BE quase nada. O PCP queria fazer um sistema público de investigação, que impulsionaria ainda mais o conhecimento. O PS tinha um capítulo inteiro para investigação, inovação e desenvolvimento.
O PSD, UMA FRASE(é assim que esperam impulsionar a economia?)!
O PP falava mas sem detalhes e ao de leve.

O PS convenceu-me. Neste capítulo o PCP/CDU não estava mal. Mas como sou um europeísta federalista convicto votei no PS.

Daqui lanço o repto. Lembram-se do período de glória português? D.João II investiu em investigação, neste caso para o desenvolvimento da navegação, foi buscar "cientistas"/sábios por todo o lado. Porquê? Para ter todas as condições para cumprir os seus objectivos. Olhamos para os USA, muito da sua economia é baseada em investigação e mesmo com uma mentalidade em que o Estado não deve interferir na economia, têm um sistema de Investigação Cientifica como ninguém!!! O Suécia investe rios de dinheiro em Investigação. Em França o CNRS é muito bem visto pela generalidade dos Franceses, como algo que impulsiona a sociedade e economia.
Em Portugal há muito o ..."Vai mas é trabalhar"(para as obras).
Felizmente este governo tenta mudar este aspecto que é estrutural e vem do estado novo, ou seja, não se investiga. ...
 
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    Re: 3% é meta    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 11:55 | Sexta feira, 13 de agosto de 2010
    Re: 3% é meta    Ver comentário
forevertheuni (seguir utilizador), 1 ponto , 12:35 | Sexta feira, 13 de agosto de 2010
    Re: 3% é meta    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 13:01 | Sexta feira, 13 de agosto de 2010
... «chegam à Universidade...
Marco de Salvaterra (seguir utilizador), 2 pontos , 12:36 | Sexta feira, 13 de agosto de 2010
... sem saberem ler nem escrever»... «o ensino está cada vez pior»... «cambada de analfabetos»...

Bem-vindos à "outra" realidade!
 
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Invenções
pamaga (seguir utilizador), 1 ponto , 12:00 | Sexta feira, 13 de agosto de 2010
Quantas invenções passam para a comercialização ?
 
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São precisas mais invenções
JJFF (seguir utilizador), 1 ponto , 15:43 | Sexta feira, 13 de agosto de 2010
São precisas mais invenções para que se possam resolver muitos dos problemas para os quais a sociedade se confronta, cabendo às universidades um papel importante nesta matéria. Dou como exemplo a criação de barreiras que impeçam a propagação do fogo em matas e florestas. Até dou como sugestão a criação de um mecanismo que sopre contras as chamas fazendo-as apagar ou pelos menos desviar no seu percurso.
 
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Este é o grande desafio de Portugal..
APNS (seguir utilizador), 1 ponto , 20:09 | Sexta feira, 13 de agosto de 2010
E está a ser ganho pois, em várias frentes, está a aparecer uma país moderno!
Mas o pior é o país velho que ocupa a maioria dos portugueses onde as industrias de mão de obra intensiva e desqualificada estão a morrer (por causa da Índia, China e ex países de leste) e colocam no desemprego centenas de milhares de pessoas.
A saída para esta gente tem que ser a agricultura, a floresta (as 15 centrais de biomassa que não saem do papel davam uma grande ajuda) e o comércio local.
A agricultura portuguesa é tão deficitária que tem que ser encarada como uma questão de defesa do país pois precisamos de reforçar as nossas reservas alimentares!
Só assim o nosso país avançará!
 
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