Depois de uma descida durante a manhã, a probabilidade de incumprimento da dívida portuguesa (risco de default) voltou a subir, tendo fechado em 66,78%, segundo dados da CMA DataVision.
Este valor corresponde a um preço dos credit default swaps (cds, os seguros contra o risco de incumprimento) num valor máximo de 1285,52 pontos base.
O valor de fecho do risco de default na segunda-feira situou-se em 66,41%, tendo o custo dos cds ficado em 1273,14 pontos base.
O país ultrapassou a barreira dos 65% de risco, em valor de fecho do dia, em 18 de janeiro. O anterior máximo, em valor de fecho, foi atingido a 19 de janeiro com 66,62%.
Esta evolução do risco acima de 65% pode indiciar um "trilho" grego, como referimos na semana passada - o risco da dívida grega ultrapassou a barreira dos 65% em meados de abril do ano passado.
No mercado secundário, em relação aos valores de fecho de segunda-feira, as yields (juros) das obrigações do Tesouro desceram no prazo a 10 anos, mas subiram nos prazos a 2, a 3, a 5 e a 6 anos, segundo dados da Bloomberg. Os juros das OT a 10 anos fecharam hoje em 14,19%, abaixo do máximo de 14,62% atingido em 20 de janeiro.
Markit: No mesmo "território" que a Grécia há 8 meses
Para a agência de informação financeira Markit, no seu último relatório do dia, Portugal aproxima-se de novo recorde com 1300 pontos base no preço dos cds.
Segundo comenta a agência, Portugal é "encarado amplamente" como a próxima dívida soberana mais vulnerável a um incumprimento. "Os seus spreads estão hoje no mesmo território que a Grécia estava há oito meses atrás, apesar do pacote de resgate generoso assegurar que [Portugal] tem fundos suficientes para o próximo ano".
O jornal norte-americano Wall Street Journal especulava hoje sobre a probabilidade de Portugal ter de recorrer a um segundo pacote de resgate. O momento crítico para o financiamento da dívida seria setembro de 2013.
Factores "exógenos" a pesar na marcha portuguesa
Como pano de fundo influenciando negativamente a situação portuguesa registem-se os seguintes factos:
- o impasse nas negociações da reestruturação parcial da dívida grega e a possibilidade da agência Standard & Poor's declarar essa dívida em situação de default selectivo;
- o agravar das divergências entre a estratégia preconizada pelo Fundo Monetário Internacional (não exagerar nas consolidações orçamentais, reconsiderando o ritmo do ajustamento de curto prazo; sugerir um alívio monetário adicional via Banco Central Europeu; e reforço financeiro urgente dos instrumentos europeus de resgate) e a nebulosa em torno do "compacto orçamental" promovido pela cimeira europeia, que foi considerado hoje pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Luxemburgo em entrevista ao jornal alemão Der Spiegel como "uma perda de tempo e de energia";
- uma envolvente em 2012 de quase estagnação na zona euro e de recessão em Espanha (ainda o principal mercado de exportação português).
O agravamento das divergências entre o FMI e a Zona Euro ficou transparente na intervenção de ontem de Christine Lagarde, a sua diretora-geral, em Berlim, a que fizemos referência, e nos relatórios do FMI hoje difundidos - World Economic Outlook e Fiscal Monitor.