Há quase três anos e meio que Portugal não perde um jogo oficial por mais de dois golos de diferença. Apesar da estatística não marcar golos, era preciso muito azar ou falta de competência da equipa de Carlos Queiroz para Portugal não se qualificar hoje (19h45, TVI), frente à Bósnia-Herzegovina, para o Mundial-2010.
A última vez que Portugal saiu derrotado por dois golos de diferença em jogo9s oficiais foi com a Alemanha, em Estugarda, no Mundial-2006, encontro que perdeu por 3-1.
Desde então, ainda na era Scolari, a selecção só voltou a perder dois jogos - um na deslocação à Polónia (2-1), durante o apuramento do Euro-2008, e outro no já na fase final do Europeu da Áustria-Suiça, novamente com a Alemanha (3-2), nos quartos-de-final que ditaram o afastamento português.
Já com Carlos Queiroz, mesmo na sempre tremida corrida ao Mundial da África do Sul, a selecção só perdeu um jogo, o estranho Portugal-Dinamarca, ganho pelos nórdicos por 3-2, após a equipa nacional ter estado a vencer por 2-0.
Encontro perigoso
Com um golo de vantagem, Portugal joga hoje, em Zenica, o tudo por tudo para chegar à fase final do seu quinto Campeonato do Mundo, terceiro consecutivo. Mesmo sem Cristiano Ronaldo, a selecção nacional conta com um valor de mercado três vezes superior ao da equipa Bósnia-Herzegovina, selecção que nunca conseguiu o apuramento para uma fase final de um Mundial ou Europeu.
Apesar da diferença colossal no valor dos passes de jogadores e da experiência internacional acumulada entre a elite do futebol, a equipa de Carlos Queiroz chega aos derradeiros 90 minutos do play-off sem passaporte garantido para a África do Sul.
O golo de vantagem sobre a Bósnia-Herzegovina, arrancado em brasa por Bruno Alves, não chegou para tranquilizar os adeptos do Clube Portugal, que sairam, sábado, da Luz, ainda com coração aos saltos com os três remates aos ferros dos bósnios à baliza de Eduardo.
Para evitar dissabores, Carlos Queiroz terá de apostar numa equipa que não se contente em defender o golo conquistado em Lisboa, sob pena de, em caso de empate, jogar tudo na lotaria dos penaltis.
Ou mesmo pior, sujeitar-se a um resultado como há três anos e meio não se vê. Pelo menos em jogos oficiais, já que em particulares ainda ferve na memória dos portugueses os penosos 6-2 encaixados, há um ano, no particular com o Brasil...