José Sócrates e Armando Guebuza acordaram esta manhã que os Governos de Portugal e Moçambique passarão a encontrar-se uma vez por ano, numa cimeira bilateral destinada a aprofundar a cooperação entre os dois Estados.
"Um passo histórico", qualificou o primeiro-ministro português, que já em 2006 foi co-protagonista de outro momento histórico: a assinatura do acordo de reversão para o Estado moçambicano da barragem de Cahora Bassa.
"Depois de termos virado a página em Cahora Bassa", este é o tempo para "um novo fôlego" nas relações políticas e económicas entre ambos os Estados, justificou José Sócrates. E destacou três pontos da "agenda ambiciosa" que trouxe para esta visita oficial: o plano luso-moçambicano de investimento, o aumento da linha de crédito aos empresários portugueses que queiram investir em Moçambique, e a área das energias renováveis - o "novo campo de cooperação" que constitui a trave-mestra da agenda desta viagem.
José Sócrates, o "grande amigo de Moçambique"
"Somos dos países do mundo que mais tem progredido no aprofundamento destas energias", 'gabou-se' José Sócrates. "Temos o maior gosto em partilhar com Moçambique o desenvolvimento destas energias".
O Presidente da República da Moçambique, Armando Guebuza, não poupou nas referências elogiosas ao "grande amigo de Moçambique" que vê em José Sócrates.
Agradecendo a qualidade da comitiva vinda com o primeiro-ministro português, sobretudo ao nível dos empresários - "São eles, os criadores de riqueza, que fazem com que os Estados possam sair da pobreza" -, Armando Guebuza confessou entender esta visita não só como "um sinal de apoio inequívoco" à melhoria das relações entre os dois países, mas sobretudo à agenda nacional do Governo moçambicano e à luta contra a pobreza - o slogan com que ele foi reeleito Presidente, a 29 de Outubro último, e que ainda é visível em vários cartazes espalhados pela cidade de Maputo.
Baixa de última hora na comitiva
Previsto na delegação governamental (consta da lista oficial), à última hora o ministro da Economia e do Investimento, Vieira da Silva, acabou por não embarcar. "Questões de agenda", justificou o gabinete do primeiro-ministro.
O próprio José Sócrates fez referência à ausência de Vieira da Silva quando interveio durante o encontro com Armando Guebuza: "Só não trouxe mais membros do Governo porque há uma agenda doméstica também. O ministro do Estado e das Finanças, o ministro da Economia, todos teriam motivos para estar aqui".
Não veio Vieira da Silva mas, do Governo, estão presentes o ministro do Estado e dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, o ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, a ministra do Trabalho, Helena André, a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, o secretário de Estado do Comércio, Fernando Serrasqueiro, o secretário de Estado do Tesouro, Carlos Costa Pina, o secretário de Estado da Educação, João da Mata, e o secretário de Estado dos Transportes, Carlos Correia da Fonseca.