Nunca fui daqueles que pensam que o combate político é coisa menor e que isto só vai lá com técnicos desinteressados e competentes a governar. Não: acredito que a política se faz de escolhas apuradas no debate público e contraditório. Mas no momento em que Portugal está a fazer face a um ataque especulativo sobre a sua dívida pública, espera-se dos políticos que saibam pôr em perspectiva o essencial e o acessório. E o essencial neste momento é dissipar as dúvidas sobre a determinação de Portugal em tomar as medidas necessárias para assegurar a sustentabilidade das finanças públicas. Para isso, nada melhor do que um consenso alargado sobre medidas suplementares de redução da despesa pública.
O PSD apresentou ontem na Assembleia da República um pacote de redução de despesa
de 1.700 milhões de euros. O Partido Socialista e o Governo têm aqui uma oportunidade soberana de aliviar a pressão que se tem abatido sobre Portugal, aproveitando a proposta do PSD para transmitir para o exterior a mensagem de que os portugueses estão unidos no propósito de não deixar que a situação nacional venha a assemelhar-se à grega. Deixemo-los barafustar
mais um dia ou dois. Até perceberem que todos, todos temos a ganhar com um acordo nesta base.