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Porter, os cornos de Pinho e os testes psicotécnicos

João Vieira Pereira (www.expresso.pt)
0:01 Quinta feira, 3 de dezembro de 2009

Nos anos 80 o Ministério da Educação inventou os testes psicotécnicos. Turmas inteiras de miúdos preenchiam uns papéis que cientificamente (nunca acreditei nesta parte) definiam, estilo decreto, aquilo que iriam ser no futuro. E quase como uma ordem, ficavam presos aos famosos testes psicotécnicos e a uma carreira.

É claro que nem tudo era negativo nestes testes, se acreditarmos que estamos predestinados a ser médicos, engenheiros, economistas ou cientistas. Vem isto a propósito do rumo da economia portuguesa. Desde o famoso Porter, e dos seus estudos não menos famosos, que a economia portuguesa anda à deriva. Estes estudos pouca utilidade tiveram face à quantidade de críticas que foram alvo por parte de uns quantos políticos menos inteligentes (devem ter chumbado nos testes psicotécnicos). É óbvio que se todos soubermos para onde vamos, é fácil traçar o trilho para lá chegar.

Nos últimos tempos o nosso objectivo enquanto economia tem sido conter a despesa pública, diminuir o défice, aumentar a eficiência fiscal e tentar a convergência com a Europa. O discurso dos membros do Governo e oposição tem girado em torno destes conceitos com resultados desastrosos.

Perante tais objectivos é de admirar como temos conseguido crescer alguma coisa. A despesa e o défice não são um fim em si, mas um caminho para algo mais. Mas o quê? Alguém se importa de me explicar para onde queremos ir? Não é preciso dizerem como vamos lá chegar, mas apontem onde queremos chegar para que as empresas e a economia como um todo se possam mover de acordo com esse objectivo.

Justiça seja feita a Manuel Pinho. Foi único que apontou onde queríamos estar em termos de energias renováveis e criou as condições para tal. As empresas e as instituições assumiram essa estratégia e adequaram a sua oferta com resultados visíveis. Só este facto merecia que o episódio dos corninhos fosse esquecido.

Talvez fosse necessário recuperar a moda dos testes psicotécnicos e realizar um teste geral para o país. Temos excelentes exemplos de empresas que conseguem vingar em mercados extremamente difíceis, e se calhar podemos criar em torno delas ondas de crescimento.

Mas para isso é preciso que este Governo, pouco hábil a fixar objectivos que vão para além da mera sobrevivência, diga para onde acha que nos devemos mover e depois crie no Estado condições para isso. Depois basta ficar sentado à espera, porque as empresas portuguesas tratam do resto. A isto se chama planear, o contrário do que temos feito nos últimos dez anos. Já chega, não?

João Vieira Pereira

Texto publicado na edição do Expresso de 28 de Novembro de 2009

 

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Porter,os cornos de Pinho e os testes psicotécnico
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 18:32 | Quinta feira, 3 de dezembro de 2009
Sem querer entrar em polémicas penso que há aqui alguma injustiça. Na verdade não foram só as energias renovaveis embora essas sejam as mais viziveis. O Plano Tecnológico quer se queira quer não vai ficar na historia como sendo no minímo uma tentativa para a mudança. Ao sucesso que não foi alcançado devem ser assacadas responsabilidades à Oposição e nomeadamente ao PSD e à sua actual defunta Lider, que não se cansou de propor rasgar tudo o que mexia, num bota abaixo sem apresentar em todo este tempo uma única idéia mesmo que má. É uma injustiça dizer que não houve medidas concretas na Educação, como as Novas Oportunidades,o Inglês, a distribuição do Computador Magalhães, projecto que nos devia orgulhar de ser o único País no Mundo, onde todas as crianças o possuem. Podia continuar com um rol de coisas que foram feitas, mas quer se queira quer não o País nunca mais será o mesmo. Se não tivesse surjido esta crise Mundial seriam muito mais viziveis todos os beneficíos alcançados.
 
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