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Portátil Magalhães: o sucesso público

17:38 Sábado, 27 de setembro de 2008
Mais que no milhão de portáteis comprados pela Venezuela, está patente no brilho do olhar dispensado por quem passa por ele na FNAC o sucesso público do Magalhães.

Fiquei surpreso. Indiferentes às "críticas" estéreis acerca do "marketing político" e da origem geográfica dos seus componentes, o público dispensa ao portátil o olhar que merece um computador:

  • barato
  • leve
  • potente
  • agradavelmente transportável
  • versátil
  • pedagógico
  • estimulante
  • fracturante

Mal me conseguia abeirar da vitrina, sempre rodeada de gente. Todo o tipo de gente. A família modesta, com os olhos da miúda a brilharem e o pai de calções a deixar o interesse sobrepôr-se à timidez. O par jovem, ambos estudantes, ambos interessados nas características. O casal bem na vida, um olho no preço outro na capacidade.

Nunca vi, na informática de consumo, tão grande interesse num computador.

Em quase 30 anos a seguir a micro-informática, é a segunda vez que vejo um aparelho com potencial para estimular a criatividade informática. Portugal teve um hiato de uma geração condenada a usar as ferramentas impostas, sem forma de criar as suas ferramentas, de dar vazão à curiosidade.

Não estou a dizer que o aparelho vai mudar isto. Nada muda isto, excepto a vontade colectiva através do tempo. Há lacunas na distribuição pelas escolas. Há escolas sem condições básicas onde o Magalhães será alienígena. Há professores que nunca usaram um computador, que outra coisa poderão fazer além de proibir o seu uso, ou desconfiar dele? Um aluno de barriga vazia, que poderá fazer com o Magalhães?

Com tão poucos professores capazes de elaborar materiais digitais, uma boa parte do capital do aparelho desaparece na menor valia dos jogos. Não nos faltam críticas para fazer, evidentemente.

Mas o aparelho abre portas que estavam fechadas. Quebra barreiras. Aproxima as pessoas do novo paradigma da sociedade da comunicação: aparelhos diversos e baratos com acesso global às ferramentas e à informação disponíveis numa rede ubíqua.

Há quem insista em não ver que a era dos computadores pesados, carregados de violentíssimo hardware, terminou. Já só são necessários para servidores. Porque para ler, escrever, até mesmo jogar, ver o mail, preencher o formulário do IRS, editar o blogue, ver o Youtube, descarregar as imagens e os filmes das câmaras para a net, não é preciso um computador de última geração com 4 GB de RAM, placa gráfica de 250 euro - e as caríssimas licenças de pilhas de software anacrónico e inútil que os lojistas nos impingem como "essenciais" e "fazendo parte", tratando-nos arrogantemente (porque têm prémios para vender esses salvados da indústria informática). Ter o Microsoft Word de origem é como comprar um Renault com jantes de crómio especiais de marca - não precisamos delas para andar, mas para outra função qualquer.

Na informática, andamos a comprar "carros" ultra-kitados como se fossem modelos normais - e não nos queixamos. O Magalhães poderá ajudar a perceber a diferença entre o essencial e o acessório.

O Magalhães é da nova era - a dos aparelhos versáteis, pequenos, económicos, que se levam para todo o lado e permitem aceder a tudo o que necessitamos no trabalho (e nalgum lazer): o mail, os ficheiros, a web.

O Magalhães encerra dentro de si a semente do hacker - o miúdo curioso que gosta de saber "como funcionar por dentro" o aparelho que usa, antigamente eram os rádios e as televisões, agora é a informação, a programação.

O Magalhães faz-me lembrar aquelas canetas gordas, com 4 cores diferentes: quando surgiram, houve professores que as achavam o fim do mundo, a sociedade de consumo a entrar pela sala de aula, um elemento perturbador da ordem. Outros viram apenas uma caneta que os miúdos usavam com maior prazer - e estimularam-nos a usá-la de formas criativas.

Para os professores que sabem converter o desconhecido num aliado da educação, estimulando a curiosidade ao aluno e instilando-lhe alguma disciplina e segurança, o Magalhães é um must. Para os outros, não é nada. Como uma caneta de quatro cores.

O Magalhães é o primeiro produto informacional (ou relacionado) do Estado português que é livre - e só por isso já devia ser saudado. Com o Magalhães, as nossas crianças não são obrigadas pelo Estado a usar o software de um só fabricante. Podem escolher. Gostava de ter visto os habituais críticos do Estado realçarem este ponto, que é um ponto a favor do cidadão, um ponto a favor da transparência de processos. Não é um ponto pequeno: toda a relação informacional do Estado com o cidadão devia garantir a livre escolha, o que não sucede.

Ao concentrarem os esforços na perseguição política ao governo pelo uso de soundbytes sobre o Magalhães, os adversários fizeram-lhe o grande favor de elevar a fasquia da expectativa pública. Mas sairam mal na fotografia. Perderam. Desta vez, perderam. A iniciativa deu certo.

O Magalhães tem um potencial tal que quando chega às mãos (ou olhos) do público, toda a expectativa se cumpre. O Magalhães está muito para além de uma boa acção de comunicação do Governo. Com ele nas mãos, ninguém vai querer saber se foi montado em Famalicão ou Taiwan, e se alguém se lembrar que o governo aproveitou para aparecer nas fotografias, encolherá os ombros e dirá, "pois fez muito bem".

O Magalhães é um sucesso público. E isso é encorajador para a sociedade portuguesa. Nenhuma pessoa de boa vontade espera que seja perfeito no lançamento, ou que venha resolver todos os problemas estruturais e endémicos da educação, do país. Mas é um passo em frente no trajecto. E um passo largo.

O mercado reagiu tão bem ao Magalhães que antecipou a sua saída com produtos concorrentes, uns melhores, outros não. Ou seja, há um novo mercado aberto e estão cimentadas as condições de mudança, nomeadamente para completar a massificação da banda larga e da informática no país.

O Magalhães é, também, para já, um sucesso industrial, caso raro no país. Mas fica para outra altura.

Paulo Querido , jornalista

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Nem tanto ao Mar nem tanto á Terra
fimdalinha (seguir utilizador), 1 ponto , 2:34 | Quarta feira, 19 de novembro de 2008
Desculpem lá... eu comecei com um spectrum, e realmente foi divertido, mais tarde o amstrad, mac, IBM (DOS), win 95 etc.. mas sempre que evoluiu um sistema operativo a maquina teve de aumentar a sua potencia e capacidade... tem sido assim e parece que o caminho continua o mesmo (O Vista corre em muito poucas máquinas com fluencia... duvido que corra sequer no Magalhaes [talvez sem o Aero}).
Está certo fazer computadores acessiveis, alias existem varios fabricantes a fazer o mesmo (ASUS, ACER...) agora esta festa toda é que me espanta...ja dou razão ao outro do Smart...
Um ultimo pormenor, o nome... se realmente o Magalhaes, portugues sim senhor, mas num barco espanhol e com tripulação estrangeira... foi escolhido para o nome do PC então eu ca em casa tenho um Vasco da Gama e ando com um Pedro Alvares Cabral na mala... a memoria continua a vir da coreia e o processador da malasia...(Não sei se o Vasco da Gama chegou lá mas deve ter deixado la um flop ou outro)
 
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Enfim.o que a politica da oposição tem de obscuro.
userEX124256 (seguir utilizador), 1 ponto , 18:50 | Quinta feira, 4 de dezembro de 2008
nomeadamente em relação ao MAGALHÃES começa a ser criticada e apontados a dedo os velhos do Restelo que por sua vontade (deles) andariam ainda de burro.
Quais os professores que tiveram a coragem de realçar o Magalhães?
Alguns professores estarão no grupo dos tais que quando o homem foi à LUA disseram depois que era tudo montagem.
Tenho 68 anos e só obtive os primeiros conhecimentos de PC aos 59 anos,minha neta tem 12 anos e trata os PCs por tu.
Mas minha neta teve os avós que lhe compraram um PC e os outros que não tiveram essa possibilidade?
Gostei da sua redação Srº P.Q.
 
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Finalmente, alguém que percebe!
AndreEP (seguir utilizador), 1 ponto , 21:18 | Sábado, 27 de setembro de 2008
Já não era sem tempo. Alguém como o Paulo Querido que tem experiência no jornalismo informático a tecer uma opinião substanciada e informada. Era uma boa altura para o Pacheco Pereira aceitar a sua ignorância e calar-se.
 
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OK!
donald (seguir utilizador), 1 ponto , 12:52 | Domingo, 28 de setembro de 2008
Mas mais ou menos propaganda(desconfio logo das compras do chaves) mais ou menos mérito, gostaria ser esclarecido:
O nome da máquina deriva do de uma família grande accionista do fabricante?
Do navegador?
Do da Arrábida?
De outra qualquer origem?
Agradecido.
 
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O Computador MAGALHÃES
Toni 2 (seguir utilizador), 1 ponto , 21:33 | Domingo, 28 de setembro de 2008
Parabens pelo excelente artigo. Ainda bem que é um jornal com a credibilidade do Expresso, pois assim não deixa duvidas. Não se pode dizer mal do que é bom,porque arriscamo-nos a dar um tiro no pé e é o que tem acontecido,por alguns que com a vontade de destruír nem sequer escolhem alvo, atirando para tudo o que mexe. Já não há mais nada para dizer,pois quem quizer saber mais, só me resta aconselhar ler este artigo. Daqui a um ano podemos voltar a encontrar-nos e tenho a certeza que vai ser um sucesso,para alunos,pais e professores.Todos vão saber muito mais de informatica. Os Velhos do Restelo perderam. As aulas há século XVIII têm os dias contados. O quadro preto e o giz,vão passar a ser peças de museu. Os professores têm que entender isso. Os que não se reconverterem arriscam-se a não saber mais que uma criança de dez anos.A revolução está na rua ou melhor na casa de todos. A televisão acaba de ser destronada.Qual será a proxima tecnologia que irá destronar a Internet. A grande vantagem disto tudo é que qualquer um,vai ter acesso á maior biblioteca,que já alguma vez existiu. A cultura fica ao alcance de todos e todos sabemos que é a unica maneira de fugir á pobreza.
 
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Nostalgia
filipe@rio (seguir utilizador), 1 ponto , 22:41 | Domingo, 28 de setembro de 2008
Independentemente da forma ou do conteúdo desta iniciativa, não posso deixar de sentir uma certa nostalgia... do momento em que fui presenteado por um ZX Spectrum faz muito tempo, o que acabou por ditar o meu futuro profissional.
 
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É mais um fogacho parolo...
Purga (seguir utilizador), 1 ponto , 0:06 | Segunda feira, 29 de setembro de 2008
 
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Paulo Querido, Porreiro pá!
prfb (seguir utilizador), 1 ponto , 12:31 | Terça feira, 30 de setembro de 2008
Sim eu também acho que o governo já que é tão pomposo que devia dar a cada português um Smart pois tal como o Magalhães é:

- Relativamente acessível
- É leve
- É potente
- Facilmente estacionável
- Versátil
- Pedagógico pois é amigo do ambiente
- Estimulante
- Devia ter sido fracturante…

É ridículo sinceramente os elogios que faz ao Smart.. oops ao Magalhães é claro que vivemos uma era em que os aparelhos simples normalmente são um sucesso diga-se o mesmo da Wii.

Existem escolas neste pais que tem falta de material e de condições e o estado resolve o problema mandando “Magalhães”. Porque será que o Grandioso e Superior Governo não “dá” antes livros? Sim os livros pagam-se e não é pouco. Claro que assim não podia fazer o jeito a Intel e á JPSá Couto.

“Há quem insista em não ver que a era dos computadores pesados, carregados de violentíssimo hardware, terminou.”

Terminou onde? Desde de quando eu não entendo o “Magalhães” vem equipado com um processador Celeron você conhece ou tem um processador Celeron? Só estamos a falar dum processador que mal deixa ter duas janelas abertas!

Claro que vamos sempre precisar de cada vez mais computadores potentes pois n sei mas só a página do expresso consome entre 40-60mb de memória agora abra 10 páginas é lento não é?

Outra questão que eu acho interessante é o ser livre. Onde é que é livre? Um produto que nos é impingido com uma configuração medíocre e com uma distro do Linux e outra do Windows XP onde é que está a liberdade nisto? Liberdade era sabe o que? O Governo criar condições para as pessoas adquirem portáteis a melhores preços e com melhores condições, cada um escolhia por si.

Quanto aos críticos que saíram mal da fotografia apenas saírem porque Portugal é um país de imbecis pois as questões levantadas seriam obviamente levantadas em qualquer outro pais do mundo. A não ser o reino do chavez como é óbvio.

Aliás não é por acaso que um homem como chavez gosto do computador português pois ele vê ai mais um instrumento para a sua propaganda interna. Salve Chavez!!!! Que dá as criancinhas um computador só fico á espera é que ele não se esqueça de bloquear as páginas que não são favoráveis ao regime!

É triste só porque estamos a falar de computadores que não seja possível o escrutínio ai já estamos a falar de críticos e não pessoas responsáveis que não entram na voodoologia deste governo.
 
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Obrigado, meu
Exp_PauloQuerido (seguir utilizador), 1 ponto , 22:16 | Terça feira, 30 de setembro de 2008

"Terminou onde? Desde de quando eu não entendo o “Magalhães” vem equipado com um processador Celeron você conhece ou tem um processador Celeron? Só estamos a falar dum processador que mal deixa ter duas janelas abertas!!"

A avaliar pelo seu comentário, o leitor é que desconhece em absoluto o que é um Celeron. Sim -- trabalhei durante 2 anos com um portátil Acer que tinha um processador Celeron. Um portátil aliás bastante inferior, em termo de configuração, ao Magalhães: tinha metade da RAM, o que é logo uma machadada muito grande.

Abria muito mais que duas janelas. Abria aplicações pesadas, como o Photoshop e o PageMaker. Pude produzir no Acer dois ou três livros, capaz incluídas, e dezenas de reportagens, algumas com tratamento de imagem. Isto enquanto trabalhava nas minhas coisas, navegava na net, lia o correio, etc. Com nunca menos de 4 ou 5 aplicações abertas, algumas das quais, como o Firefox, por sua vez com diversos processos-filho abertos.

Isto tanto com o XP, que é mais exigente, como com o Linux, versão Ubuntu, com que conseguia mais rapidez.

É verdade: não usava o Word nem o Excel!! Será por isso que o meu Acer com um Celeron a 900 MHz era tão útil?

OK. Estou a fazer humor.

Esse Acer está a ser recuperado: o disco finou-se. Com um novo disco e mais RAM, vai cumprir mais 1 anito, ou 2, nas mãos de uma estudante do secundário, num curso onde vai correr aplicações pesadas.

"Outra questão que eu acho interessante é o ser livre. Onde é que é livre? Um produto que nos é impingido com uma configuração medíocre e com uma distro do Linux e outra do Windows XP onde é que está a liberdade nisto?"

Está na liberdade de usar um sistema operativo e software de código aberto, não estando sujeito à discriminação de formatos que os sistemas fechados praticam.

"Quanto aos críticos que saíram mal da fotografia apenas saírem porque Portugal é um país de imbecis pois as questões levantadas seriam obviamente levantadas em qualquer outro pais do mundo."

Por muito que me sinta tentado, não poso concordar com esse insulto fácil. Ir atrás da manada e reproduzir a crítica política automática não é propriamente um crime. Nem sequer um atentado à inteligência.
 
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    Re: Obrigado, meu    Ver comentário
sdi (seguir utilizador), 1 ponto , 12:31 | Segunda feira, 6 de outubro de 2008
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