O congresso que Paulo Portas antecipou com o argumento de que assim o CDS teria melhores condições para "arrumar a casa", afinal, não deve servir, segundo o mesmo Portas, para arrumar a casa. O presidente do CDS deixou bem claro, na sua longa intervenção inicial (uma hora e quinze), que não pretende perder tempo, nesta reunião, com "minudências" - e as minudências, na sua visão, são as questões internas do partido.
"Vamos discutir minudências do partido, ou soluções para o meio milhão de portugueses que já sabem que não vão ter emprego?", questionou, aplicando a mesma fórmula, depois, com os pensionistas, as empresas, os jovens emigrantes, os professores, as famílias, os alunos, as questões de segurança, da agricultura, dos deficientes das Forças Armadas, etc., etc., etc."
Ou seja, para Portas, todas essas questões se devem sobrepor aos assuntos internos do CDS.
"Vamos virar este congresso para fora, para o país real, ou para dentro? A minha decisão é virá-lo para Portugal."
Um repto recusado pelas vozes dissonantes do CDS. Mal Portas acabou de discursar e os jornalistas viraram-se para Manuel Queiró e Filipe Anacoreta Correia, os subscritores das duas moções de estratégia mais críticas em relação à actual direcção. E ambos recusaram que as questões internas - nomeadamente a estratégia do CDS em relação aos cenários pós-eleitorais - sejam "minudências".
Anacoreta Correia, do movimento Alternativa e Responsabilidade, considerou mesmo que a recusa de Portas em discutir os problemas que outros levantam o aproxima do habitual estilo de José Sócrates no Parlamento....