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Por sua conta e risco

João Vieira Pereira (www.expresso.pt)
0:00 Quinta feira, 21 de janeiro de 2010

Meu caro funcionário público, antes de continuar a ler permita-me que o alerte para que a probabilidade de concordar com o que vai ler é de quase zero. Se continuar está por sua conta e risco.

O Estado é de longe o maior empregador nacional, responsável por cerca de 900 mil empregos directos, isto contando com institutos públicos, autarquias e empresas públicas e municipais. A grande maioria destes trabalhadores tem o estatuto de funcionário público. Para estes, o ano de 2009 foi o melhor de que há memória. Tiveram aumentos salariais de 2,9%, ao mesmo tempo que as taxas de juro atingiam os mínimos de sempre, que se assistia a uma diminuição generalizada dos preços e o euro se mantinha como moeda forte. Contas feitas, o poder de compra subiu 3,7%. Nada mau!

É claro que em anos anteriores os funcionários públicos tiveram uma significativa perda de poder de compra por via de aumentos salariais sempre abaixo da inflação. Fazem parte de um sistema que quase nunca premeia o mérito. E têm condições de trabalho por vezes muito complicadas com instalações e equipamento fora do prazo de validade.

Mas há sempre o outro lado da moeda: têm emprego garantido para toda a vida; a tentativa de redução do número de funcionários através do famoso quadro de excedentários revelou-se um fracasso; unem-se num corporativismo eficiente protegendo-se de qualquer política que possa pôr em causa o seu statu quo.

Só que os funcionários públicos terão de perceber, mais cedo ou mais tarde, que são a chave para a resolução do problema das finanças públicas. São eles que em grande parte determinam o nível de despesa pública através das suas decisões do dia-a-dia. Desde as pequenas atitudes que qualquer funcionário pode ter, às decisões de maior impacto financeiro, muito se pode fazer para reduzir gastos desnecessários. Só assim será possível canalizar o dinheiro para onde ele é mais necessário, inclusive para salários. Até lá, até ao dia em que os líderes sindicais perceberem que só com a ajuda da função pública é possível fazer a reforma da função pública de modo a torná-la eficiente a todos os níveis, os aumentos salariais são a única variável que os governos podem controlar. E este ano, com um crescimento previsto do PIB de 0,7%, com a dívida pública quase nos 80%, com o défice do Estado nos 8%, avançar com qualquer aumento que seja na função pública é dar um empurrão no caminho para a "morte lenta" de que as agências de rating falam.

Como dizem os brasileiros: Ajudem o Estado a ajudar vocês!

Texto publicado na edição do Expresso de 16 de Janeiro de 2010

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Conhecer o passado ajuda a refletir no presente
PIANINHO (seguir utilizador), 1 ponto , 2:05 | Quinta feira, 21 de janeiro de 2010

Esta crónica, apesar de continuar com a sua tendencia PÉSSIMISTA, baseia-se em premissas actuais e de curto
prazo, o que dá um relativo realismo aos indicadores que usa e é um alerta que exagera na citada "morte lenta" insinuando que são "as agências de rating falam" que você
acha por bem acentuar.

Como acabei de lhe voltar a dar resposta à sua réplica
da crónica anterior, já não são horas, para dissecar atentamente este seu texto.

Mas lembro-o só que um dos grandes contributos da criação do famigerado "MONSTRO" foi precisamente a
politica posta em pratica nas remunerações da função
pública antes de 1995 pelo então Primeiro Ministro Prof. Dr. Cavaco Silva.

Aconcelho-o a investigar os milhares de empregos anuais,
que engordaram o "Pay roll" simultaneamente com o acréscimo proveniente do legislado no regime de carreiras da Função Pública, nos 10 anos em que o actual PR assumiu a função de PM.

Se o fizer, encontrará muita da explicação das dificuldades
que hoje se colocam, a fazer baixar as despesas no Orçamento de Estado, até pelo "corporativismo" que cita.

É sempre positivo tomarmos consciência do porquê das nossas dificuldades actuais, mesmo que nos tenhamos de dar ao trabalho de pesquisar, como foi construida a estrutura remuneratória do passado, para no presente
possamos se assim o entendermos face à realidade, medir
e conhecer o porquê das nossas responsabilidades actuais.

Até sempre

 
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aquilo que toda a gente repete
AntiFar2 (seguir utilizador), 1 ponto , 19:47 | Sexta feira, 22 de janeiro de 2010
O texto parece até um ´sermão encomendado`.
O funcionário público julgar o busilis da questão do insucesso económico do país...
No mundo onde vivo os funcionários têm chefes, e os chefes, chefes têm. Aí não há muito o costume de imputar culpas aos funcionários... Os sindicatos, esses, fazem o que podem dentro do enquadramento legal dado. É esse o seu papel.
Ainda, nesse mundo, um economista tenta apresentar soluções inovadora para a resoluç~so dos problemas não repetindo aquilo que toda a gente repete à saciedade.
 
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AntiFar2 (seguir utilizador), 1 ponto , 19:54 | Sexta feira, 22 de janeiro de 2010
Os eternos bodes expiatórios
red scorpius (seguir utilizador), 1 ponto , 18:59 | Domingo, 24 de janeiro de 2010
Já é um disco riscado, o do problema do país estar nos funcionários públicos.
Dizem as estatísticas que o Estado é o maior empregador de licenciados, tendo assim os trabalhadores mais qualificados do país.
Não serão melhor aproveitados por culpa de quem os dirige. Ora quem os dirige são os políticos. Os boys, as girls, etc.
Os funcionários públicos asseguram o funcionamento de escolas, hospitais, maternidades que ninguém quer que fechem. Mas poderão funcionar sem os...funcionários públicos?
Que dizer dos gastos do Estado com as empresas de segurança? Para quem não sabe, o Estado é o maior cliente destas empresas que garantem a segurança até às 20 h; até essa hora não me parece que haja grande necessidade de recorrer a essas empresas. Serão estas um lobby assim tão poderoso?
Quanto é que custa o famigerado sistema informático GEADAP que gere o SIADAP que avalia os funcionários públicos?
Para o que (não) faz, será uma verba obscena.
Claro que não funciona bem- já foi criado há mais de 2 anos - devido a "algumas dificuldades...". Se fosse gerido por funcionários seria pela incompetência destes que não funcionaria bem.
Há muitas verbas desperdiçadas e roubadas como se pode avaliar pelos Face Oculta que mais não será que a ponta do enorme iceberg que queima os cofres do Estado. Disso não se fala. Os maus são os funcionários públicos. Os outros pagam a publicidade que suporta os ordenados dos jornalistas.
 
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Talvez as regras sejam diferentes
acaciopascoal (seguir utilizador), 1 ponto , 22:51 | Domingo, 24 de janeiro de 2010
Talvez o funcionário público gaste o que não sente como seu
Talvez o facto de saber que o seu lugar é garantido não ajude a eficácia
Talvez as regras de motivação e profissionalismo sejam diferentes das pequenas/micro empresas...
---
Acácio
Blogo em http://1deias.blogspot.co...
 
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por sua conta e risco
fernandoasousa (seguir utilizador), 1 ponto , 22:04 | Sábado, 6 de março de 2010
Não precisei de ler o seu comentário, porque vi na SIC na quinta-feira de manhã, dia de greve geral na função pública, as baboseiras que o Sr. proferiu. Quando se comenta seja o que for temos o dever de estar bem preparados, no entanto, o que verifico, actualmente, é que se dão notícias e fazem-se comentários com uma facilidade extraordinária. Os seus comentários em relação aos funcionários públicos são de uma pobreza atrós.Aconselho-o a viver durante três meses como funcionário público e, já não digo das carreiras gerais, talvez um funcionário público de uma carreira especial e verificar quais são, actualmente as suas regalias. Lamentável meu caro. Informe-se e depois teça os seus comentários. Não, não sou funcionário público, mas tenho pessoas que conheço que o são e não gostaria de estar na pele deles.Porque será que pensam que o facto de não aumentarem os funcionários públicos se vai reduzir à despesa? Só em sonhos. Reduzam sim às regalias e ao desperdício dos dirigentes, dos deputados etc. Pois isto não ouço ninguém falar e é onde se gasta mais dinheiro dos nossos impostos. Estude os temas que se propõe emitir opinião, não seja mais um daqueles "gestores" que proliferam pelo nosso País. Bom trabalho.
 
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