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Políticos e estadistas

Fernando Madrinha (www.expresso.pt)
0:00 Sexta feira, 12 de fevereiro de 2010

Há momentos na vida das nações em que, como diz João Salgueiro, "não chegam políticos, são precisos estadistas". Portugal encontra-se hoje nessa situação: carente de políticos que, no poder e na oposição, sejam capazes de se transcender e de demonstrar que têm estofo de estadistas.

Ninguém nasce estadista, nem a condição de político deve ser menorizada por contraponto. É, aliás, na acção política - sobretudo nos momentos de crise grave -, que se forjam e se revelam os estadistas. Ou não. Portugal é hoje um palco propício a que os políticos se afirmem, ou pelo menos se esforcem por alcançar a condição de estadistas. Se o não fizerem, mergulharão no mais profundo e definitivo descrédito, que será também o descrédito do regime e do país na cena internacional.

Os acontecimentos dos últimos dias, com a precipitação da crise de confiança dos mercados financeiros, exigem uma resposta pronta e uma percepção muito rigorosa do que é essencial e prioritário. Não é aceitável que, perante o descalabro iminente, o Governo deixe crescer a dúvida sobre se quer ou não continuar a governar nas condições que os eleitores lhe impuseram. Não é aceitável que um partido com as responsabilidades do PSD e com um discurso tão exigente em matéria de finanças públicas, esqueça esse discurso para dar satisfação a Alberto João Jardim no momento e nas circunstâncias menos adequadas. Não é aceitável que, perante o icebergue que temos pela frente, Governo e oposições se entretenham em braços-de-ferro suicidas, enquanto o país ameaça afundar-se como o "Titanic".

A Comissão Europeia veio corrigir o que disse, ou o que foi atribuído ao comissário Almunia sobre a realidade portuguesa. Mas isso não altera a situação de facto. Se o fantasma da Grécia paira sobre Portugal, o que Portugal tem a fazer é olhar para a Irlanda. Em vez de se queixar das agências de rating, o Governo devia falar aos portugueses, dizer-lhes toda a verdade e prepará-los para os sacrifícios que são inevitáveis, como já se percebeu. Devia convocar partidos, empresários, sindicatos, autarquias, regiões autónomas e co-responsabilizá-los na busca de soluções urgentes. Soluções que passem pelo desmantelamento do Estado paralelo que se foi construindo ao longo dos anos, com centenas de fundações, agências e institutos públicos de utilidade duvidosa, exércitos de consultores, escritórios de advogados e demais clientelas que esgotam o Orçamento. Soluções que passem pela eliminação de SCUT e parcerias ruinosas, por taxar devidamente os lucros da banca, as mais-valias bolsistas, os ganhos especulativos. Soluções que passem por cortes exemplares nos salários e mordomias de todo o aparelho político e que preparem os cidadãos para medidas extremas. Medidas como, por exemplo, o pagamento de uma taxa extraordinária e transitória sobre vencimentos e pensões a partir de determinado montante, não só na Função Pública mas em todo o universo. Haja rigor e justiça na distribuição dos sacrifícios, combata-se o desperdício com vigor e determinação, comportem-se os agentes políticos com seriedade e empenho e os portugueses compreenderão.

É uma tarefa árdua que nenhum Governo minoritário pode executar sozinho. Mas uma tarefa para políticos com perfil e ambição de estadistas, ou, pelo menos, com forte sentido de Estado. Políticos que, estando no poder ou na oposição, sejam capazes de, por uns tempos, pensar mais no país do que nas próximas eleições - isto é, na sua própria conveniência e na dos seus partidos.

O almoço do Tivoli


José Sócrates reclama-se o direito de criticar os jornalistas que o criticam. Fá-lo em público, como no Congresso do PS ou numa entrevista à RTP, e fá-lo em privado, mas de modo que toda a gente o oiça, como terá sido o caso no almoço do Hotel Tivoli. É uma opção. Mas é uma opção lamentável que só pode envenenar a sua relação com os media.

O primeiro-ministro não é um cidadão como os outros. Quer pelo poder efectivo que detém em meios de informação do Estado, quer pela influência que pode tentar exercer nos restantes - por ser o primeiro-ministro e porque o Governo toma decisões susceptíveis de os beneficiarem ou de os prejudicarem -, as suas críticas públicas ou semipúblicas serão sempre lidas como pressões e ameaças à liberdade de expressão. Sobretudo se não se eximir a formulá-las em termos de ameaça, como parece ter acontecido com Mário Crespo.

Sócrates tem direito à opinião e à crítica. Só que as suas opiniões e críticas têm tido consequências. O já longo historial de casos com os media mostra que todos os alvos que nomeou foram neutralizados. E esse facto é demasiado perturbador para ser levado à conta de mera coincidência.

Instinto policial


Três vice-presidentes da bancada do PS tiveram uma ideia para combater a corrupção: fazer de cada cidadão um polícia. Não é muito original. Qualquer ditadura recorre a este expediente. Pondo na Internet as declarações de rendimentos, pensaram os ilustres deputados, facilita-se a investigação, pois todos os cidadãos serão potenciais denunciantes. O rendimento declarado pelo vizinho não é compatível com o Jaguar em que ele se passeia? Toca a avisar o fisco ou a PJ. Francisco Assis, líder parlamentar do PS, matou a ideia no ovo. Mas ficámos todos mais esclarecidos sobre o verdadeiro instinto de certos socialistas altamente colocados.

Texto publicado na edição do Expresso de 6 de Fevereiro de 2010

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Qué Flô??????
Brilhantina (seguir utilizador), 2 pontos , 13:17 | Sexta feira, 12 de fevereiro de 2010
Meu Caro.
Li a sua crónica mas não fiquei a saber ao certo o que é para si ser um Estadista.
A diferença que deu entre um político e um Estadista soa-me a algo... que me faz arrepiar.
Para mim, ser-se político, é alguém que com base numa ideologia ou noção de organização de uma sociedade, tem um ideal para o bem do seu País, e de um Estadista, como o Fernando Madrinha diz, é alguém que não sendo político, interessa-se pelo bem do seu País portanto, desprovido de qualquer ideal.
Pois, gostava que me exemplicasse quais os Estadistas que conhece, mas não me venha com os nomes daqueles que recorreram às Monarquias Inglesas, Francesas e Espanholas para resolverem os conflitos internos de Portugal.
Quanto ao almoço no TIVOLI, tenho-lhe a dizer que antes de Sócrates ter lá entrado, entrou um indivíduo para o escurinho, de bigodinho, com um ramo de flores na mão a dizer de mesa em mesa ''qué flô'' ''qué flô''? Para lhe ser franco, não sei se estava a referir-se a M.C..
Depois, apareceu um indivíduo, ainda mais escuro, com elefantes e colares em madeira na mão e uma mochila às costas, que passou por quase todas as mesas a dizer ''qué comprá? qué comprá?'' para lhe ser franco, não sei se estava a referir a M.C.
Então foi quando o Sócrates entrou e sentou-se a uma mesa no seu recato. Entrou pouco antes do cauteleiro que, não percorreu as mesas e gritou logo à entrada a todos os pulmões,'' QUEM QUER A SORTE GRANDE?''
Será que o Crespo e agora o Madrinha...(cont)
 
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    (cont) Qué Flô??????    Ver comentário
Brilhantina (seguir utilizador), 2 pontos , 13:43 | Sexta feira, 12 de fevereiro de 2010
    Re: (cont) Qué Flô??????    Ver comentário
PIANINHO (seguir utilizador), 2 pontos , 18:35 | Sexta feira, 12 de fevereiro de 2010
Criticar os jornalistas é censuravel ?
PIANINHO (seguir utilizador), 2 pontos , 18:25 | Sexta feira, 12 de fevereiro de 2010
Caro Fernando Madrinha

Na sequência do que diz, em parte do seu texto: "O almoço do Tivoli
José Sócrates reclama-se o direito de criticar os jornalistas que o criticam.........."

como jornalista do Expresso de à longa data, está muito enganado, se pensam que no seu Grupo não se faz censura, dou-lhe um exemplo de hoje, mas que não é isolado é até frequente, como posso comprovar.

Todos vós jornalistas ficam coléricos quando lhe "cheira" a CENSURA, o que é uma reacção natural.

Hoje fui censurado pelo EXPRESSO on-line, ao comentar a crónica de Henrique Monteiro paradoxalmente com o titulo: A censura é "oficial"

Transcrevo o meu comentário na integra:

“Titulo: A paciência também se esgota basta “

"A sua PARANÓIA por Sócrates passou à fase da neurologia e psiquiatria, duas semanas consecutivas a falar sobre a mesma pessoa, é doentio.

Você persegue Sócrates como os NAZIS perseguiram os judeus.

As melhoras trate-se,"

Os censores do EXPRESSO resolveram eliminar o comentário, portanto a censura real está neste espaço do Expresso, esta é a minha conclusão.

Gostava de me desse a sua opinião, sobre este procedimento de censura no sítio, onde presta serviços.

Fico a aguardar a sua resposta,

PS. H. Raposo todos os dias, durante as 2 semanas, insulta e enxovalha o PM, leia a suas crónicas, para entender melhor o que escrevo no m/comentário.

Cumprimentos,

 
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Leões, chacais e hienas.
CondestavelXXI (seguir utilizador), 2 pontos , 9:56 | Sábado, 13 de fevereiro de 2010
Um estadista não se evidencia no poder mas na oposição. Um estadista tem que ser capaz de liderar o seu partido resistindo aos lobbies internos e à fome dos tachos durante o tempo necessário até ter as condições para dar um golpe certeiro e tomar o poder sem margem para dúvidas. A partir daí é fácil ser estadista.
Um estadista actua como um leão que domina o seu bando, mesmo suportando a fome, e abate a presa com um só golpe de alta precisão no momento certo.
Os políticos, pelo contrário, caçam em alcateia, mordem cobardemente cada um por sua vez causando o maior estrago possível durante o tempo que seja necessário até derrubarem a presa por esgotamento.
Quanto aos jornalistas, alguns assemelham-se mais a hienas que além de abocanharem qualquer porcaria ainda soltam risadas cínicas.
Evidentemente que um estadista na oposição ou no poder pode ter que dar patadas para manter a ordem e isso não tem nada a ver nem com democracia nem com falta dela. A democracia exerce-se em votações perfeitamente definidas e não deve ser confundida com anarquia sob pena de ser substituída por uma verdadeira ditadura. Portugal já está na prática sob a ditadura dos credores enquanto os "chacais" clamam por democracia e as "hienas" por liberdade de expressão.
 
 
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A Honra Socialista II fim
SIULUX (seguir utilizador), 1 ponto , 16:37 | Sábado, 13 de fevereiro de 2010
Sempre ouvi dizer que " Quem cala, consente ! E quem não se sente, não é filho de boa gente ! ", mas a mim nem precisavam de me dizer nada: há 35 anos que os conheço de ginja! Esses " senhores doutores " da confraria da rosa, não são flor que se cheire!

Só de pensar que um dos " altifalantes do socialismo parasita " - que já devia ter juízo e estar a escrever as suas memórias - pretende ser o Presidente da República me deixa em ponto de bala!
Ainda bem que nunca fui prá guerra, que sei manusear arma nenhuma pistola e " adepto da violência " não sou.

Agora, Portugal inteiro sabe qual é o verdadeiro Código de Conduta e onde está a Honra do Partido que de socialista só tem o nome. Mas será que o povo invertebrado ganha coragem e se assume de vez ou prefere suicidar-se com quem lhes deu a volta aos miolos?.
 
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    Re: A Honra Socialista I + II fim ....    Ver comentário
PIANINHO (seguir utilizador), 2 pontos , 0:43 | Terça feira, 16 de fevereiro de 2010
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