Depois de passar dois meses numa cadeia suíça, o realizador Roman Polanski preparava-se hoje para um esplêndido cativeiro numa das mais luxuosas estâncias de Inverno do mundo.
Roman Polanski terá vista para os picos alpinos cobertos de neve, salas espaçosas e todas as comodidades de uma localidade com a reputação de satisfazer os desejos dos ricos e famosos. Porém, uma vez no interior não poderá passar da porta da entrada.
O tribunal penal federal da Suíça ordenou quarta-feira a libertação sob caução de Roman Polanski, detido há dois meses no âmbito de um caso de alegado abuso sexual de menores nos Estados Unidos, que data de 1977. A caução para a libertação do cineasta, de 76 anos, foi fixada em 4,5 milhões de francos suíços (3 milhões de euros), referiu o tribunal de Bellinzone em comunicado.
O polémico realizador de cinema foi detido a 26 de Setembro à chegada ao aeroporto de Zurique, onde ia receber um prémio num festival de cinema. A detenção foi feita em resposta a uma ordem de procura dos Estados Unidos, que pedem a sua extradição, depois de o cineasta ter fugido do país em 1978 devido ao seu envolvimento num caso em que era acusado de manter relações sexuais com uma adolescente de 13 anos.
Caução milionária e pulseira electrónica
Neste isolado bastião da riqueza que é Gstaad - que foi outrora refúgio da actriz norte-americana Elizabeth Taylor e que o falecido rei da pop Michael Jackson visitou -, o realizador, de 76 anos, ficará em prisão domiciliária logo que envie pelo correio a sua caução de 4,5 milhões de dólares, entregue os seus documentos de identificação e esteja pronto para usar a pulseira electrónica que permite às autoridades controlar o seu paradeiro.
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| O «chalet» de Polanski (na foto) terá vista para os Alpes, salas espaçosas e todas as comodidades de uma localidade com a reputação de satisfazer os desejos dos ricos e famosos |
| Thomas Kienzle/AP |
Ministério da Justiça decidiu hoje não recorrer de uma decisão do tribunal que admitiu a fiança e disse que o libertará da cadeia enquanto considera se o vai extraditar para os Estados Unidos, por ter tido sexo em 1977 com uma menor de 13 anos.
"Ele não pode sair desta casa", assinala o Ministério num comunicado. "Se ele violar os termos da libertação, a fiança reverterá para o Governo suíço", acrescenta o documento.
Tudo à distância de um telefonema
Mesmo sem pôr um pé fora de casa, a vida de Polanski vai melhorar substancialmente em relação à pequena cela onde esteve detido em Zurique, que tinha apenas cama, sanita, lavatório e televisão.
Gstaad oferece uma vasta gama de hotéis e restaurantes de qualidade e "as pessoas aqui podem mandar vir as refeições para os seus chalets a qualquer hora", disse Marlene Mueller da agência de turismo local.
Apesar de Roman Polanski ser agora o fugitivo mais famoso do mundo, o mais certo é os locais o deixarem em paz. "Aqui pode conseguir-se quase tudo, desde que se tenha dinheiro", disse o director de turismo Roger Seifritz.
"Os locais tendem a ir para as grandes cidades para comprar coisas mas os nossos hóspedes ricos podem ter aqui tudo o que quiserem".
Discrição impera
A aldeia de 3.500 habitantes todo o ano cultivou a sua imagem como um paraíso do luxo e os locais têm uma atitude tolerante para as celebridades e uma mentalidade de "não olhes, não digas".
"Preferimos a discrição", disse o presidente da Câmara Aldo Kropf. "É por isso que as pessoas vêm para aqui".
Roman Polanski terá também esse mesmo tratamento por parte da polícia suíça, que prometeu fazer a sua transferência sem alarido. "Não queremos exibi-lo como se fosse um animal exótico", disse o porta-voz do Ministério da Justiça Folco Galli.