Na última campanha eleitoral para as legislativas ouviu-se muito falar sobre PMEs e a sua importância para o nosso desenvolvimento económico. Também o Presidente da República fala delas repetidamente, destacando mais ou menos a mesma coisa. Os empresários também costumam usar as PMEs como emblema das preocupações quando se pretende, por exemplo, aumentar o salário mínimo, alegando que elas não têm capacidade para aguentar tais aumentos, ainda que irrisórios.
Mas estaremos todos a falar na mesma coisa quando falamos de PMEs? Claro que não. Não devemos confundir as PMEs inovadoras, nomeadamente as de base tecnológica, que só sobrevivem se criarem produtos baseados em I&D, em transferência de tecnologia criada nas Universidades e Institutos de Investigação, com as PMEs familiares do restaurante ou do comércio local, com todo o respeito que tenho por essas PMEs. As primeiras servem de facto para impulsionar o país, e dão exemplos a muitas das nossas grande empresas de nomeada, que frequentemente ignoram o know-how nacional e compram feito para lucrar vendendo mais caro, sem qualquer valor acrescentado que não seja o da criação de emprego. E não é pouco, criar emprego, dirão alguns, com a sua parcela de razão. Mas quando vemos muito emprego criado mal pago, mal qualificado, e a quem os patrões se recusam a aumentar o ordenado mínimo de 25 EUR, é caso para perguntar se é isso que queremos para o país, e se é isso que nos vai tirar da permanente crise em que andamos há anos.
Eu acho que não, e a Robótica é uma das áreas que tem dado cartas em Portugal nesta linha de pensamento. Veja-se por exemplo as muitas PMEs que têm aparecido à custa da transferência de saber e tecnologia universitárias nesta área (lista em "Links" na página da SPR
) . Elas (sobre)vievem à custa de muita intervenção em projectos inovadores e competitivos, muitas vezes em parceria com instituições estrangeiras. Exemplos como o recém publicitado (no EXPRESSO) projecto de robô para os aeroportos
, em parceria com a ANA e no âmbito de um projecto europeu, são a face do Portugal moderno, que não quer progredir à custa de salários baratos e prémios faustosos para administradores, mas da palavra chave: qualificação!