O primeiro-ministro José Sócrates voltou hoje a repetir que a prioridade para Portugal em 2009 será o emprego e que tudo fará para "proteger as pessoas do desemprego e ajudar as empresas".
José Sócrates falava na inauguração, hoje, no Ministério das Finanças, de uma exposição sobre os 10 anos do euro e à qual compareceram também Durão Barroso, Teixeira dos Santos e Vítor Constâncio.
O primeiro-ministro salientou a importância da moeda única para a resolução da presente crise financeira e económica, sublinhando que, "sem ela, a estabilização do sistema financeiro teria sido muito mais difícil e dolorosa. O euro induz e impõe uma resposta articulada à actual crise", afirmou.
Barroso admite revisão plano europeu
Já anteriormente, o presidente da Comissão Europeia tinha sublinhado o papel da moeda europeia nesta crise, destacando que "o euro é uma protecção poderosa sobretudo para as pequenas economias abertas", como a portuguesa.
Abordando o plano europeu de combate à crise, Barroso não excluiu, porém, a possibilidade de o rever: "A União Europeia teve a resposta adequada, mas a situação está a evoluir, pelo que não é de excluir a sua revisão se tal se revelar necessário".
Barroso respondia assim aos comentários anteriores do presidente do Banco de Portugal, que classificou como "tímida" a resposta europeia à crise. "Não se pode comparar os Estados Unidos, que são um único país e cujo desequilíbrio é muito maior, com a UE, que são 27, e onde é mais difícil tomar decisões", declarou. "Não é correcto comparar nem o tipo de resposta, nem o tipo de instrumento".
Constâncio garante descida de juros
Segundo Constâncio, os programas públicos na Europa são "uma tentativa de resposta, talvez insuficiente" à crise, que perfazem apenas 1,5% do PIB europeu e, em alguns casos, limitam-se a "medidas adicionais".
O governador do Banco de Portugal manifestou-se no entanto convicto de que, "se houver risco de deflação, a política monetária europeia responderá com uma descida das taxas de juro".
"O euro e a política monetária europeia são um factor de estabilidade para a Europa e podiam ser um factor de afirmação maior ainda da Europa na comunidade internacional", disse Constâncio.
Coube, aliás, ao governador do Banco de Portugal fazer o elogio da moeda única, citando alguns números: em dez anos, o euro valorizou-se 20% em relação ao dólar e 40% em relação à libra; em 40 países com referência ao euro, as reservas internacionais da moeda passaram de 18% para 27%; é a moeda em que se verifica a maior emissão de instrumentos de dívida em mercados internacionais e as suas notas têm uma circulação monetária superior à do dólar.
Segundo Constâncio, a inflação baixou de 3% para 2% na zona euro nos 10 anos de existência da moeda única (em Portugal de 6% para 3%), o desemprego baixou de 10% para 7% no mesmo período e, em toda a área, criaram-se 18 milhões de novos empregos (15 milhões nos Estados Unidos).
"O euro é, hoje, uma moeda robusta e credível", disse o governador do Banco Central, que o qualificou como "a maior realização da construção europeia pela partilha de soberania que implica e que não tem paralelo em mais nenhum sector, nem precedente histórico".