Um planeamento cuidado, equacionando as hipóteses relevantes, baseado em dados factuais, focalizado em objectivos claros, é, inquestionavelmente, indispensável para o sucesso de qualquer organização. No entanto, o planeamento deverá ser o mais lesto possível, de modo a que quando terminada esta etapa, as condições sejam ainda "as mesmas", e que os objectivos e estratégias delineadas continuem adequados.
Assim o acto de planear deverá ser algo que está bem definido, sistematizado, permitindo que a sua utilização seja eficiente e não um impedimento para a concretização. A estruturação do planeamento que responde a esta necessidade de rapidez, permitirá também ajustes ou "re-planeamento" que, com a velocidade a que os cenários de mercado mudam, se torna cada vez mais premente.
A concretização do raciocínio acima apresentado depende de que existam pressupostos sobre os quais se trabalha.
- Pressupostos sobre as condições no mercado;
- Pressupostos sobre as condições internas da organização;
- Pressupostos quanto aos critérios de controlo e avaliação da performance da organização, nas acções que preconiza desenvolver, para atingir os seus objectivos.
Os critérios de controlo e avaliação da performance são definidos também pela gestão da organização, tendo em conta as exigências das acções sob monitorização e a capacidade de controlo disponível.
As condições internas da organização encontram-se, em grande medida, sob a influência directa da gestão da organização. Esta pode, através de mecanismos internos e dentro de certos limites, adaptar os seus processos de forma a atingir o perfil que pretende.
As condições externas e de mercado, são influenciadas por n variáveis, sendo o Estado, em Portugal talvez mais que em outros países, uma força de peso desproporcional relativamente a outras. Tendo em conta este papel "chave", resultante do seu papel nas políticas fiscais e do seu controlo ou influência sobre sectores como a banca, energia, telecomunicações, construção civil entre outros, torna-se imprescindível que sejam conhecidas as orientações, procedimentos e investimentos.
As empresas que operam nos mercados são, infelizmente, "dependentes" do Estado e necessitam de saber com o que contam, quais as perspectivas e condicionantes.
As empresas que operam nos mercados necessitam de se preparar e planear as suas acções de forma a serem competitivas e atingirem os seus objectivos.
Assim, a melhor ajuda que o governo e partidos com assento na assembleia da república podem providenciar às empresas portuguesas é, de forma cabal e "definitiva", determinarem as regras do jogo, a nível fiscal e, como nesta legislatura parece ser a aposta, o investimento público em infraestruturas. Torna-se crítico clarificar quais as grandes obras públicas que serão efectivamente iniciadas durante esta legislatura.
A decisão quanto a esta questão, não esquecendo o peso que a construção tem no PIB, no emprego e investimento em Portugal, nem os custos associados e possíveis consequências no endividamento do país, não pode ser processada como se de um clubismo se tratasse, em que uns dizem que o Porto é melhor, outros que é o Sporting, mesmo sabendo que na verdade é o Benfica!
É crítico demonstrar de forma objectiva que as opções governativas são imbuídas de um fio condutor com visão e estratégia de desenvolvimento do país e não somente resultantes de uma opção "puramente política". Esta responsabilidade é do governo, no sentido que deve fundamentar as opções tomadas, e também da oposição, sempre que se insurja relativamente aos projectos apresentados.
A Ordem dos Engenheiros, que dado o sector em análise possui toda a legitimidade para se pronunciar, clama pela necessidade de uniformização de critérios no que concerne à avaliação e estudos custo-benefício relacionados com as grandes obras públicas, sendo um dos parâmetros a incluir a geração de emprego e, eu acrescento, o efeito de "contaminação" positiva que poderá ter em outros sectores.
Esta é uma questão da uniformidade de critérios, já nem devia estar sujeita a discussão pois, perdoem-me a constatação simplista, 1 metro terá de ser necessariamente 1 metro para todos, 1 euro terá de valer 1 euro para todos. Que 1 euro seja suficiente para uns e pouco para outros é outra discussão!
Deixemos as empresas saber quantos euros podem aspirar receber, para planearem os euros que têm de investir e onde devem direccionar o seu investimento.
Seria interessante, e talvez utópico, que durante 2 ou 4 anos, mediante a validade do governo, as empresas, e neste caso as do sector da construção civil, tivessem um horizonte relativamente limpo no que diz respeito às obras previstas no programa de governo e que efectivamente venham a ser construídas.
Deixo uma frase que me parece muito adequada ao supracitado:
"...Não há bom vento para um barco que desconhece o rumo"
Séneca
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Nota
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