No âmbito da "Operação Cromagnon" desencadeada há dois anos, o Departamento de Investigação Criminal de Braga deteve, hoje, o homem que há 16 anos se evadiu do Estabelecimento Prisional de Braga.
Condenado pelo homicídio de uma vizinha, por desavenças em relação a bens rurais, o detido, que se encontrava armado, reagiu violentamente à aproximação dos 12 agentes da PJ
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"A operação desencadeou-se com o maior sigilo, tendo os agentes chegado a pé à gruta onde o homem se encontrava logo ao início da madrugada", afirma Carlos Gomes, director da PJ de Braga.
As informações de que o evadido se poderia andar pela zona de Vieira de Minho chegaram à PJ há dois anos, mas todas as pesquisas, manobras de vigilância e passeios de montanhismos mostraram-se até hoje infrutíferas.
Ao contrário de outros casos, diz Carlos Gomes que a comunidade nem sempre se revelou colaborante e, em alguns casos, foi mesmo hostil às abordagens da PJ.
Segundo o director da PJ de Braga, o que torna este caso único é a forma como o evadido conseguiu sobreviver e esconder-se durante tantos anos, saltando de gruta em gruta e de morro em morro quase inóspitos perto da aldeia onde vivera, no Lugar de Tapado, na freguesia de Anissó.
"Hoje foi um golpe de sorte", diz Carlos Gomes, que sustenta que o detido contou ao longo dos anos com a ajuda de amigos ou familiares. O condenado tinha cumprido apenas dois anos e meio de pena de prisão, de um total de 10 anos, quando fugiu da cadeia de Braga, onde ficou hoje novamente detido para cumprir o resto da pena.
Aos 54 anos, o detido, solteiro, encontra-se precocemente envelhecido, mal-nutrido, desgrenhado, sujo e esfarrapando. "Um autêntico Robinson Crusoé", comentou Carlos Gomes.