Mais de 20 buscas foram já efectuadas pela PJ do Porto a várias residências, empresas e autarquias, no âmbito de uma investigação sobre a alegada prática de crimes de corrupção, tráfico de influência e prevaricação.
Fontes da Polícia Judiciária dizem que o caso ainda agora está a começar e que o âmbito das diligências deverá ser alargado a mais pessoas e instituições, já nos próximos dias.
Um dos elementos centrais desta investigação parece ser o processo de licenciamento de alguns negócios, envolvendo a empresa Jerónimo Martins. As instalações deste grupo económico foram visitadas por inspectores, que estarão a apurar dados sobre alegadas ilegalidades no licenciamento de alguns supermercados Pingo Doce.
Também alguns negócios de abastecimento de combustíveis estarão a ser investigados, no âmbito deste processo, que envolve vários autarcas e ex-autarcas de vários muncípios. José Mota, ex-presidente da Câmara de Espinho, confirmou que inspectores da PJ estiveram quarta-feira em sua casa, tendo levado três cheques.
Denúncias de "filhos da mãe"
José Mota, que estava no Brasil no momento da investigação efectuada na sua residência, atribui a investigação a denúncias de "filhos da mãe" interessados em denegrir a sua imagem, garantindo que a PJ nada pode encontrar de comprometedor na sua casa.
O actual governador civil de Aveiro fala ainda da coincidência desta operação com as eleições para o PS-Espinho, que decorrem este fim-de-semana e em que ele é o único candidato.
Esta investigação terá começado em Espinho, por suspeitas de um negócio de prospecção de terrenos. O actual executivo da Câmara de Espinho já confirmou a ida da PJ às instalações da autarquia, não divulgando que tipo de documentos e informações foram recolhidos.
O presidente da Câmara de Espinho, Pinto Moreira, esclarece no entanto que esta visita da PJ nada tem a ver com a auditoria que está a decorrer para apurar a situação financeira da autarquia.
Também a empresa Jerónimo Martins confirma as investigações da Polícia Judiciária, mas acrescenta que desconhece o âmbito do processo, salientando apenas que está a "colaborar activamente com as autoridades".