O suicídio é um comportamento que pode surgir na sequência de diferentes situações vivenciais e que não é um sintoma específico de nenhuma patologia psiquiátrica - em rigor, pode acontecer mesmo na ausência de doença mental. Deve-se, por isso mesmo, ter atenção e cuidados redobrados na procura de relações causa-efeito. São vários e de diferente ordem os factores predisponentes, desencadeantes e de risco para a ideação suicida e para o suicídio consumado (cf. "questões frequentes")
, que na maioria das vezes coexistem e tem efeitos sinérgicos.
O efeito psicológico do suicídio é brutal, com incidência particular na família e nos grupos sociais a que o suicida pertencia ou com os quais, de algum modo, estava envolvido. Esse efeito é particularmente importante se um dos territórios em causa é a escola - há alguns anos a OMS elaborou um pequeno manual, "Prevenção do Suicídio: Um Manual para Médicos Clínicos Gerais", onde era referido que um único suicídio afecta pelo menos outras seis pessoas, mas se um suicídio ocorre num contexto escolar tem impacto em centenas de pessoas. Para além da disfunção reactiva ao sucedido há, objectivamente, um aumento real das tentativas de suicídio por um fenómeno mimético.
Não me parece necessário ter uma formação específica para perceber o que acabei de escrever, basta um pouco de senso comum e razoabilidade. Estas temáticas não devem, e não podem, ser tratadas levianamente. Que se passa, então, com os jornais? Estou com a Shyznogud, "Perdeu-se a noção e mais a vergonha e a puta da ética"
.