10/02/2012 atualizado às 17:47
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Pensar a cidadania moderna.

O Open Data anuncia uma nova forma de olhar a cidadania e a ordem política democrática. Saberemos apanhar este comboio a tempo?

Vasco Campilho (www.expresso.pt)
19:00 Quarta feira, 18 de agosto de 2010

O conceito clássico de cidadania democrática é eminentemente político: pela sua participação, os cidadãos escolhem o poder constituído e legitimam a sua acção. Este conceito remete para Rousseau e para aquilo que Benjamin Constant chamou a liberdade dos antigos: a ideia de que a liberdade verdadeira está na sujeição à lei, a partir do momento em que todos os cidadãos participam na sua elaboração. Mas como já Constant dizia em 1819, o conceito moderno da liberdade é outro, ancora-se na autonomia individual e numa separação entre esfera pública e esfera privada.

Sucede que a esfera da acção pública transbordou largamente o perímetro que era o seu no início do século XIX, multiplicando os pontos de contacto com a vida quotidiana de cada um. O que isto significa, na prática, é que desde Rousseau e Constant se multiplicaram as instâncias em que o cidadão é súbdito, mantendo-se única a instância em que ele é soberano - o momento do voto. Manter o conceito clássico de cidadania política seria portanto aceitar uma vida de cada vez maior sujeição e cada vez menor autonomia - o contrário daquilo que cada um de nós instintivamente reconhece como sendo o propósito da democracia.

É pois preciso reconhecer que a cidadania se pode exercer noutras instâncias, complementares à da participação política. A ideia de que a Administração Pública deve encarar o cidadão como cliente participa justamente deste movimento: ao aceitar que um serviço público não tem apenas que responder à sua tutela política, mas deve também procurar satisfazer aqueles que a ele se dirigem, está-se a alargar o conceito de cidadania a actos privados da vida quotidiana.

Mas se levarmos a sério o conceito de cidadania democrática como parte de um movimento para uma cada vez menor sujeição e uma cada vez maior autonomia dos indivíduos, não podemos satisfazer-nos da conjunção de uma cidadania da participação política com uma cidadania do consumo público. Não há dúvida de que sem participação política não há democracia: não há dúvida de que sem respeito pelos cidadãos, mesmo com a mais democrática tutela a administração pública se torna numa tirania do quotidiano. E não há dúvida de que em cada uma destas dimensões se pode ainda progredir.

Mas o progresso incremental que é necessário em cada uma destas dimensões não deve obstar ao desenvolvimento de uma terceira dimensão da cidadania: a da produção colaborativa de bens públicos. Um exemplo de movimento nesse sentido é a disseminação de experiências de Open Data, em que governos nacionais e autoridades locais colocam à disposição de todos dados recolhidos e/ou produzidos pela própria actividade governamental (alguns exemplos estão listados aqui ), permitindo a cada um produzir aplicações e serviços baseados nesses mesmos dados. Esta experiência permite entrever uma nova forma de ordem política democrática, em que a experiência da cidadania se baseia no tríptico expressão-consumo-produção. Portugal, mais uma vez, vai apanhar este comboio atrasado. Mas ainda depende de nós que o atraso não seja dramático.

Palavras-chave  Blogues, Política, Portugal 2009
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O simplex de Sócrates
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 21:45 | Quarta feira, 18 de agosto de 2010
Sócrates reduziu a cidadania ao simplex.
 
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É muito depressa.
88dabulota (seguir utilizador), 1 ponto , 23:33 | Quinta feira, 19 de agosto de 2010
Já aqui escrevi que em Portugal não votamos em quem nos governa mas sim no chefe, que depois escolhe os piões de brega , segundo o seu gosto . Isto não são eleições . Quem fez esta constituição , e quando disse que era moderna , mentiu com todos dentes. Devia , já em 1975 , ter se dado ao trabalho de copiar o melhor e mais moderno sistema que havia na UE e não isto que fez , uma coutada para os políticos . Os presitentes de Câmaras , deviam ser eleitos por gente que os conhece e não serem imposto pelos partidos políticos . Os deputados edem , os funcionária públicos deviam ser muito menos e ser admitidos por concurso público e não pelo padrinho ou com o cartão do partido .A constituição , não devia dar poder aos partidos políticos , para destruirem a democracia como têm feito : Sócrates.
 
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