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Opinião: Estamos (dis)traídos com as eleições no Irão?

17:23 Quinta feira, 11 de junho de 2009

Terminadas as eleições Europeias, seria altura de concentrar as atenções em Teerão porque se realizarão, já dia 12 de Junho de 2009, as eleições para a Presidência da República Islâmica do Irão.

Contudo, e uma vez mais, as eleições no Irão serão completamente ignoradas, e estarão afastadas dos nossos alinhamentos noticiários, até ao exacto momento do resultado final. Desprezaremos um dos poucos actos eleitorais que se realiza no Médio Oriente, e que acontecerá no habitual isolamento que caracteriza o Irão nas últimas décadas.

Ao contrário das eleições dos Estados Unidos da América, que são seguidas, e bem, durante meses a fio, desde a contagem dos delegados, até ao Baile do Presidente, as eleições no Irão passarão despercebidas à excepção de algumas notas de rodapé, ou referências marginais.

A informação disponível continua a estar limitada a declarações públicas explosivas que conduzem a incessantemente discussões sobre possíveis sanções, ou de tempos a tempos, sobre acidentes e eventuais envios de ajuda Humanitária.

É uma pena, pois neste momento vive-se nas ruas de Teerão, assim como na maioria das cidades Iranianas, um fervilhar eleitoral inexistente na nossa Europa. Os Iranianos estão na rua. Os discursos são inflamados e as mensagens políticas poderosas, arriscadas e determinantes.

Em confronto, estarão desta vez quatro políticos: o actual Presidente Ahmadinejad, o antigo primeiro-ministro Mirhoussein Mousavi, o antigo porta-voz do Parlamento, Mahdi Karoubi, e Mohsen Rezaie o antigo Chefe da Guarda Revolucionária.

Naturalmente, e como no resto do mundo, acompanhados de diversos actores, como é o caso do Líder Supremo, o Ayatollah Khamenei (não confundir com o falecido Khomeini) e múltiplos apoiantes, alguns com nomes conhecidos do Ocidente, como é o caso dos ex-governantes Hashemi e Rafsanjani.

E no próximo dia doze, milhões de cidadão decidirão que rumo dar (não só) ao Irão...

Porque passará quase despercebido um acto eleitoral tão relevante para todo o Mundo?

Talvez devêssemos perguntar porque andamos demasiado (dis)traídos.

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É tão complexo que até entendo!

15:00 Sábado, 27 de dezembro de 2008

O diagnóstico está feito. O mundo assiste à maior crise mundial e à primeira verdadeiramente global.

A banca Portuguesa resiste, aparentemente, imune a grandes danos, o que parece dever-se à perspicácia da maioria dos nossos gestores e, simultaneamente, à natureza de um país que vive numa constante necessidade de captar investimentos, não tendo, portanto, liquidez suficiente para grandes riscos em fundos especulativos.

No entanto, procuram-se, agora, razões e culpados para tal surpresa nos mercados globais. Em especial, para justificar a falha dos grandes Gestores a nível mundial que eram, até ontem, admirados.

A maioria dos "especialistas" aponta como razões: os produtos "tóxicos" aliados a uma deficiente regulação, uma excessiva cumplicidade/dependência das empresas de rating, em conjunto, claro está, com gestores fraudulentos e desprovidos de ética.

Tudo isto, devidamente "encoberto" sob uma imensa complexidade, isentando de culpa os Administradores e Gestores, que apesar da sua competência não conseguem entender "o fenómeno".

É verdade, que estes produtos não são de análise literal . O seu entendimento obriga a um trabalho sistemático e ao domínio de múltiplos saberes (em especial, quando suportados no crescimento de laranjas ou na falência de empresas).

Agora, complexos não são. É necessário algum nobreza no uso das palavras.

Complexo é construir uma ponte de vários quilómetros sobre um rio que não seja destruída na primeira enxurrada.

Complexo é edificar um arranha céus que não seja destruído ao primeiro terramoto.

Complexo é enviar uma sonda a Marte sem que esta se despenhe ao sair da órbita.

Complexo é entender profundamente o que os clássicos nos quiseram ensinar.

Complexo é pintar como "ninguém", as meninas, tal como fez Velásquez.

Justificar a falha, evocando a complexidade "do fenómeno" apenas serve para esconder a inabilidade dos altos responsáveis na identificação da boa e da má moeda. É a atitude de um mau estudante.

E se "o fenómeno" é assim, de facto, tão complexo, mandava o bom senso não fazer investimentos.

Pedro Sousa
Professor Universitário na FCT/UNL e Presidente do Conselho de Administração da Holos

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Correr sobre a água

11:22 Sexta feira, 5 de dezembro de 2008

Tudo é possível?

Contou, certo dia um militar, que durante a guerra atravessou um dos maiores rios do mundo a correr.... Escapava, então, à perseguição do inimigo. De um total de cem homens que procuravam salvação, só sobreviveram três... exclusivamente os que não sabiam nadar...

Este episódio ilustra a necessidade de reflectir sobre quais as reais capacidades e talentos que se possui, para com discernimento, se identificar o que é possível ou não concretizar.

Acreditar na capacidade individual de superação das dificuldades é um imperativo, contudo, admitir que não existem limitações individuais é demagógico, para além de ser equívoco e frustrante.

Por maioria de razão, o mesmo princípio é aplicável às Organizações tendo por base que são essencialmente constituídas por pessoas.

É assim, tão importante saber o que está ao nosso alcance como o que não se consegue e nem  sequer se deve tentar.

A "moda" da necessidade de inovar para acrescentar valor como solução para sair da actual crise económica, pode conduzir ao discurso fácil de que todos podemos e devemos atingir a excelência em múltiplas áreas.

De um dia para o outro o mote passou a ser Inovar, sem se perceber muito bem o que está subjacente a este conceito, por um lado, e por outro, sem enunciar os custos e as limitações .

Tudo é possível, pensam alguns.

No entanto, a capacidade de reacção de uma Organização, depende essencialmente, da qualificação dos seus indivíduos. Logo, o desenvolvimento da Organização passa pelo desenvolvimento individual que apesar de exercitado numa perspectiva Humanísta e global não pode deixar de ter em conta as reais capacidades de cada individuo.

A necessidade de crescer economicamente  é uma realidade, contudo, é necessário manter o foco e de uma forma pragmática, procurar correr... sempre que não se sabe nadar.

À semelhança da sobrevivência dos três combatentes assegurada à custa de  troncos de árvore que os auxiliaram, simultaneamente,  a flutuar e a esconderem-se  das balas , os actores de cada Organização devem procurar soluções que tenham por base as suas "reais" capacidades para manter o Sonho: Que tudo é possível.


Pedro Sousa
Professor Universitário na FCT/UNL e Presidente do Conselho de Administração da Holos

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O Eixo do Bem?

5:03 Quarta feira, 1 de outubro de 2008

 

A vida dos Iranianos em todo o mundo, e em especial no Irão, está a tornar-se num "inferno" em resultados de Sanções Internacionais, umas mais explícitas do que outras. É cada vez mais difícil a um Iraniano manter uma ligação "normal" com o mundo não alinhado, apelidado inoportunamente de "O Eixo do Mal". 

A obtenção de vistos é cada vez mais demorada, a realização de movimentos financeiros cada vez mais dificultada, conduzindo ao isolamento de um povo em nome de uma estratégia de pressão para obtenção de resultados rápidos, "confirmados" em diversos exemplos práticos, tendo por Cuba o expoente máximo. 

A pressão atinge inclusive a comunidade científica com a recusa do direito de publicação de artigos de investigadores, subvertendo, assim, os aspectos éticos desta comunidade que são, antes de mais, assentes no direito de investigação livre e consequente divulgação, tendo por finalidade a partilha do saber e como exclusivo retorno o reconhecimento dos pares.

A leitura das sanções para recusar a publicação de artigos científicos é uma enorme vergonha para a Ciência. No entanto, verifica-se diariamente, excluindo conteúdos de Revistas e Congressos, tendo por única razão a nacionalidade do autor.

Desta forma, e contra todo o bom senso, o progresso científico abdica do conhecimento criado por escolas extraordinárias e isola quem deveria envolver.

Como é possível justificar este tipo de actuação a um investigador iraniano, em especial advogando a nossa localização no Eixo do Bem?

A Europa, como um todo, e em particular as Universidades e Institutos europeus deveriam repudiar sem hesitações este tipo de comportamento, afinal "estão" ao serviço do conhecimento universal.

A afirmação do "projecto europeu" passa inequivocamente por "pequenos" pormenores que, como em tudo na vida, são determinantes.

Analisa-se à exaustão as vertiginosa alterações de preço do baril de petróleo e esquecem-se  conversas entre um príncipe e uma raposa sobre a eterna responsabilidade por aqueles que cativamos, abandonando o esforço de criar uma "ponte entre eixos".

Para que não haja "margem para dúvidas", reproduzo na caixa em baixo o texto lacónico recebido por um colega Iraniano que ilustra a actual situação.

Hello Dr. Eshlaghy:

We appreciate your submission ("Process Based Agile Supply Chain Model According To BPR And IDEF 3.0 Concepts") to the Journal of Supply Chain Management. Unfortunately, we cannot consider your manuscript for publication due to U.S. sanctions with Iran pursuant to the Department of the Treasury, O.F.A.C. and U.S. Executive Orders #12957, 12959 and 1nte 3059.

Nancy Finger

Editorial Assistant

Institute for Supply Management(tm)

 

Pedro Sousa
Professor Universitário na FCT/UNL e Presidente do Conselho de Administração da Holos

Nós "ganhámos", mas o "atleta perdeu"

14:51 Sexta feira, 29 de agosto de 2008

Uma vez mais em Portugal a euforia da vitória fácil e da lágrima ao canto do olho foi conseguida à custa do esforço alheio - o esforço individual de cada atleta -,  com o resultado inevitável: a desilusão pelos "desaires".

O entusiasmo geral dos Portugueses antes de grandes provas é admirável, só comparado com o desprezo com que se avaliam resultados, mesmo quando se está entre os dez melhores do mundo.

É verdade que se estabeleceram objectivos e bastante ambiciosos. Porém, estes deveriam ser utilizados exclusivamente, à posteriori, para avaliar os resultados.  É igualmente verdade que alguns, poucos atletas, proferiram afirmações desadequadas, mas só quem nunca esteve perante a "pressão" das câmaras de televisão desconhece a facilidade do errar.

A pertinência das discussões feitas por uns e por outros  nem sempre recaíu no que realmente é essencial: o problema das "corridas de fundo", designadamente, o facto de  em Portugal não se investir, por um lado  no desporto escolar e, por outro,  no desporto de Alta Competição,  e daí não existirem "Zeus" que nos valham - porque existem Outros Mundos, nos quais se começa desde cedo a "treinar", na rua, na escola e no ginásio.

É espantosa a banalização com que se analisam os "desaires" de quem ficou em quarto, em sétimo ou décimo lugar, em especial, por serem usualmente proferidos por quem, muitas vezes,  nunca fez nada de relevo, nem sequer a nível nacional.

Despreza-se, no momento da critica, a capacidade de relativizar . É sabido que os resultados em qualquer jogo, e em especial quando estão presentes os melhores de diversos continentes, são sempre incertos e as vitórias difíceis de alcançar. É assim no desporto, nas empresas e na vida.

"Revoltados" com o insucesso alheio, esquecem-se as verdadeiras excepções, algumas bem presentes nos Jogos. Esquece-se também, muitas vezes neste país tão só de alguns, os casos de empresas, organizações ou individualidades que  possam regozijar de estar entre as melhores do mundo, quer em competições pontuais quer em rankings globais.

Tal como nestas Olímpiadas é  necessário aprender a estimular quem arrisca, quem abdica vezes sem conta dos "prazeres" do dia-a-dia e abandonar a crítica fácil sempre que os resultados não são os esperados.

Voltando aos Jogos Olimpicos, os casos de sucesso, quando acontecem, devem ser em primeiro lugar "assacados" aos atletas, e depois ao país. O habitual "nós ganhámos"  mas o "atleta perdeu" tem de ser banido da lógica dos nossos pensamentos. Mas também todos sabemos que isso "só lá vai" com Educação. 

Se  os críticos se inspirassem nos atletas Portugueses, Olímpicos ou Para-Olímpicos, para estabelecer de forma exemplar os seus objectivos, e conseguissem ficar pelo menos entre os dez primeiros, Portugal seria um país extraordinário.

Pedro Sousa
Professor Universitário na FCT/UNL e Presidente do Conselho de Administração da Holos

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De facto não é!

16:14 Quinta feira, 3 de julho de 2008

Aprende-se rapidamente que o "real" pode ser visto, ouvido, sentido, cheirado ou saboreado. Percepcionar a realidade através dos cinco sentidos, mais ou menos apurados e/ou trabalhados, é tarefa que a maioria de nós executa diariamente.

Contudo, com o passar dos anos conclui-se que nem tudo pode, de facto, ser "lido" sensorialmente e descobrem-se novos mundos para além dos sentidos. Aprende-se assim a explorar uma realidade paralela àquela que é  exclusivamente apreendida através do auxilio dos sentidos que cada um de nós possuí.

Todavia, o mecanismo mediador entre a concepção individual do mundo e a "realidade" continua "inevitavelmente" suportado nas capacidades sensoriais sendo a síntese realizada ao nível do cérebro.

A "traição" surge, quando à custa de meios tecnológicos, somos surpreendidos com sensações ilusórias. Muito habitual na visão, recurso maior da comunicação social, começa a ser explorado também na audição.

Recorrendo a uns auscultadores, experimente fechar os olhos e descobrir como pode ser enganado à custa de dois microfones... são alguns minutos que nos permitem concluir que nem tudo o que ouvimos de facto É.

Clique aqui para entrar no audio Virtual Barber Shop colocado no YouTube. Coloque auscultadores (em inglês)

Santos da casa fazem milagres?

13:53 Sábado, 31 de maio de 2008

No actual contexto de globalização insistir na discussão da necessidade de Internacionalização de uma empresa é uma profunda perda de tempo.

Não existem empresas regionais, nacionais ou internacionais. Existem simplesmente empresas com boas e más estratégias.

As empresas têm que ser preparadas para assumirem uma dimensão "glocal"; isto é pensadas localmente para agir globalmente.

Discutir, se uma empresa deve ou não iniciar um processo de Internacionalização, faz tanto sentido, como debater se uma empresa deve ou não ter lucro.

A ideia de que podem existir empresas de cariz regional é um contra-senso à luz dos novos modelos de gestão e de organização económicas. A globalização é uma realidade, e veio para ficar, e quem ignorar este facto será inexoravelmente eliminado a médio/longo prazo.

Contudo é necessário evitar "embarcar" na "moda" de internacionalizar em função de cada nova embaixada de representação de Portugal porque desconcentra e consome demasiado tempo.

Procurar a diferença, estabelecer objectivos concretos e claros, actuar de forma prudente, independentemente do espaço geográfico, é o grande desafio que as organizações devem estar preparadas para assumir.
Em cada região de actuação da empresa torna-se essencial identificar os interlocutores estratégicos locais que possam interiorizar a cultura diferenciadora da organização , acrescentando, contudo, os indispensáveis condimentos regionais que facilitem a penetração em cada um dos mercados.

É necessário voltar ao princípio da actuação empresarial e adoptar uma cultura determinada pela actuação dirigida ao mercado, agora contudo, numa óptica global.


Neste "caldo", pensar o mercado global e agir localmente tem de passar a ser o paradigma que norteia a acção do mundo empresarial. Porque a tradição já não é o que era e os "santos da casa já não bastam para fazer milagres".

Pedro Sousa
Professor Universitário na FCT/UNL e Director de Inovação da Holos

 

Hastear bandeiras

17:00 Quinta feira, 17 de abril de 2008

Os Jogos Olímpicos são sempre acontecimentos ímpares por estabelecerem uma "paz" cínica de quatro em quatro anos e permitirem, numa competição justa, reconhecer o esforço e aclamar os melhores atletas provenientes de todos os cantos do mundo.

Desde o seu início os Jogos Olímpicos têm sido sistematicamente utilizados para fazer política, e o século XX foi pródigo na sua utilização (in)devida por estados e regimes.

Dada a natureza do Homem, o Século XXI não será excepção.

Com a sua aproximação em 2008 crescem as tensões e, como não podia deixar de acontecer, iniciou-se o exercício sazonal de mediatização das mensagens políticas.

Para já, e de forma "habilidosa", os defensores da causa Tibetana, conseguiram colocar na agenda mundial um assunto que só pontualmente é abordado pelas razões que todos sabem.

A enorme visibilidade que as Tecnologias de Informação e Comunicação oferecem, surpreendem, desta vez, um dos regimes mais fechados, provando ser quase impossível esconder, hoje em dia, massacres e barbáries.

Estas acções deviam merecer um respeito "reverencial", uma vez que, ao contrário do que acontece nos regimes democráticos, desafiar o poder na China é sinónimo de morte, prisão ou exílio.

Infelizmente, a solidariedade com o movimento Tibetano desencadeia, apenas, uma "febre" de declarações e acções de manifestação e indignação contra a China, neste momento muito concentradas na passagem da Chama Olímpica.

No momento seguinte, o assunto é pragmaticamente esquecido e o acto compulsivo da compra, impele muitos dos contestatários a adquirirem todo o tipo de produtos de baixo custo que invadiram o nosso mercado, asfixiando o tecido industrial Europeu e fortalecendo, deste modo, a política Chinesa.

Assim, e apesar de todos os actos de indignação, quando começar o Europeu de Futebol, muitos dos críticos que em Portugal apoiam a causa Tibetana, voltarão a hastear bandeiras Portuguesas, quase todas fabricadas na China à custa de trabalho que escraviza crianças, mulheres e homens.

Por cá continua tudo na mesma: a memória é curta e a chama do consumismo continua em alta.

Pedro Sousa
Professor Universitário na FCT/UNL e Director de Inovação da Holos

Feliz e Próspero Ano Novo

0:09 Quinta feira, 20 de março de 2008

O Irão (sobre)vive num isolamento quase total em relação ao mundo que nos é familiar. A revolução Islâmica de 1979 conduziu o país a um segregação política que agravou o seu milenar isolamento.

Desde tempos imemoriais uma topografia agreste, uma língua praticamente desconhecida fora das suas fronteiras, um império e uma história de magnitude e esplendor desconhecido para a Europa são razões para a ruptura civilizacional.

Acresce ainda a todas estas dificuldades um calendário e hora distintos. O fuso horário encontra-se a três horas e meia de Lisboa e no calendário Iraniano comemora-se hoje, 20 de Março, pelas 05h48, a entrada do novo Ano de 1387.

Neste contexto de isolado do mundo, o Irão realizou, uma vez mais, no dia 14 de Março eleições para o seu Parlamento, que conduziram 44 milhões de eleitores às urnas com uma taxa de participação a rondar os sessenta por cento. Superaram-se os 51 por cento das eleições de 2004 o que foi saudado e assinalado pelo Ayatollah Ali Khamenei como uma profunda demonstração democrática do povo Iraniano.

Estas eleições foram consideradas como uma séria prova a governação do actual Presidente Ahmadinejad; uma vez que antecedem as Eleições Presidenciais de 2009 e decorreram num momento em que a inflação Iraniana está próxima dos vinte por cento ao ano e a pressão Internacional atingiu níveis muito elevados.

Numa leitura simplificada concorreram quatro forças, designadamente: o partido que suporta o actual Presidente Ahmadinejad; os conservadores moderados liderados por Larijani, anterior negociador do dossier nuclear, por Mohammad Baqer Qalibaf, Mayor de Teerão, e Mohsen Rezaie, anterior chefe do Corpo de Guarda da Revolução Islâmica e mais duas coligações: a coligação reformista inspirada no Presidente Khatami e o partido da Confiança Nacional de Mehdi Karrubi.

Os resultados não são de leitura fácil, tanto mais que existirá em diversas localidades uma segunda volta em Abril. Porém, parece claro que Ahmadinejad venceu as eleições, todavia existe um sentimento geral que o Presidente encontrará maiores obstáculos às suas políticas neste novo Parlamento.

Ao contrário do que acontece com as Primárias dos EUA, estas eleições passaram quase despercebidas da opinião pública, sendo contudo, igualmente importantes para o futuro do mundo. Internacionalmente qualificado como pertencente ao eixo do mal, o Irão infelizmente só ganha alinhamento noticioso quando entrada em rota de colisão com o Ocidente.

O desconhecimento poderá ser considerado o maior inimigo da paz. Devia ser óbvio para todos um velho ensinamento milenar presente no tratado militar a "Arte da Guerra", de Sun Tzu, a forma mais eficaz de acabar com um inimigo é transformá-lo num aliado.

Sendo assim, no rescaldo das eleições é celebrado o Chaharshanbeh Souri, antiga tradição Persa de festejo da última-quarta-feira do Ano, aproveito a ENTRADA DO NOVO ANO Iraniano para desejar que os resultados das futuras eleições Presidenciais, nos EUA e no Irão, desanuviem tensões Internacionais e permitam vislumbrar sinais de paz.

Pedro Sousa
Professor Universitário na FCT/UNL e Director de Inovação da Holos

Só existem dois caminhos?

0:56 Sábado, 16 de fevereiro de 2008

A Europa jamais sobreviverá se não adoptar medidas neo-proteccionistas que atenuem a competição desigual que trava com as grandes potências emergentes, que suportam o seu desenvolvimento económico numa violação sistemática de Direitos. 

Nas últimas décadas os Europeus habituaram-se a viver numa sociedade "de bem-estar" em que os diversos Sistemas de Segurança Social, melhor ou pior, asseguram um conforto, que apesar de nunca satisfazer, quando comparado com o resto do mundo é francamente positivo. 

Esta realidade está contudo cada vez mais comprometida com a aposta na livre circulação de bens com países que não respeitam os Direitos Humanos. 

Apesar desta aposta resultar a curto prazo porque os cidadãos dispõem de produtos cada vez mais baratos e as grandes multinacionais tem acesso a mercados de grande escala não estamos perante uma solução a médio prazo, uma vez que produzir na velha Europa é cada vez mais um desafio árduo. 

As justas obrigações sociais, os indispensáveis regulamentos e os necessários impostos fazem aumentar os custos e são atentamente vigiados pelo Estado que pune, e bem, os infractores internos, com vista a assegurar uma concorrência "leal". 

Em simultâneo, o mesmo Estado autoriza a entrada no espaço Europeu de bens produzidos em condições miseráveis com a argumentação que a longo prazo a evolução da economia mundial permitirá uma consciência social que aumentará a qualidade de vida dos cidadãos. 

É assim inevitável a médio prazo a destruição do tecido produtivo Europeu ou a sua transferência para países terceiros, uma vez que a redução das margens de lucro tem limites, que ultrapassados não compensam o esforço da produção. 

A Europa experimenta assim a "maravilhosa" utopia "Os ricos que paguem a crise", i.e. todos Europeus que suportem o desenvolvimento, uma vez que para o padrão Chinês ou Indiano, em que se recebe menos de um dólar por dia de trabalho, não existe Europeu pobre, nem mesmo os pensionistas e os nossos concidadãos que recebem o Rendimento Social de Inserção.  

Para evitar este "descalabro" só existem dois caminhos: ou a imposição de regras proteccionistas semelhantes a todas as empresas que querem operar na Europa (que produzam interna ou externamente), ou abandonar de todo o nosso modo de vida.

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