O presidente do grupo Sonae, Belmiro de Azevedo
, defendeu hoje, à saída de uma reunião com o Presidente da República, que devem ser tomadas medidas que favoreçam o consumo e manifestou-se contra a subida de impostos.
"Sou especialista em ter os pés na terra e acho que se deve gerir o Orçamento como qualquer dona de casa faz, poupando", disse o gestor, sublinhando que "é necessário favorecer o consumo".
O empresário manifestou-se também contra medidas que retirem "poder de investimento às empresas e poder de consumir".
Questionado sobre o eventual aumento de impostos, Belmiro de Azevedo afirmou que "o Estado só deve cobrar o que a sociedade pode pagar".
Belmiro de Azevedo explicou aos jornalistas que o encontro em Belém surgiu de um convite do presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, garantindo que o objetivo não foi discutir "nem política local, nem eleições, nem o 'acidente'".
'Acidente' polémico com Cavaco
No que toca ao referido 'acidente', o gestor referia-se a uma entrevista recentemente concedida à revista Visão, na qual apelidou Cavaco Silva de "ditador", tendo mais tarde explicado num esclarecimento enviado à mesma publicação que tinha usado a expressão em sentido figurado.
"O Presidente da República quis falar comigo sobre o Estado da Nação e sobre como se sai da crise", frisou, respondendo com um "zero" quando foi questionado sobre se tinha falado com Cavaco Silva sobre as críticas proferidas na já mencionada entrevista.
O empresário disse ao chefe de Estado que "é importante crescer, e para tal é preciso criar emprego e riqueza", e que é fundamental ter "recursos humanos educados e competentes e dinheiro em caixa".
"Não vejo que se esteja a fazer nada nesse sentido", criticou o líder da Sonae.
Novamente questionado sobre as medidas que já são conhecidas do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), Belmiro de Azevedo disse que "uma coisa é fazer um programa, outra é tomar decisões".
"É preciso estabilidade"
"Estragámos o crédito externo, aumentaram as taxas de juro", frisou, salientando que "é preciso estabilidade e, para isso, é necessário ter o dinheiro bem aplicado".
"Estamos a lutar muito bem", realçou Belmiro de Azevedo sobre a Sonae, que apresenta os resultados de 2009 dentro de dois dias pelo que, na qualidade de sociedade cotada em bolsa, o gestor escusou-se a adiantar quaisquer números.
"Continuamos a acreditar que o mundo não acaba, nem vai deixar de crescer. Dentro de 15 anos vai haver mais dois mil milhões de cidadãos, especialmente no Extremo Oriente e África, pelo que temos que dar muita importância à globalização", sublinhou.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Nota da Direcção do Expresso
O Expresso apoia e vai adoptar o novo Acordo Ortográfico. Do nosso ponto de vista, as novas normas não afectam - antes contribuem - para a clarificação da língua portuguesa.
Por outro lado, não consideramos a ideia de que a ortografia afecta a fonética, mas sim o contrário. O facto de a partir de 1911 a palavra phleugma se passar a escrever fleugma e, já depois, fleuma não trouxe alterações ao modo como é pronunciada. Assim como pharmacia ou philosophia.
O facto de a agência Lusa adoptar, a partir de amanhã, o Acordo, enquanto o Expresso, por razões técnicas (correctores e programas informáticos de edição) ainda não o fez, leva a que neste sítio na Internet coexistam as ortografias pré-acordo e pós-acordo.
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