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Pé ante pé

João Duque (www.expresso.pt)
0:00 Sábado, 27 de fevereiro de 2010

Então, isto são maneiras António? Chega-se aqui, pé ante pé, sem mais, e já não se fala aos amigos, homem? Mesmo duques têm coração! Ora venha de lá um abraço!

Sabe que esta de "entrar de mansinho" sem querer dar nas vistas fez-me lembrar a dos gregos que, sub-repticiamente, aumentaram a dívida sem que se desse por ela!

Já em Julho de 2003 uma revista da especialidade dava conta de que a Goldman Sachs havia proposto ao Governo grego umas operações financeiras que lhe permitiriam aliviar o pesado saldo da dívida emitida, e assim facilitar a adesão ao euro.

A Grécia tinha iniciado um programa de emissão de dívida em dólares e ienes. Mas como os impostos são cobrados em euros, o melhor seria converter estas dívidas para ficar a dever e a pagar juros em euros.

Tudo isto era tecnicamente certo, desde que os valores trocados entre as partes fossem os justos. Porém, ao que parece, a Goldman Sachs terá passado para os gregos mais 1000 milhões de euros do que deveria, com a garantia de que estes lhe devolveriam o capital (e juros, naturalmente) ao longo dos anos futuros. Todo este financiamento teria então sido feito sem que as autoridades europeias tivessem notado, ou os nacionais se apercebessem.

Na prática, o Governo grego aumentou a dívida total, mas se usou o empréstimo adicional para reduzir a dívida explícita, terá feito um verdadeiro "milagre"!

Para memória, deve acrescentar-se que, ao que parece, toda esta operação (através de um designado cross-currency swap) foi feita de modo bastante generoso para o intermediário...

O curioso é que esta operação foi do conhecimento público, não querendo as autoridades europeias preocupar-se com ela e tendo até sido realizada dentro da legalidade contabilística europeia.

Com as normas de reporte de contabilidade pública, muitas destas operações feitas fora de mercado deixavam os Estados e os seus súbditos completamente fora das jogadas...

Querem mais? O Eurostat até dava a receita! Na suas guidelines contabilísticas ensinava como se fazia: um Estado emitia dívida em euros. Depois convertia-a em dólares usando um destes swaps com uma taxa de câmbio fora de mercado.

A seguir avaliava a dívida a uma taxa de mercado e já estava! Desaparecia parte da dívida! Magia?

Não! Alguém estava a financiar a diferença que, obviamente, não aparecia, mas que persistia. Nada se criava, nem se destruía. Apenas se transformava...

A partir de Março de 2008, as regras mudaram e o reporting exige uma atitude diferente. Mas agora é que se descobre...

Claro que o Estado português não tem, aparentemente, este tipo de swaps. Mas tem outros.

Que saiba, em Dezembro de 2008 os swaps de taxa de juro em que o Estado português era contraparte já ascendia a 42 mil milhões de euros, um terço da dívida pública, e muitas comissões de intermediação.

João Duque , Professor Catedrático do ISEG 

Texto publicado na edição do Expresso de 20 de Fevereiro de 2010

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Pé ante pé
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 12:42 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
O que me espanta é que tenham tanta preocupação que até me parece legitima, mas que no concreto não façam nada. Aliás pelo contrário, porque o único que apresentou boa vontade e o afirmou sem papas na língua foi Silva Lopes, que achava um escândalo ter reformas do Estado, quando continuava a trabalhar no Privado e até ganhava bem. Paulo Portas tocou no assunto na Assembleia e Sócrates desafiou-o a apresentar uma proposta. Manuela F. Leite acha demagogico e até pode ter uma certa razão, mas não deixava de ser um sinal positivo e que caía bem na opinião pública. É que quem tem salários e reformas douradas continua a passar ao lado da crise. À mulher de César não lhe basta ser séria é preciso parecê-lo.
 
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O Duque tem medo das heranças ou da falta delas ?
PIANINHO (seguir utilizador), 2 pontos , 17:42 | Domingo, 28 de fevereiro de 2010

Caro João Duque

Nas suas prédicas sobre as finanças e economia, está constantemente a alertar para a herança que os filhos e os netos irão ter de pagar, por via dos grandes investimentos que o governo projecta para o futuro cujo retorno é duvidoso, mesmo para as calendas.

Eu já tenho netos e como é óbvio, gostava que eles tivesse uma vida, sem pensar nesses problemas.

Mas sabe eu sempre paguei toda a vida o mal que as gerações anteriores nos deixaram, e porque nunca fui "Duque" comecei a trabalhar aos 10 anos, fi-lo durante 50 e só herdei miséria, que de certeza não vou deixar para os meus descendentes.

Sabe o que penso hoje de tudo isto: "Que as coisas futuras não te preocupem. Chegarás a elas, se tiver de ser assim, levando a mesma razão que agora usas para as coisas presentes."

E já agora, num vi nenhuma crónica sua, dando a conhecer aos leitores, o seu ponto de vista sobre os efeitos desastrosos, sobre das políticas económico financeira postas em prática por MFL, para baixar o
défice, as receitas antecipadas City Bank e dos Fundos Sociais de Empresas incorporados etc., que hoje e no futuro iremos continuar a pagar os custos destas manigâncias contabilísticas.

Pois é, nós estamos a pagar bem caro, más decisões do passado no presente e que se arrastarão para o futuro.

Isto o "duque" não considera herança perversa ?

Espero que tenha opinião e a dê a conhecer !

Cumprimentos,

 
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Tudo se transforma!
Runaldinho (seguir utilizador), 1 ponto , 8:04 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
Apetece-me parafrasear Lavoisier, esse grande químico francês:
Na vida, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma!
 
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Tanto expert...
brit55 (seguir utilizador), 1 ponto , 19:40 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
E vá a gente acreditar nos ratings e seus experts....
Fazem-me lembrar os técnicos do Ministério da agricultura do tempo do Cavaco e do guterres....faziam os projectos aos agricultores, a troco de percentagem e depois eram eles que iam fiscalizar. Dava tudo certo!....
O pior foi o resultado que ficou:uma agricultura falida e sem base produtiva.
Quanto à legalidade e ética subjacente, ninguém foi incomodado ou ficou incomodado.
 
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E a Inglaterra?
clareza (seguir utilizador), 1 ponto , 22:26 | Sábado, 27 de fevereiro de 2010
Fala-se muito da Grecia e Portugal, mas vejam lá bem como está a Inglaterra
 
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    Re: E a Inglaterra?    Ver comentário
Fernando Torres (seguir utilizador), 2 pontos , 17:17 | Quarta feira, 10 de março de 2010
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