O Grupo Parlamentar do PCP decidiu hoje requerer a presença dos membros da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) na Comissão de Ética, a propósito do assumido veto por parte do presidente do regulador à presença de um jornalista do Expresso numa entrevista publicada no mês passado.
Os comunistas classificam o caso de "situação a todos os títulos lamentável", defendendo que Azeredo Lopes abriu "um precedente preocupante".
O PCP defende mesmo que, em causa neste episódio, está "um condicionamento concreto e objectivo à liberdade editorial de um jornalista e de um orgão de informação", situação que se torna mais grave por partir da "entidade a quem incumbe nos termos da lei e da Constituição intervir para que tais condicionamentos não tenham lugar".
A iniciativa dos comunistas surge, porém, no mesmo dia em que os deputados do PSD viram chumbada pela maioria socialista dois requerimentos do PSD, que pediam, respectivamente a audição parlamentar do Conselho de Redacção (CR) da Lusa e da ministra da Saúde, Ana Jorge.
Apesar dos votos favoráveis de toda a oposição, os sociais-democratas viram afastada a sua intenção de ouvir os membros do CR da agëncia noticiosa, depois das denúncias sobre alegadas ingerências governamentais nas decisões editoriais da Lusa.
O mesmo se passou com a pretensão de ouvir as explicações de Ana Jorge, que, durante uma cerimónia pública, se recusou a responder a perguntas de um jornalista da RTP.
No requerimento, o PSD citava a transcrição das palavras da ministra, reproduzida num jornal diário: ""O quê? O senhor não sabe o que está combinado? Que hoje só pode fazer perguntas sobre esta cerimónia e sobre o plano de combate à sida nas escolas? Ainda por cima é a RTP, a televisão pública, a fazer uma coisa destas. E, depois, logo à noite, não sai a reportagem", disse a ministra.