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Morte de Michael Jackson com forte impacto na Internet

9:00 Sexta feira, 26 de junho de 2009

A morte de Michael Jackson foi o maior acontecimento súbito global que jamais vi na Internet. Ao ponto de ter produzido o tipo de asfixia e paralização dos sites próprio de acontecimentos previstos, como eleições, e súbitos, como os desastres aéreos.
Clique para aceder ao índice do DOSSIÊ Michael Jackson morre aos 50 anos

Isso e a reconfirmação do Twitter como canal privilegiado para veicular este tipo de informações, tendo batido rádios, televisões e até o Google News, são as duas principais notas da noite.

Há que tempos que não se registavam negações de serviço em jornais. O Los Angeles Times esteve em baixo. O site da publicação que primeiro noticiou a morte, a tmz.com (que pertence à AOL), esteve também em baixo a espaços. O site de Perez Hilton, dedicado à vida e morte das celebridades, também se foi abaixo com a procura súbita de confirmação e informação adicional da notícia da morte.

Estas paragens foram, aliás, alvo da surpresa de jornalistas que seguem a web a par e passo. MG Siegler titulou, no Techcrunch, que a web colapsou debaixo do peso da morte de Michael Jackson (link ) .

Em Portugal os sites dos jornais e televisões foram rápidos a apostar na notícia da TMZ, longe do excesso de cuidado da CNN que, escaldada por acontecimentos recentes, passou cuidadosamente o prime time americano a noticiar as notícias dos outros e só admitiu Jackson morto quando o médico-legista confirmou óbito à estação.

O tráfego disparou. No Público, a notícia chegou antes da meia noite às 30.000 visualizações e 100 comentários - tendo o tráfego triplicado em relação à media daquele período. Nos outros sites não terá sido muito diferente.

Wikipedia: fichas protegidas contra vandalismos

A ficha de Michael Jackson em língua portuguesa foi editada a partir de Portugal (um cliente de algum dos serviços Internet da Portugal Telecom) eram 21:51. Tentou colocar o dia da morte. Durante alguns minutos, a ficha teve várias actualizações, com os editores a manterem o cuidado de só deixar a informação do falecimento assentar depois de confirmada.

Os brasileiros deram o seu contributo para a discussão, até porque também os seus sites noticiosos apostaram cedo, como os portugueses, na notícia da TMZ.

A ficha entrou finalmente em modo protegido às 22:16. Mas actualizada com a data de falecimento.

Já a ficha em língua inglesa entrou em modo protegido mais cedo. Assim que sairam as primeiras notícias da hospitalização a ficha era alterada. Eram 21:12. Mas foram poucas edições até 21:45 quando, prevendo o habitual surto de edições bem intencionadas e de vandalismos, um editor fechou o "cadeado" virtual. A partir daí foi sendo actualizada apenas pelos editores da Wikipedia com o estatuto de administrador.

Twitter: Jornalistas portugueses atentos...

Às 21:46 de Lisboa o @BreakingNews transmitiu no Twitter o sumário da notícia da TMZ, publicada minutos antes. O primeiro português a dar pelo assunto foi, curiosamente, um jornalista. Ricardo Rosa ( @rickyrosa ), da SIC.pt, "retuitou" (jargão para retransmitir um tweet de outra pessoa) aquela nota do Breaking News. Eram 21:49.

Não menos curioso é verificar a quantidade de jornalistas atentos aos primeiros sinais. O fotógrafo Vasco Casquilho ( @Va5co ) "tuitou" o transporte de Jackson, em coma, para o hospital, no mesmo minuto que Ricardo Rosa. No minuto seguinte, 21:50, o terceiro português a mencionar o tema foi director-adjunto do Público, Paulo Ferreira ( @paulferreira1 ). Que, aliás, estava duplamente atento, pois que fechava a edição do jornal e esperava confirmação para mudar a primeira página.

Nessa espera esteve também o director do Expresso, Henrique Monteiro ( @HenriquMonteiro ), embora por outra razão: o Expresso avançou com a informação original da TMZ e o director estava atento às edições dos jornais e televisões "pesados" americanos, que demoraram um pouco a confirmar. Do seu iPhone, Monteiro chegou a "tuitar" interrogativamente se teria havido precipitação, pois que o New York Times continuava a não dar a notícia. Mas não: a decisão de confiar no TMZ revelou-se correcta.

(Nota: decidir em que fontes confiar é um dos recursos do jornalista mais importantes no ambiente info-riquíssimo da Internet contemporânea. Como ficou bem patente no caso das eleições no Irão, o tempo da ingenuidade já passou e o Twitter é palco de violentos golpes e contra-golpes de informações, misturando-se fontes credíveis com figuras inacreditáveis, incluindo agentes dos serviços secretos, embaixadas e e muita, muita gente a produzir ruído.)

... e vitória sobre o Google por KO

Daí em diante, e até às 02:00 da madrugada desta sexta-feira, contei 1.881 tweets de portugueses contendo o apelido de Michael Jackson. Isto corresponde a 19,89% do total de 9.453 tweets registados no período de 5 horas entre as 21:00 de quinta, dia 25 e as 02:00 do dia seguinte.

Simplificando: na noite de ontem, 1 em cada 5 tweets portugueses diziam respeito à morte de Jackson.

(Para a contagem usei os dados que recolho no âmbito do TwitterPortugal , que rastreia 8.585 contas de portugueses.)

Esta percentagem é muito elevada. Não tenho termo de comparação nacional, mas empiricamente estimo que tenha sido o mais global de quantos temas já foram tendência na twitosfera portuguesa.

A estimativa vem na sequência de um recorde inédito no Twitter à escala planetária: na noite em que Michael Jackson morreu o seu nome foi responsável por 9 - nove! - das 10 primeiras tendências observáveis no Twitter. Num dado momento da noite elas eram:
Pop
RIP Michael Jackson
#MichaelJackson
LA Times
Thriller
Ed McMahon (o único não-relacionado)
MJ's
RIP MJ
P Micheal
Did Michael Jackson

Empurrada para fora da lista por volta da meia noite, às 4 da manhã já o tema #iranelections voltara à lista das 10 tendências do Twitter, onde tem estado nas últimas duas semanas. Aliás, nunca a vira de lá sair.

Os números portugueses estão de acordo, também, com outras observações como a de Ethan Zuckerman, do Berkman Center for Internet and Society da Universidade de Harvard. Da sua conta @EthanZ "tuitou" que Jackson tinha passado as eleições iranianas e a gripe e escreveu: "os meus scripts de pesquisa veêm que aproximadamente 15% de todos os posts no Twitter mencionam Michael Jackson. Nunca vira o Irão ou a gripe passarem os 5%". Zuckerman foi citado pelo New York Times.

O que já se tinha visto e agora se reforçou foi a troca do Google News (e da pesquisa em geral) pelo Twitter. As primeiras informações chegaram por este canal e as primeiras confirmações também. Ainda o Google News apresentava as notícias no tom "estado de saúde desconhecido" e já no Twitter se recebiam as confirmações, a começar pela do Los Angeles Times, que terá sido - calculo, sem meios de garantir - o primeiro jornal a confirmar por outras fontes a notícia avançada pelo TMZ.

Finalizando: o papel do canário na mina coube ainda à Wikipedia - que permanece como o sítio mais rápido para perceber as alterações no meio ambiente mediático. No Twitter pode-se perceber a extensão dessas alterações e confirmar não apenas a tendência, como as fontes e as informações. O Twitter é, também, um admirável suporte de transmissão da informação, levando-a a todo o lado, incluindo os meios incapazes, por natureza, de compreender a especificidade da Wikipedia. A velocidade e a elasticidade do Twitter derrotaram a Google enquanto eixo municiador das multidões de editores profissionais e amadores que hoje compõem os media globais. E isto apesar dos problemas técnicos do serviço, que também teve "apagões" durante as cinco horas piores da notícia da morte de Michael Jackson e acabou mesmo por desactivar parcialmente a pesquisa, que durante horas respondeu com atrasos de 10 e 20 minutos.

Sendo um dos ícones da cultura pop à escala mundial, a morte de Michael Jackson tinha de ser um acontecimento mediático à justa proporção da sua popularidade.

Paulo Querido , jornalista

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Quem são os "amigos" nas redes sociais e como os contabilizar

3:33 Quinta feira, 18 de junho de 2009

Num exercício facultado pelas "novas tecnologias" (uso a expressão que ouvi hoje a um respeitável político referindo-se a ferro velho informático com pelo menos 10 anos), tiro do meio considerado "do cidadão", conversacional, uma explicação que aqui se converte - magia! - numa "mensagem" veiculada em formato antigo, de difusão.

Brincando com o conceito mcluhanista de o meio ser a mensagem, provo que as redes sociais não implicam a libertação dos cidadãos a troco da escravização dos antigos mensageiros. Na verdade, libertam ambos.

As mensagens podem ser conversadas sem deixarem de ser emitidas. E vice-versa. O que se estilhaçou foi o meio, não as pontas. Ao tornar-se potencial emissor, o receptor não deixa de ser, essencialmente, um receptor. E vice-versa.

Tudo é possível - obrigado, deuses das tecnologias (vamos deixar cair o "novas", vamos?).

Vou, então, difundir numa publicação vertical a mensagem que começou a vida como uma conversa numa rede social.

O uso do termo "amigos" é um amigável abuso por parte dos empresários que fazem as redes sociais. Convidar pessoas para nós da nossa rede não implica à partida (embora também não exclua) a existência de uma amizade prévia. Nem implica a pretensão de a estabelecer. Quando muito, é uma porta que se abre - ler alguém, episodica ou repetidamente, pode levar à descoberta de alguém com um interesse temático coincidente.

Equivocam-se os sociólogos e psicólogos que veêm as coisas mais mirabolantes nas redes sociais, diabolizando-as ou incensando-as - muitas vezes alternadamente. Uma rede é uma rede é uma rede - uma estrutura que permite contactos desintermediados com cada nó da rede, tirando o utilizador o partido que entender dessa estrutura. Ou mesmo tirando valor meramente da observação passiva da actividade da rede - trending, crowdsourcing.

A existência no Facebook de pessoas com mais de 5.000 "amigos" é extraordinária? Significa ausência de critérios na respectiva "aquisição"? Deixe-me então responder com outra questão dupla: É extraordinário o Expresso ter 400, 500 mil, um milhão de leitores? Tem-nos devido a um critério premeditado ou à ausência dele?

O Facebook e as outras redes sociais não são apenas meios "do cidadão", são meios de todos os cidadãos, individuais e colectivos. O poder que facultam não está reservado a priori a uma parcela, casta ou grupo. Há lugar a todo o tipo de comunicação - incluindo o velho, bom broadcast, as mensagens de um pequeno grupo para um grande grupo. Uma audiência. É o caso das entidades (individuais ou colectivas) que acumulam muitos "amigos".

Contabilidade dos "amigos"

A popularidade é apenas uma das medidas disponíveis para avaliar desempenhos e presenças. A popularidade é importante para uns e secundária, ou inútil, para outros. Engraçado é a rede comportar os diversos tipos de presença. Eu sigo (sou "amigo", faço parte da audiência) entidades tremendamente populares como leio (sou "amigo", faço parte da audiência) entidades com pequeníssimas redes. Uma destas últimas tem um impacto social e económico na vida pública portuguesa muito maior que um daqueles, a despeito da desproporção dos tamanhos das respectivas redes.

A relevância é outra medida. Sendo uma medida complexa. Enquanto a popularidade tem um contrário bem definido (a impopularidade), um nó da rede pode ser relevante com sinal positivo ou com sinal negativo (e até com os dois sinais simultâneos, sendo considerado por uns públicos e desconsiderado noutros grupos).

Mas talvez a medida mais importante acabe por ser a satisfação. A minha actividade na rede satisfaz-me? Dá-me gozo? Dá-me prestígio? Arranjo parceiro/a? Obtenho recompensa em dinheiro, directo ou indirecto? Abre-me portas?

Das diversas medidas, a medida que toma em consideração o número de "amigos", a dimensão da rede, é a medida da popularidade. Daí as competições entre campeões de popularidade (repare-se no cortejo de celebridades no top dos mais seguidos no Twitter, rede que, dizem estudos recentes, está surpreendentemente próxima do tradicional modelo de broadcast, com 10% das contas a emitirem 90% do conteúdo . Vendo a vanitas dominar o top, ninguém diria).

Crédito das imagens: laffyak (Flickr) e kolahstudio.com

Paulo Querido, jornalista

 

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O "fim do Twitter" e os apocalipses da cibercultura (act.)

19:41 Sexta feira, 12 de junho de 2009

Num movimento uniformemente acelerado que levou o assunto de curiosidade geek a notícia pesada nos jornais, o Twitpocalypse virou um fenómeno. Há muitos anos que não tínhamos um bug do milénio à mão de semear, o que era uma pena, mas desconfio que o que torna este marco particularmente apetitoso é a hábil junção dos termos "twitter" e "apocalipse" - duas palavras só por si irresistíveis para o jornalismo que vamos tendo, tanto o profissional como o amador.

Falou-se tanto que, como costuma acontecer nestas escaladas de interesse, a esta hora anuncia-se pura e simplesmente "o fim do Twitter". O facto de tal não ser mencionado no site original, sempre citado (www.twitpocalypse.com ), não desencoraja ninguém - defensores do rigor incluídos.

Em primeiro lugar, convém LER o que diz o site. Não é o Twitter que corre o risco de apocalipse. Lamento destacar a verdade a bold, mas é mesmo assim.
Eventualmente, talvez possam vir a acontecer alguns problemas com alguns, não se sabe quais ou quantos, serviços que talvez não estejam preparados, não se faz a mínima ideia sobre se estão ou não, para um problema que não se sabe se constitui, ou não, algum tipo de ameaça: a representação de números integrais nos sistemas informáticos que usem cadeias de 32 bits.

Não vou maçá-los com explicações, que podem ser encontradas em http://en.wikipedia.org/wiki/Integer_(computer_science) e sobretudo http://en.wikipedia.org/wiki/2147483647 , o famoso número que será ultrapassado algures amanhã de manhã, pela hora portuguesa.

Cada tweet tem um número de identificação, sequencial, e aquele "limite" é atingido dentro de algumas horas. O complexo informático em que assenta o Twitter não corre nenhum tipo de risco pois não depende de cadeias de 32 bits. Mas algumas aplicações de terceiros - o sucesso do Twitter está conjugado com um vasto conjunto de aplicações que dele se alimentam e o alimentam - teoricamente podem ser afectadas, dependendo de como estão as suas bases de dados arquitectadas.

A "fragilidade" é de fácil superação.

O mais provável é ninguém ser afectado, quer use o browser para tweetar, quer prefira as aplicações para desktop ou para telemóvel. Duvido que alguém venha, sequer, a reparar!

O Twitpocalypse é, contudo, mais um marco da cibercultura. Veio juntar-se a outros, como o famoso bug do Milénio (o bug do ano 2000), em que se previu um apocalise de consequências planetárias, com aviões a cair e as bolsas descontroladas, mas nada aconteceu; ou mais recentemente o PiDay (ver www.piday.org ou http://en.wikipedia.org/wiki/Pi_Day) , e, no futuro, o problema do ano 2038, que aliás está directamente relacionado com o Twitpocalypse (ver http://en.wikipedia.org/wiki/Year_2038_problem ).

ACTUALIZAÇÃO: No quartel do Twitter decidiram antecipar o momento da passagem do tweet com o número 2.147.483.647. Adivinhem: o mundo não acabou, o Twitter não acabou e o que de mais significativo ocorreu foi o desaparecimento do assunto da pesquisa em tempo real. O site passou a mostrar o momento e o tweet que marca a viragem. Foi às 00:52 de sábado, hora de Lisboa, e veio da conta @nk: The Tweets must flow. http://bit.ly/Khk7(aqui ).

Paulo Querido, jornalista. Siga-me no Twitter .

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E se de repente lesse "o seu blog não está mais disponível"?

18:32 Domingo, 31 de maio de 2009

"Your blog on Yahoo 360 will no longer be available to you." Quando Jerry Yang anunciou, há ano e meio, que o "seu" Yahoo! ia fechar o serviço de alojamento de blogs 360º, mal se deu por isso. Vivíamos efervescentes tempos de Twitter, Facebook, Google e cloud-computing e ninguém quer falar dos "mortos" nem dos acidentes de percurso, há tanta coisa nova para noticiar.
Agora que a data de termo se aproxima - o 360º encerra definitivamente no dia 13 de Julho próximo, ou seja, dentro de menos de mês e meio - já se dá por ela. Até porque os prejudicados se fazem muito justamente ouvir e, sobretudo, as suas dúvidas dão-nos que pensar sobre os riscos que nós próprios corremos sem que deles nos apercebamos.

 


Muito simplesmente: o que vai acontecer ao produto, nalguns casos muito sério e de anos, do trabalho dessas pessoas pode acontecer a qualquer um de nós, que entregamos - sem pensar - o nosso trabalho a terceiros. O Yahoo! "permite" que as pessoas possam levar os seus textos para outros sítios dentro do universo da empresa e até para o WordPress.com. Mas não está salvaguardada a questão dos endereços. E esse é o problema. Todos os links para os arquivos se vão perder. É como apagar uma marca.
Imagine que a Coca Cola era obrigada a mudar de designação. Só isso: mudar de designação. Podia continuar o negócio, os clientes, a distribuição - tudo, mas com outro nome. É capaz de calcular os prejuízos directos da mudança de marca (refazer toda a publicidade da empresa em todo o mundo) e indirectos (todo o capital de prestígio acumulado na marca "Coca Cola")?

A maioria das pessoas não faz a menor ideia no que se está a meter quando trabalha num blog. Deixemos os casos de superfície, os bloggers intermitentes, que abrem hoje e fecham amanhã, e os que exploram os lados lúdico e experimental da ferramenta. Pensemos nos autores que querem estabelecer uma relação mais ou menos duradoura com uma rede de leitores/interlocutores. Seja em blogs colectivos seja em blogs individuais. Seja em moedas web (reputação, autoridade, prestígio, reconhecimento), seja em moedas físicas (exploração comercial directa, pela publicidade/patrocínios, ou indirecta, como alavanca para contratos, parcerias, negócios, consultorias).
Pensemos nos bloggers que trabalham, que levam a sério a produção dos seus conteúdos. (Penso num caso recente de um grupo de autores que saiu de um blog e abriu outro, e no momento em que se colocou a questão da propriedade dos arquivos.)

A riqueza da rede é o hipertexto. Os links. É a economia dos links que traça o valor de um conteúdo online. A reputação e a autoridade dependem directamente da quantidade e qualidade dos links.

Quando alojamos um blog gratuito num servidor, a palavra "gratuito" significa meramente que não há troca directa de dinheiro. Porque na realidade há uma troca: o servidor fornece-nos a tecnologia e os recursos e nós entramos com o nosso trabalho para o enriquecimento reticular dele. Cada um de nós contribui com uma ínfima porção - tão ínfima que conscientemente a colocamos fora do mensurável; mas no servidor as dezenas ou centenas de milhões de porções somam-se e o resultado é um valor mensurável, opiparamente mensurável diria mesmo.
A esmagadora maioria das pessoas aceita o trade off de bom grado, incapaz de estabelecer um valor para aquilo que, no início, nem se atreve a pensar como "trabalho": para isso contribui pertencer à "cultura da partilha", um ambiente eufórico onde " a informação quer ser livre", o "reino do gratuito" - keywords apensas entusiasticamente ao movimento de liberdade e empowerment colectivo, grupal e individual que fica na História como a Internet 2.0, ou a web social.

Os "não-trabalhadores" do 360º do Yahoo! estão na frente da fila de uma vaga de futuros "não-desempregados", as "não-vítimas" da "não-falência" dos serviços "não-gratuitos". Bem podem pegar nos seus conteúdos e ir recomeçar tudo do início noutro lado; será até mais fácil, pois que levam um arquivo, não partirão do zero absoluto.
Mas as suas marcas, links, reputações, comunidades, reacções - tudo isso está perdido a partir o momento em que a empresa alojadora acciona as cláusulas do contrato que lhe permitem fechar o serviço quando e como entender.
"Comercial" e "permanente" não rimam forçosamente. Ninguém imagina que a Google feche o Blogspot amanhã, mas isso não impede a empresa de o fazer, se decidir que é essa a sua melhor opção. E na hipótese, absurda, de tal acontecer, muito provavelmente iríamos escutar os seus lacinantes gritos, caro leitor, enquanto os bloggers que avaliaram o risco do trade-off e preferiram investir num domínio póprio estariam salvaguardados de tal intempérie que varreria a Internet como um vaga destruidora.
(Se, por esta altura, o leitor reparou na segunda utilização da palavra "vaga" neste artigo e fez alguma associação de ideias com o recente noticiário tecnológico, pois saiba que foi minha intenção provocar-lhe entrelinhas essa mesma associação.)

Existe um perigo em entregar o nosso trabalho à "nuvem". É bom que comecemos a avaliar os riscos da produção de conteúdos online. Quantas vezes aquilo que começa como um despretencioso blog vai crescendo até se tornar num caso sério, e pensamos em todas as horas ali metidas, e em todo o valor gerado com a comunidade, e pensamos nos laços (e também nos links).
O desaparecimento do 360º é o desaparecimento de 10,8 milhões de páginas e 3 milhões de links que subitamente deixarão de levar a algum lado. E estamos a falar e um serviço com a morte decretada há 18 meses.
Se o Blogspot fizesse o mesmo, 16 milhões de blogs fechavam. 420 milhões de páginas sumiam-se dos arquivos e dos motores de busca. 70 milhões de links seriam inutilizados. Pense em quantas das suas horas de dedicação eram evaporadas. Pense nisso na próxima vez que abrir um blog ou plantar a semente da sua marca num terreno sobre o qual não tem nem jurisdição nem controlo.

 ACTUALIZAÇÃO: Este artigo da Economist, Unlocking the cloud , fala do mesmo problema, mas na perspectiva das empresas que aderem às vantagens da "nuvem", Cito: "But customers risk losing control once again, in particular over their data, as they migrate into the cloud. Moving from one service provider to another could be even more difficult than switching between software packages in the old days."
Como também eu tenho recorrido a serviços na "nuvem", nomeadamente a Amazon EC2, hei-de escrever um artigo sobre essa experiência.

Paulo Querido

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Jornais portugueses online: a década perdida

9:45 Segunda feira, 11 de maio de 2009

Ontem tive mais uma confirmação, tão prática quanto acidental, de algo que venho observando e defendendo há muito tempo. Quem me lê há mais tempo sabe o que penso da portalite - um fenómeno tipicamente português, que praticamente não tem expressão fora do universo de língua portuguesa (também no Brasil decorreu algo parecido, ainda que com protagonistas de origens diferentes).

A portalite decorreu no final da década de 90 e consistiu na entrega, pelas grandes marcas de informação e entretenimento, do fruto do seu trabalho a terceiros, os "portais". O fruto do trabalho do momento, mas também o fruto do trabalho de décadas - este a troco de nada, rien, nicles, zero: a transferência do valor das marcas de media ocorreu simplesmente, sem que ninguém pensasse nisso, sem que ninguém lhe atribuísse um valor durante os negócios e as conversações que rodearam a portalite.

A "justificação" para essas transferências de valor, bem como para o progressivo esvaziamento das marcas e o desaparecimento do mapa mental das novas gerações, decorreu de raciocínios funestos que pressupunham duas cegueiras - ou, vá lá, medos.

Uma, a "incerteza" relativamente ao futuro da Internet enquanto plataforma criativa, sala de espectáculos de escala global e rede de distribuição privilegiada dos produtos gerados pelas indústrias culturais. Essa "incerteza" não existia fora da cabeça dos principais envolvidos (os interessados e os levados) nessa espécie de conspiração contra as marcas de media.

A outra, os custos da tecnologia, os directos (material) e os indirectos (aquisição de competências), que seriam supostamente incomportáveis para as "pequenas" empresas de media, quando confrontadas com os emergentes "gigantes" tecnológicos.

De nada serviu, na altura, proclamar que a Internet era o Toyota dos anos 90, vinha para ficar, e que não apenas a tecnologia era barata, como tenderia a baixar de preço drasticamente.

Os jornais, rádios e televisões viram as suas individualidades morrer por afogamento indistinto nos "portais"; marcas fortíssimas serviram para vender o novo negócio do acesso a essa plataforma comum de edição e distribuição, a troco de um bocado de espaço em disco. Literalmente, foi isto.

Com o tempo, as marcas de media diluiram-se, engrossando as novas marcas dos portais.

Ontem fui de viagem. Quis ler notícias no meu iPhone e usei as aplicações noticiosas do Telegraph e do El País. São competentes. São marcas de informação em que confio. Por isso, aliás, me dei antes ao trabalho de as puxar e instalar.
Mas quis ler também as notícias da política local (temos três campanhas eleitorais, lembram-se...). Não conheço nenhuma aplicação iPhone de um jornal, rádio ou televisão portuguesa. Logo, perguntei à minha rede de especialistas se conheciam alguma: "Bom dia #madrugadores.conheceis alguma app para iphone de jornais pt? Estou "condenado" ao El País ..." (link )

Vieram várias respostas. Todas diziam o mesmo, mas essa não é a questão. A questão é que nenhuma das respostas referiu uma marca de media, todas apontaram portais.

Eu pedi um jornal, apontaram-me uma montra de produtos, entre os quais alguns de informação.

Pior: quando eu respondi que não era aquilo que tinha perguntado, a maioria ficou perplexa. Para ela, a transferência já se deu. A informação não está nos sites A ou B, mas no portal P. A maioria não compreendeu que eu, quando procuro informação, não confio nas escolhas de um portal nem nos critérios que as regem. Confio num dos jornais de um leque de marcas de jornalismo que ao longo dos tempos estiveram ao meu alcance sempre que precisei de ser informado, e o fizeram repetidamente com competência.

É este o resultado de dez anos a trocar informação de alta qualidade por espaço em disco e a deixar sangrar a marca.

A indústria dos media está em crise e essa crise não decorre somente de uma mudança de paradigma. Em Portugal e em pouco mais países há também essa decisão de trocar trabalho de especialista por espaço em disco e sacudir a marca do ombro. E responsáveis por ela.

Hoje até já aqueles responsáveis devem ter descoberto que o espaço em disco é barato, a tecnologia está ao preço da chuva e que, numa rede, o verdadeiro valor não está nos fios mas nos nós. Nas pessoas. Daí, uma pergunta aos especialistas: serão as marcas de media capazes de reverter a situação? Ou estará a transferência do valor das marcas de media para os portais já para lá do ponto de retorno? Não é que me importe de ter de ficar a ler o El País. Até porque o mais provável, nesse caso, seria eu próprio programar uma aplicação para iPhone para ler o Expresso e o Público quando venho de viagem. Ei, boa ideia, vou agora mesmo começar a tratar disso.

 Paulo Querido , jornalista

Oracle compra Sun: nasce um colosso do open source

9:40 Terça feira, 21 de abril de 2009

Com as atenções todas concentradas nos mediáticos nomes Google, Microsoft, Yahoo!, Facebook e Twitter, não admira que a notícia do trimestre, e vamos ver se não é a do ano, tenha surpreendido o jornalismo dos dois lados do Atlântico.

O negócio foi anunciado discretamente num press-release emitido esta segunda-feira: vale 7.400 milhões de dólares, a principal fatia dos quais (5.600 milhões) em papel (aqui , a breve publicada no Expresso Multimedia).

Mas o dinheiro é o menos importante. O que conta é o posicionamento no tabuleiro do jogo. A fusão deixará Larry Ellison, CEO da Oracle, a comandar o maior potentado de open source do mundo. Um "porta-aviões" capaz de impor respeito até à Google, Inc, mas sobretudo à Microsoft.

O colosso resultante da fusão de dois gigantes domina por completo o sector dos grandes servidores. Tanto no software (o Solaris e a reputada base de dados Oracle somam-se à Java da Sun) como no hardware (as estações SPARC da Sun, a deslumbrar há mais de uma década).

Na prática, as duas empresas há muito que mantinham uma frutuosa relação: os seus produtos são quase simbióticos e evoluiram em interdependência. Nesse sentido, a fusão é sobretudo financeira e de estratégia, restanto pouco para os engenheiros dos dois lados harmonizarem.

Do ponto de vista corporativo, a nova empresa ficará com uma dimensão mais próxima da Microsoft: 100.000 funcionários contra os 90.000 desta, 36.200 milhões de dólares de facturação, ainda um pouco abaixo dos 60.000 desta, contas feitas com os números de 2008.

A Oracle-Sun fica, também, com rédea livre para fazer face ao paradigma do cloud computing, aumentando a coesão com a sua imensa base instalada ao nível das maiores empresas do mundo.

A notícia causou alguma desconfiança na comunidade open source. Desde logo, porque a Oracle passa a controlar um produto que lhe faz alguma concorrência nos mercados de entrada: o MySQL, uma base de dados fundamentalmente gratuita que dá conta das necessidades de milhões de empresas de pequeno e médio porte.
Larry Ellison deu o sinal de que pretende manter o compromisso com o código livre - mas Larry Ellison é conhecido há duas décadas por ser fiel ao único fito de ganhar dinheiro e nem uma sobrancelha se levantaria de surpresa se um dia ele deixasse cair o open source.

Contudo, ambas as empresas têm um passado de apoio ao código aberto, a começar pelo sistema operativo Linux, passando pelo MySQL - desenvolvido nos últimos anos sob a égide da Sun - e pelo OpenOffice, um pacote alternativo ao Office da Microsoft, tão igual, tão igual, que partilha até os seus defeitos, mas é grátis, uma vantagem importante para alguns decisores.

Há quem veja a oportunidade: o MySQL não belisca o mercado do super motor de base de dados Oracle mas tem sido o carrasco do concorrente apresentado pela Microsoft, que visava as faixas médias. E manter o OpenOffice, mais do que contentar os aguerridos defensores do código livre, é pressionar a Microsoft no ponto mais sensível desta: o seu pacote de escritório.

Paulo Querido , jornalista

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Ttttttentações (e porque lhes resistir)

19:02 Quinta feira, 9 de abril de 2009

Eu gostava de ser o CEO da Twiter, Evan Williams, em dois momentos recentes. Quando disse "não" a propostas de aquisição por valores daqueles que levam as massas ao delírio. O primeiro momento-não aconteceu há semanas, resistindo à tentação de encaixar, já, 500 milhões de dólares, pagos sobretudo em acções pela Facebook. O segundo momento-não sucedeu mais recentemente, recusando a oferta da Google ela própria: 250 milhões em cash.

É mais fácil do que parece, resistir a este tipo de tentações. Mas deve dar um gozo do caraças dizer que não assim. Duas vezes.

Consta que Williams - sigam @ev no Twitter - pestanejou. Eu teria pestanejado, admito. E aguentado firme. Dinheiro é coisa que não falta para esta fase da empresa. E se precisar de, digamos, outros 30 milhões de dólares para mais maquinaria, engenheiros, testes, é só abrir a boca e uma dezenas de dedos se erguerão no ar, ansiosos por serem escolhidos para passar o cheque.

Assim, para quê correr atrás de foguetes? Se a Google acha que o Twitter vale 250 milhões de dólares é porque o Twitter vale eventualmente 2.500 milhões para ela. E se o Twitter vale eventualmente 2.500 milhões de dólares para a Google, Inc, então é porque vale três ou quatro vezes mais.

Os rumores seguintes falavam já de uma oferta de 1.000 milhões, o bilião dos americanos.
Muito dinheiro por uma start-up que tem menos de 20 milhões de utilizadores e cujo produto é grátis?

Depende da perspectiva. Na perspectiva da imensa maioria das pessoas, é demasiado dinheiro. Pois é, a imensa maioria das pessoas não possui dotes de imaginação capazes de ter uma ideia com poder de mudar uma indústria.

Para outros, contudo, é barato. Recue o leitor a 2002, quando a Google, Inc. era uma empresa privada que oferecia, a troco de nada, os melhores resultados da pesquisa na web e não tinha uma ideia concreta sobre que modelo de negócio abraçar (na verdade a Google nem sabia ainda onde se posicionar, se como empresa de media, de pesquisa, ou de publicidade, e tinha facturado 86 milhões de dólares no ano anterior a vender, além da publicidade no site... a sua tecnologia de pesquisa dentro de uma caixa amarela). Terry Semel, então CEO da Yahoo! (que era a empresa mais forte ao cimo da Internet), ofereceu 3.000 milhões para comprar a Google - estava mais ou menos convencido, ou consciente, do facto de a Google valer então, na verdade, 5.000 milhões.

O que teria o leitor pensado então? Que era uma pipa de massa, como diria Belmiro de Azevedo?

Por muito entusiasmado que o leitor fosse, o mais certo era, ainda assim, ter vistas curtas. Como a história confirmou, valia dez vezes isso. Nas calmas. As receitas no ano passado foram de 21.700 milhões (margem de 30% de lucro) e duplicam a cada dois anos, números oficiais.

Se recordo estes pornográficos números nesta altura, é para vincar que a oferta faz todo o sentido - e a recusa de Ev Williams faz ainda mais sentido. Tal como Brin, Page e Schmidt teriam perdido o seu sonho se tivessem aceite o conforto dos dólares do então incumbente Yahoo!, Jack Dorsey e Biz Stone perderão a hipótese de ver até onde pode ir o seu Twitter caso o vendam nesta altura. Nenhum empreendedor da web 2.0 cometeria semelhante disparate. Equivale a trocar uma viagem transatlântica num excitante caça experimental por uma cabina de luxo num cargueiro.

 A paranóia com os "modelos de negócio"

Existe uma verdadeira paranóia com os modelos de negócio na Internet. De repente, toda a gente passou a ser "entendido" em economia e a olhar para os negócios dos outros criticando, no essencial, aquilo que não é capaz de descortinar.

A precaução na hora de investir e as avaliações fizeram parte integrante, e essencial, da gestão de negócios no mundo físico mas não estou certo que sejam tão importantes no mundo digital em rede, para o qual aflui cada vez mais a criatividade humana. As maiores marcas web - todas as que me consigo lembrar, pelo menos - obedeceram ao mesmo um padrão evolutivo: arrancar e crescer, só decidindo qual o modelo de lucro mais tarde no percurso.

Anos mais tarde.

A Amazon deu prejuízo, enervando os accionistas durante anos e levando a Imprensa a fustigar o seu CEO, Jeff Bezos, sempre com a mesma questão sobre quando vinham as receitas.

A Google, Inc operou quase metade da sua curta vida de uma década sem ter modelo de negócio. Se o utilizadores só a conhecem nos últimos cinco ou seis anos, é natural que não o recordem. Mas esta amnésia colectiva dos media é preocupante.

Podia passar o resto do dia a dar exemplos redundantes. Não vamos perder o nosso tempo. O mundo mudou, em especial o mundo empresarial. Fica abaixo, isso sim, um apanhado das respostas dos leitores que me seguem no Twitter (@PauloQuerido ). Coloquei a pergunta: o que acham que aconteceria se a Google, Inc comprasse o Twitter?

 

  1. paulooliv Acho que a questão da lentidão desapareceria about 5 hours ago from TweetDeck in reply to PauloQuerido
  2. missquiz API expansion; live tweets with YouTube video; those little ads on the Twitter home page would quickly become Google ads... about 5 hours ago from web in reply to PauloQuerido
  3. crisfbc Passava a beneficiar de uma estrutura com fôlego, talvez deixasse de ter problemas de agora, como panne diária a meio da tarde about 6 hours ago from web in reply to PauloQuerido
  4. vitormendes77 Acho que teria ainda mais visibilidade, e se calhar mais funcionalidade interactiva... mas poderia perder alguma originalidade about 7 hours ago from TweetDeck in reply to PauloQuerido
  5. jcaetanodias Faziam mais alguns milionários. O Google Tweet teria um sofisticado motor de busca. Poderíamos mandar tweets do Gmail. about 7 hours ago from TweetDeck in reply to PauloQuerido
  6. Mentooriginal passariamos a ter menos caracteres disponíveis por mensagem (metade). O resto seriam links para publicidade do google :-) about 7 hours ago from twhirl in reply to PauloQuerido
  7. frohiky o mesmo que aconteceu ao youtube.... about 7 hours ago from Netvibes in reply to PauloQuerido
  8. cmoreira + integração c os serviços (ex:fburner,gmail, gtalk, calendar) Opção d adwords do próprio user.ads nos resultados das search about 7 hours ago from TwitterFox in reply to PauloQuerido
  9. adrijobecq Apesar da ameaça de monopólio, o twitter ficaria mais eficiente, e permitiria uma maior interligação com outros widgets about 7 hours ago from web
  10. davidl07 O que é que aconteceu quando comprou o YouTube? Nada... about 7 hours ago from web in reply to PauloQuerido
  11. pafmax Em perpétua versão beta, claro! (o Gmail está em beta desde 2004... o que é que são 5 anos pa desenvolver software?!) about 7 hours ago from EventBox in reply to PauloQuerido
  12. Under Passava a usar o login do google :) about 7 hours ago from TweetDeck in reply to PauloQuerido
  13. marcodinissanto se o Google comprasse o Twitter teríamos buscas integradas. E provavelmente os bots a ver o que twitamos para o adsense. about 7 hours ago from Netvibes in reply to PauloQuerido
  14. pafmax Google a comprar o Twitter?! AdTwits!! about 7 hours ago from EventBox in reply to PauloQuerido
  15. igotshot Primeira mudança: ia ter publicidade. about 7 hours ago from Twitter Opera widget in reply to PauloQuerido
  16. cantodojo teria ad-sense. about 7 hours ago from web in reply to PauloQuerido
  17. paulozoom o mesmo q aconteceu ao youtube. fica "independente", mas com ads. e os resultados da pesquisa integrados na do google. about 7 hours ago from Nambu in reply to PauloQuerido
  18. jorge_orge ao twitter aconteceria o mesmo que aconteceu ao youtube about 8 hours ago from twhirl in reply to PauloQuerido
  19. JoaoPe Caixa search ficava maior com Ads ao lado dos results. De resto ficava td + ou - na mesma. Mudava o search na internet about 8 hours ago from web in reply to PauloQuerido
  20. PauloFurtado contras: publicidade...? perda de alguma identidade própria? questões de privacidade? e todos os add-ons em volta do Twitter? about 8 hours ago from DestroyTwitter in reply to PauloQuerido
  21. PauloFurtado prós: integração de serviços = gmail+twitter? pesquisa melhorada? etc about 8 hours ago from DestroyTwitter in reply to PauloQuerido
  22. PauloFurtado os prós: injecção de dinheiro e recursos = menos "failwhale", mais certeza de que permanece gratuito, melhor interface web about 8 hours ago from DestroyTwitter in reply to PauloQuerido
  23. davidbranco A Baleia deixava de aparecer e haveria AdSense por todo o lado bem ao género do que aconteceu com o youtube :) about 8 hours ago from web in reply to PauloQuerido
  24. fernandomateus teríamos text ads na barra lateral ou enfiados nos twits tal como se vê nos blogs. about 8 hours ago from Tweetie in reply to PauloQuerido
  25. retorta anúncios contextuais na home e no perfil, eventualmente um serviço pro com funcionalidades extra (arquivo e triagem de fontes) about 8 hours ago from TweetDeck in reply to PauloQuerido
  26. wOwtaku Desejava que corrigisse alguns bugs, mas de resto, espero que não alterasse grande coisa (para já). http://twurl.nl/7ekkqx about 8 hours ago from TweetDeck in reply to PauloQuerido
  27. esgravatar se forem inteligentes não mexem muito e impedem o crash de crescimento about 8 hours ago from TweetDeck in reply to PauloQuerido
  28. dissidencias Seriamos transformados em gootwittles about 8 hours ago from TweetDeck in reply to PauloQuerido
  29. VascoCardoso 2º O Evan Williams e o Biz Stone ficariam livres para criar mais uma fantastica ferramenta web 2.0 :D about 8 hours ago from twhirl in reply to PauloQuerido
  30. duartenn melhoravam a performance de uma vez por todas about 8 hours ago from TweetDeck in reply to PauloQuerido
  31. jptiago No mínimo, começamos a ter tweets de publicidade relacionada com as palavras usadas nos nossos próprios teets about 8 hours ago from TweetDeck in reply to PauloQuerido
  32. fabios O sistema de busca ficaria muito melhor com tradução imediata de "short URLs" e links para imagens. about 8 hours ago from web in reply to PauloQuerido
  33. IdeiaDoCamandro Eu julgo que a baleia Guilherma ficaria em perigo de extinção. Um pequeno passo para nós, um grande passo para o twitter. :D about 8 hours ago from web in reply to PauloQuerido
  34. VascoCardoso 1º A necessidade d twitter possuir 1 modelo d negocio tornar-se-ia redundante pois o seu search seria integrado no google about 8 hours ago from twhirl in reply to PauloQuerido
  35. BordadoIngles Teríamos anúncios a poluir o design do nosso perfil, bordado com tanto carinho about 8 hours ago from web in reply to PauloQuerido
  36. filipe_murteira Não achava nada de estranho :) about 8 hours ago from twhirl in reply to PauloQuerido
  37. fernandobatista Sinceramente? Começaríamos a ter o Twitter com Google Ads. That's it on a first moment about 8 hours ago from twhirl in reply to PauloQuerido
  38. MonaLisagasosa Alguém ficaria podre de rico?! :) about 8 hours ago from web in reply to PauloQuerido
  39. francismata Ora vamos lá a pensar... mtos geeks, pelo menos, ficavam zangados! about 8 hours ago from web in reply to PauloQuerido
  40. Nocas_Mota Deixava de ser o nosso cantinho e passava a ser mais um... about 8 hours ago from TweetDeck in reply to PauloQuerido

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O ciclo diário da comunicação

9:45 Segunda feira, 23 de março de 2009

A publicação nos social media diverge do ciclo diário dos órgãos de comunicação social e quanto mais pessoal a comunicação se torna, mais se acentua a divergência.

Esta é a minha mais imediata conclusão de um pequeno estudo que levei a cabo e cujos resultados se sintetizam no gráfico abaixo com o ciclo diário de publicação. Nele podemos seguir as três curvas e a sua distribuição ao longo do dia: a azul as notícias nos mainstream media (MSM), a verde os posts na blogosfera e a vermelho os tweets no Twitter.


Quadro com a distribuição percentual (à esquerda) pelas horas do dia (em baixo) do total de tweets, posts e notícias. Analisados 622.293 tweets de 3.552 contas, 53.690 posts publicados por 520 blogs e 74.776 notícias publicadas por 12 órgãos de comunicação social

 

É fácil perceber que o ciclo dos blogs - um meio social que se caracteriza por ser sobretudo opinativo - segue colado ao ciclo dos noticiários, com um intervalo típico de uma hora de "atraso". Os bloggers tendem a comentar a actualidade e esta é-lhes fornecida (ainda lhes é fornecida...) sobretudo pelos órgãos de comunicação social.

Mesmo as duas vezes em que a linha verde ultrapassa a azul - isto é, quando a frequência de publicação em blogs é superior à frequência de publicação em MSM - acentuam a interpretação: a meio da manhã e a seguir aos noticiários televisivos prime time, ou seja, reagindo a maiores doses de informação para digerir sob a forma de comentário, opinião, acrescento, rectificação.

Mas à medida que o meio se torna menos opinativo e tende para o conversacional esta colagem atenua-se, se é que não desaparece mesmo. O ondulado da linha vermelha tem mais a ver com os horários das pessoas, não estando sujeito à "ditadura do noticiário". Não cheguei a isolar, nos dados do Twitter, as fontes automáticas das humanas; penso que sem a influência dos automatismos, que replicam na twitosfera as publicações da blogosfera e da mediaesfera, a curva vermelha se afastaria um pouco mais, ainda, da curva azul.

Intrigante é o duplo pico da meia noite. Naqueles 60 minutos entre as 00:00:00 e as 00:00:59 há um verdadeiro despejo dos MSM para dentro da Internet. Este explica-se facilmente: jornais como o Correio da Manhã e o Diário de Notícias libertam a essa hora as notícias das edições de papel que estão a sair das rotativas, influenciando a curva. Mas penso ser abusivo interpretar o pico dos blogs à mesma hora dentro da lógica da reacção opinativa às notícias. Na falta de melhor explicação, será assim tão grande a quantidade de bloggers que deixa posts agendados para a meia noite, como já me foi sugerido?

A observação da blogosfera desde 2003 leva-me a ser prudente. Talvez este pico se deva, isso sim, àquela parte dos bloggers que nem sequer está particularmente interessada em comentar a actualidade; os blogs diarísticos, os blogs virados para interesses como a puericultura, a música, etc. Este "turno" pega ao "trabalho" a partir das nove da noite e até à uma da manhã, com os miúdos já na cama e a casa mais sossegada, tem então o seu tempo recreacional. Embora a lista dos 520 analisados tenda a incluir em especial os blogs mais lidos, que são os opinativos, nem estes são "puros", nem a actividade de publicação dos outros diminuiu por terem sido ultrapassados no que respeita ao tamanho das audiências.

Enfim - aguardo os contributos dos leitores, no sentido de interpretarmos melhor este tipo de dados, publicados pela primeira vez.

O quadro com os três ciclos ajuda-nos a estudar melhor o funcionamento colectivo dos diversos agentes da infoesfera. A curva fornece elementos de análise importantes, como é o caso das horas em que existe maior presença humana na rede, tanto passiva (leitor) como activa (editor). Já a questão da distribuição da atenção das pessoas, que é um recurso limitado - e o recurso disputado... -, fica para outro tipo de data mining. Uma interrogação pertinente: será que o potencial viral das redes sociais segue a curva do tamanho da audiência instantânea? (hint, ainda antes de publicar dados em próximo artigo: não, é totalmente diferente!).

A recolha de dados foi efectuada ao longo dos últimos meses. Desde Abril de 2008, foram analisados 622.293 micro-posts, ou tweets, de 3.552 contas no Twitter; desde Novembro desse ano fiz a contabilidade a 53.690 posts publicados por 520 blogs e a 74,776 notícias publicadas por 12 órgãos, incluindo televisão, rádio, imprensa diária, não diária e edição web. Dados do TwitterBlog .

Paulo Querido , jornalista.

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Quanto valem 140 caracteres?

11:00 Segunda feira, 16 de março de 2009

Este ano começou sob o signo do Twitter. Uma verdadeira febre assaltou os jornais e televisões, não se passa uma semana sem um artigo, notícia ou reportagem sobre o fenómeno e, por arrasto, os social media.

Só um ermita mal informado pode achar que este media frenzy em torno do Twitter é exclusivo nacional e não passa de uma borbulhenta "moda". Depois da mediática e da política, também a América do dinheiro vive fascinada com os gráficos de crescimento mais empinados de que se recorda. Em Fevereiro, dados da ComScore, 4 milhões visitaram o site a partir dos Estados Unidos, contra 2,6 milhões no mês anterior. Uma taxa de crescimento de 55% AO MÊS, comparada com os 33% registados em cada um dos 2 meses anteriores.

Um disparo brutal.

E o site só representa uma parte da utilização. A maior parcela, mas uma parcela que andará pelos 40% apenas; o resto do uso do serviço vem por centenas de outros interfaces, muitos dos quais em aparelhos móveis, que rivalizam no acesso através da API - o mecanismo que permite a essa legião de terceiros construir serviços e produtos em cima do Twitter. (Eu, por exemplo, uso o TweetDeck, um programa mais versátil que me permite organizar as minhas 3.700 fontes; e injecto informação - como os títulos dos artigos que escrevo aqui no Expresso - através de mais dois serviços, um dos quais feitos à mão.)

A febre mediática passou o Atlântico, a caminho do Brasil, onde na semana passada a quantidade de notícias disparou por seu turno.

Enquanto nestes países o interesse se resume a "o que é o Twitter" e "para que serve o Twitter", nos EUA os últimos dias foram dominados por assuntos bem mais caros, digamos assim. A confirmação de rumores antigos sobre a tentativa de aquisição por parte do Facebook, num negócio que ascenderia a 500 milhões de dólares, e os rumores, estes frescos, de um alegado interesse da Google que o CEO Eric Schmidt não confirmou nem desmentiu, estiveram na ordem do dia.
Contudo, mais que as alucinadas verbas com que os jornais e blogs sempre se encantam nestas situações, outros elementos surgiram na última semana, indicando qual é, afinal, o "campeonato" do Twitter.


NÃO QUEREMOS MAIS CAPITAL

Comecemos por dizer que o Twitter não tem receitas.

Ninguém entendeu, ainda, de que pode o Twitter sobreviver quando se acabar o capital de risco.

Aparentemente, os menos incomodados com a situação são os detentores de dinheiro. Apesar das polidas recusas dos fundadores, Jack Dorsey, Biz Stone, e Evan Williams, que dizem viver bem com os 20 milhões de funding iniciais, as empresas de capital de risco saltitam em torno deles com cheques na mão. Mas um homem não é de ferro e o financiamento vai agora em 55 milhões.

Os experts "aconselham" Williams, o CEO, e Stone, a figura pública, a meter publicidade nas páginas.

Os desenvolvedores de aplicações e serviços pedem, por favor, para pagar! Querem mais acesso à API, que tem limites de utilização muito duros. (Eu estou, muito humildemente, neste grupo: disposto a pagar uns dólares mensais para ter mais de 100 acessos por hora àquela maravilhosa base de dados.)

Mas o Twitter continua sem receitas e a fazer orelhas moucas a todos.

Porquê?

Há dias uma das figuras conhecidas dos social media, Jason Calacanis (CEO da Mahalo), disse que pagava 125.000 dólares por ano, adiantando 250.000 por dois anos em cheque ao portador, simplesmente para ter o seu nome de utilizador numa página nova que o Twitter passou a mostrar aos novos utilizadores no final do processo de inscrição. Uma página contendo 100 sugestões de utilizadores a "seguir" (no Twitter não há "friends" como no Facebook e outras redes, mas sim "followers").

Estalou uma discussão sobre se Calacanis estaria doente, se era um golpe de marketing, ou se devia ser levado a sério. Para começo de conversa: ele propôs a compra directamente a Evans, só depois o disse publicamente. Estava a sério.

Contas?


NÃO QUEREMOS O SUPERBOWL



"Acredito que no prazo de 5 anos cada lugar do top 20 da lista de recomendações valha 1 milhão por ano", escreveu Calacanis, equiparando o Twitter ao intervalo do Superbowl. Erick Schonfeld interpretou no TechCrunch (How Much Is A Suggested Slot On Twitter Worth? Jason Calacanis Offers $250,000 ): "Calacanis pretende fixar o preço agora pois acredita que é uma grande oportunidade de marketing. É vulgar as pessoas da lista de sugestões ganharem 10.000 novos "followers" por dia. Isto dá 3,6 milhões por ano e mesmo que metade deixe de subscrever, ainda resta um canal directo para mais de um milhão de potenciais clientes. E clientes que sentem uma ligação com a pessoa por causa da natureza pessoal das mensagens no Twitter".

Eu não compro metade da explicação, mas ainda resta alguma coisa... Foi mais ou menos o que escreveu a seguir Michael Arrington, um dos homens mais bem informados acerca das novas oportunidades. O Techcrunch é uma das contas que passou a figurar na lista das recomendações.

Números.

Num mês a conta do Techcrunch no Twitter mais do que triplicou a audiência, de 65.573 a 11 de Fevereiro para 217.187 no dia 12 de Março. O tráfego para a publicação oriundo do Twitter aumentou também, mas menos: cerca de 20%. Ao contrário do que os "novos gurus" dos social media andam a vender aos embasbacados clientes, brandindo as manchetes dos jornais para se justificarem, a reputação online não é um pacote de pudim instantâneo. É preciso uma montanha de pudim, um rio caudaloso e mexer durante meses ou anos. Os clientes antigos do Techcrunch valem mais que os recém-chegados, que ainda não têm um(a sensação de) relacionamento com Arrington e a sua marca no Twitter.

Mas sempre são 150.000 páginas por mês que a conta no Twitter, alimentada a 140 caracteres de cada vez, proporciona ao Techcrunch. É dinheiro.

Apesar de ser dinheiro, Williams não aceitou o cheque de 250.000 dólares de Calacanis.

Porquê?

QUEREMOS UMA FATIA DO BOLO DA GOOGLE

A resposta pode ser bastante simples. Resumível numa única palavra.

Qual é a actividade na Internet que mais lucros gerou a uma empresa, tornando-a mesmo num colosso financeiro global?

A pesquisa.

A Google.

O Twitter aponta ao campeonato da pesquisa. O Superbowl é pouco para ele.
Feche a boca do espanto, leitor, e escute a minha história. Que é comum a milhares. Há cerca de 3 meses o meu consumo de pesquisa no Google começou a baixar. Desde que incorporei na barra de pesquisa, no canto do meu browser, os resultados da Wikipedia e do Twitter. Uso cada vez mais este último.

A pesquisa no Twitter é, ainda, demasiado simples. Não é universal, no sentido em que há temáticas com belos resultados e temáticas deficientes. Mas o Google também começou pela simplicidade e quem se recorda desses tempos sabe que o Altavista era mais eficaz fora das áreas técnicas. O desenlace foi rápido - mas não se pode dizer que a culpa tenha sido da Google: basicamente, o Altavista deixou-se dominar, impotente, pela indústria do sexo, que conspurcou (é o termo) os resultados usando técnicas que depois a Google viria a "branquear" chamando-lhes de "optimização".

Os resultados do Twitter têm uma GRANDE vantagem sobre os resultados do Google e, adicionalmente, uma vantagem não tão grande. A grande: são produto exclusivo da filtragem humana. A pequena: funcionam em tempo real.

Nenhum conjunto de algoritmos - nem mesmo os mais brilhantes de todos, que são os da Google - conseguiu ainda superar o julgamento humano. Nem em qualidade nem em rapidez. As nossas sinapses são simplesmente melhores. E praticamente instantâneas.

Assim, defendem alguns, os resultados de uma extraordinária máquina de atenção humana - isto é, o Twitter - são não apenas melhores a eleger os conteúdos de maior valor como mais rápidos, sendo produzidos em tempo real.

Para mim, funciona. Mas em grande medida porque o eixo dos meus interesses passa pelos assuntos mais populados no Twitter: o Twitter ele próprio, a indústria informática, a web, o design, os acontecimentos internacionais, as energias alternativas, a política americana e portuguesa. Nestes campos, seguir o meu conjunto de fontes e ocasionalmente efectuar pesquisas no universo mais alargado do Twitter faz-me perder menos tempo a encontrar a informação certa.

Na realidade, no Twitter não procuramos a informação; programamos uma rede de fontes para nos alimentarem continuamente, 24 horas sobre 24 horas, um caudal ininterrupto do que está a acontecer e do que é melhor. Mas isso já é desviarmo-nos do assunto.

Paulo Querido , jornalista

Facebook: portugueses e brasileiros no fundo da tabela

2:39 Sexta feira, 6 de fevereiro de 2009

Menos de 1 português em cada 100 tinha uma conta activa no Facebook no dia 2 de Fevereiro e dos 15 países que investigámos apenas um registou pior: o Brasil, onde pouco mais de 1 em cada 1.000 cidadãos está na rede social mais badalada em praticamente todo o mundo.

Por outro lado, a consulta revela um dado curioso: a percentagem de mulheres é mais elevada que a dos homens -- isto excepto em dois países, Itália e Grécia (ver tabela interactiva abaixo).

Os dados demográficos revelam indícios desconcertantes nesta primeira análise. A geografia não é o factor diferenciador: países próximos de nós, como a Itália e a França, têm percentagens "normais", com 1 em cada 10 cibercidadãos registado no Facebook. A Espanha é menos "normal": 1 em cada 20, mas ainda assim tem um score cinco vezes superior ao caso português.

A dimensão ou a riqueza de um país também nada interfere na utilização desta rede social. Países tão distantes entre si nestes dois factores como a Bulgária e a Alemanha estão muito perto no "ranking", com 1,82% e 1,58%, respectivamente, das suas populações ligadas.

Não é fácil entender as ausências de portugueses e brasileiros, dois países que aderiram cedo às redes sociais. Talvez se possa explicar pelo excesso de oferta? No caso do Brasil, a rede Orkut é um fenómeno há muitos anos, sendo os brasileiros os principais "clientes" da rede da Google. Em Portugal foi o Hi5 a captar a atenção geral, embora tenha conquistado sobretudo jovens, repartindo o topo das preferências com o MySpace.

Contudo, estas primeiras redes sociais possuem raios de acção limitados, enquanto o Facebook é o protótipo das redes modernas, abertas à agregação de conteúdos, grupos e pessoas, e com possibilidade de incorporar aplicações externas. Conjuga alguma informalidade com a partilha de documentos, gostos e links, mas com latitude para um uso profissional dos perfis, semelhante ao que podemos encontrar no LinkedIn. A isso soma-se a programabilidade e a agregação de conteúdos importados de outras redes, bem como, a breve prazo, alguma ubiquidade: os perfis Facebook poderão ser incorporados em blogues e sites de jornais, por exemplo.

Desde o Natal tenho notado um acréscimo de utilizadores portugueses no Facebook -- mas também noutra rede de crescimento explosivo, o Twitter. Apesar disso, a quantidade de portugueses ali presentes é ainda muito pequena, como se pode comprovar na tabela abaixo. Que é dinâmica e interactiva: clique nas etiquetas de coluna "país", percentagens e "total" para reordenar a tabela segundo esses critérios.


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