O Juiz de instrução do processo Face Oculta indiciou hoje o arguido Paulo Penedos pela prática de um crime de tráfico de influência e sujeitou-o ao pagamento de uma caução de 25 mil euros.
Trata-se do quarto arguido do processo Face Oculta a ser sujeito a pagamento de caução, sendo os anteriores Hugo Sá Godinho, sobrinho do empresário Manuel Godinho (50 mil euros), Paiva Nunes e Namércio Pereira da Cunha (25 mil euros cada).
Paulo Penedos, que é advogado e filho do presidente da REN - Redes Eléctricas Nacionais, ficou sujeito a mais três medidas de coacção: obrigação de não contactar outros arguidos, à excepção do seu pai, interdição de contactar funcionários da REN e proibição de entrar nas instalações daquela empresa.
Segundo a investigação do processo, Paulo Penedos terá usufruído de contrapartidas financeiras para "abrir portas" a Manuel Godinho na REN - tendo o seu pai recebido vários presentes, alguns de valor considerável - e para ajudar Manuel José Godinho a resolver um conflito com a REFER.
Advogado fala em "linchamento político"
Entretanto, nas instalações onde funcionam o Departamento de Investigação Penal e Acção Penal e o Juízo de Instrução Criminal de Aveiro entrou, na tarde de hoje, outro arguido do processo, o consultor e co-fundador da extinta Fundação para a Prevenção e Segurança Rodoviária.
Lopes Barreira, que classificou este processo como um "linchamento político", entrou nas instalações judiciais cerca das 14h35, acompanhado dos advogados Pedro Pidwell, Teresa Alegre e Marlene Miranda.
Os causídicos manifestaram a predisposição de consultar documentos do processo antes de o seu cliente ser chamado a depor.
Segundo fontes judiciais, Lopes Barreira é dado pela investigação como o homem que se terá disponibilizado para apresentar Jorge Coelho, Mário Lino e João Mira Gomes ao empresário Manuel Godinho.
Barreira recusou todas as acusações
Numa entrevista à TVI, Barreira recusou todas as acusações de que tem sido alvo, declarando mesmo que este caso se resume a um "linchamento político".
A PJ desencadeou a 28 de Outubro a operação Face Oculta em vários pontos do país, no âmbito de uma investigação relacionada com alegados crimes económicos de um grupo empresarial de Ovar que integra a O2-Tratamento e Limpezas Ambientais, a que está ligado Manuel José Godinho, que se encontra em prisão preventiva.
No decurso da operação foram efectuadas cerca de 30 buscas, domiciliárias e a postos de trabalho, e 15 pessoas foram constituídas arguidas, incluindo Armando Vara, ex-ministro socialista e vice-presidente do BCP, que suspendeu funções, José Penedos, presidente da REN-Redes Eléctricas Nacionais, e o seu filho Paulo Penedos, advogado da empresa SCI-Sociedade Comercial e Industrial de Metalomecânica SA, de Manuel José Godinho.