Coimbra, 15 Abr (Lusa) -- O Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, em Coimbra, objecto de complexas obras de reabilitação desde 1991, vai reabrir ao público no próximo sábado, numa sessão presidida pelo ministro da Cultura.
A presença de José António Pinto Ribeiro assinala a abertura global daquele espaço histórico e arqueológico, que se começou a construir no século XIII para convento de freiras clarissas, por iniciativa da Rainha Santa Isabel.
Ao longo dos séculos, o edifício foi sendo invadido pelas águas, devido ao assoreamento do leito do Rio Mondego, até que teve de ser abandonado, e o seu espólio, e as religiosas, transferidos para o Convento de Santa Clara.
Desde 1991 foi objecto de um arrojado projecto de recuperação e valorização, orçado em 7,5 milhões de euros, e agora abre em todas as suas valências, indicou à agência Lusa o coordenador da intervenção.
Artur Côrte-Real adiantou que, a partir de sábado, os visitantes poderão usufruir de um centro interpretativo, de áudio-guias e de diversos dispositivos multimédia para melhor conhecer a história do edifício e do processo de reabilitação.
Estará disponível uma modulação virtual, em três dimensões, que proporcionará informações sobre as várias fases de construção do edifício até ao seu abandono, devido à invasão das águas.
Os visitantes poderão ainda visionar documentários sobre a história do monumento, nomeadamente "Memorial à Água", alusivo às intervenções contemporâneas, "à fragilidade do sítio, à fragilidade da salvaguarda".
"Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, vida e morte", que faz uma introdução ao sítio e à história própria do monumento, é outro dos documentários em exibição no local.
Para reabilitar o edifício e torná-lo visitável na sua dimensão real, ao longo dos anos especialistas de diversas áreas realizaram pesquisas arqueológicas e edificaram uma estrutura enterrada que impede a invasão das águas do rio Mondego.
A expectativa é que, pela sua beleza estética, a história que tem para contar e a sua ligação à Rainha Santa Isabel, a padroeira de Coimbra, venha a constituir um dos mais importantes pólos de atracção do turismo cultural, uma vertente de grande potencial na cidade.
"Para além do olhar sobre a beleza plástica do monumento, queremos que os visitantes conheçam este universo riquíssimo associado a Isabel de Aragão e a Inês de Castro", sublinhou o arqueólogo.
Contar a história do mosteiro e das freiras que nele viveram, numa perspectiva que não será apenas religiosa, é possível graças aos imensos materiais recolhidos das escavações arqueológicas, num trabalho que envolveu especialistas das áreas da antropologia, arqueologia, história de arte, biologia, engenharia e geologia, entre outras.
Os espólios recolhidos permitem ainda apontar a origem das freiras, oriundas da nobreza, através, nomeadamente, das campainhas de serviçais encontradas, entre vários objectos, numa viagem à vida mundana da época.
"Este projecto faz parte de um percurso de persistência, exigência e muita paixão. Foi alterado constantemente face às especificidades do sítio. O objectivo foi não danificar a ruína, minimizar os efeitos da empreitada", disse Artur Côrte-Real, ao realçar que a potência arqueológica do espaço se mantém intacta.
Concebido para o público e investigadores, o centro interpretativo consiste num edifício de mil metros quadrados, com funções museológicas, dotado de um auditório, salas de exposições, uma loja e uma cafetaria voltada para o monumento, num espaço onde o elemento água está sempre presente.
A abertura do monumento ao público será assinalada sábado numa sessão às 10:30 presidida pelo ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro.
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