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Passos trocado

A análise à entrevista de Passos Coelho a Clara Ferreira Alves. Na Revista Única.

João Lemos Esteves (www.expresso.pt)
9:30 Domingo, 28 de novembro de 2010

Depois de uma semana em que conseguiu (com mérito) manter a serenidade e conter os ímpetos daqueles militantes do PSD que queriam que a cowboyada da negociação do OE para o próximo ano acabasse em tiroteio fatal, eis que Passos Coelho volta a falar demais.

Note-se que considero que a entrevista dada à Revista Única é, globalmente, uma entrevista positiva. Define os traços gerais da linha de actuação do PSD nos próximos tempos, numa tentativa de demarcação do modelo social e económico defendido pelo PS.

Esta conversa com o líder do PSD - há que enquadrá-la! -  tem um tom quase intimista, falando do seu currículo político e percurso pessoal e insere-se num conjunto de diálogos com várias personalidades, da autoria de Clara Ferreira Alves para a revista do Expresso. Não é, portanto, uma entrevista com um jornalista especialista em economia ou da área da política (que, provavelmente, seria mais difícil para o entrevistado). 

Qual foi, então, o erro de Passos Coelho? Afirmar que estará preparado para governar com o FMI. Acreditando que Passos Coelho não é tão naif para achar que tais declarações iriam passar despercebidas, teremos de concluir que pretendeu deixar uma mensagem política - a de que está convicto da inevitabilidade da intervenção do Fundo Monetário Internacional. Ou seja, o líder da oposição, numa altura em que é necessário reunir esforços para o país evitar intervenções de organismos internacionais, dá a entender que a ajuda externa é uma fatalidade!

Mais: Passos Coelho matou a sua estratégia. É que - recordemos! - o Orçamento foi viabilizado pelo PSD para acalmar os mercados internacionais e, por esta via, evitar a vinda do FMI. Apenas por essa razão - o PSD, como a actual direção política faz questão de recordar à exaustão, discorda das soluções constantes da Lei do Orçamento. Perguntamos: então, se a vinda do FMI é muito provável e é um cenário que não devemos diabolizar, por que razão se viabilizou o OE 2011, discordando dele? Para evitar vinda do FMI? Aparentemente, segundo o líder do PSD, o resultado da não viabilização seria exactamente o mesmo...

O que Passos Coelho deveria ter dito?


É verdade que na entrevista, Passos Coelho ainda diz que podemos resistir. Mas da como a forma como o faz, deduzimos que pensa que a nossa resistência é o cenário mais irrealista. De facto, a mensagem de Passos é a seguinte: estamos preparados para governar com o FMI; trabalharei com ele por um período não inferior a 4/6 anos - mas ainda podemos resistir. Errado. Errado. Errado.

Um líder da oposição responsável diria antes: Portugal tem capacidade para resistir; nós temos uma situação diferente da Irlanda; confiemos nas instituições democráticas portuguesas para resolver; o momento da clarificação política chegará - se o recurso ao FMI for o melhor para Portugal, não será o fim da Pátria, mas é um cenário que, neste momento, não colocamos. Acreditemos em nós. Portugal. Passos Coelho anda com as premissas e as prioridades trocadas...

P.S - Cresce nos políticos portugueses a tendência pró-FMI. Razão: diz-se que os políticos portugueses, enredados nos seus interesses e passado, não serão capazes de tomar as medidas adequadas para equilibrar as nossas finanças. Será que não percebem que estão a atestar a sua própria incompetência?

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O jornalista esquece-se de duas coisas
Goodwaves (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 13:08 | Domingo, 28 de novembro de 2010
a primeira e mais óbvia é que nunca nenhum PM em Portugal conseguiu fazer uma reforma profunda do Estado com vista a uma redução substancial do seu peso, antes pelo contrário. Nunca nenhum PM conseguiu desburocratizar processos, mexer na laboral pós revolucionária que é um dos maiores cancros e aliviar a carga fiscal das empresas por forma a atrair investimento e incentivar verdadeiramente o crescimento económico. Seria impensável e até ilegal em Portugal fazer-se por exemplo o que a Inglaterra fez quando cortou 500.000 funcionários públicos. E aí obviamente o FMI seria uma vantagem, porque não só obrigaria a fazer tais reformas, mas também aliviaria o governo em funções da carga negativa de tais reformas, que são inevitáveis. PPC sabe disso!

A outra coisa de que o jornalista se esquece é que provavelmente PPC ajudou a aprovar o OE com a convicção de que isso acalmaria os mercados e aliviaria os juros da divida pública. Ora tal já se sabe não aconteceu e não se perspectiva que venha a acontecer, antes pelo contrário e é então neste novo cenário que PPC dá esta entrevista e nos confronta com uma realidade, não só cada vez mais inevitável, mas também necessária por forma a de uma vez por todas se produzirem as reformas que e longo prazo, e será longo, o nosso País venha a ter uma leve esperança de vir a ser um País com futuro!
 
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kimarques (seguir utilizador), 2 pontos , 16:05 | Domingo, 28 de novembro de 2010
    Re: O jornalista esquece-se de duas coisas    Ver comentário
Goodwaves (seguir utilizador), 2 pontos , 20:39 | Domingo, 28 de novembro de 2010
    Re: O jornalista esquece-se de duas coisas    Ver comentário
João Lemos Esteves (seguir utilizador), 2 pontos , 23:07 | Domingo, 28 de novembro de 2010
    Re: O jornalista esquece-se de duas coisas    Ver comentário
Goodwaves (seguir utilizador), 2 pontos , 23:36 | Domingo, 28 de novembro de 2010
    Re: O jornalista esquece-se de duas coisas    Ver comentário
PMB1974 (seguir utilizador), 1 ponto , 9:17 | Segunda feira, 29 de novembro de 2010
O Povo Português não quer o FMI
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 11:45 | Domingo, 28 de novembro de 2010
O Povo Português não quer o FMI: já está farto da "pata" de certo capital, quanto mais agora com a do FMI que impõe restrições á liberdade estratégica para a governação do País?
Passos Coelho meteu água na "agenda" da revisão Constitucional e agora atira-se-sem necessidade- a um poço chamado FMI que restringe a Soberania nacional e põe cá comissários estrangeiros a mandar no sentimento mais profundo dos Portugueses:o seu direito a eleger quem governe o País.
Quando um lider politico quer chegar ao Governo, não pode cometer "gafes" politicas desta natureza.
E se Passos Coelho julga que o País é uma Assembleia de Estudantes do Instituto Superior Técnico, está enganado.
Depois de ter dado o voto ao PS para aprovar o orçamento e evitar males maiores,é mesmo um tiro no pé vir agora com essa do FMI.
Ó Passos, cuidado porque começa a haver muita gente a não achar piada ao que você começa a dizer.
 
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jupiter2001 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:19 | Domingo, 28 de novembro de 2010
    Re: O Povo Português não quer o FMI    Ver comentário
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 17:52 | Domingo, 28 de novembro de 2010
    Re: O Povo Português não quer o FMI    Ver comentário
Goodwaves (seguir utilizador), 2 pontos , 22:13 | Domingo, 28 de novembro de 2010
    Re: O Povo Português não quer o FMI    Ver comentário
Goodwaves (seguir utilizador), 2 pontos , 22:13 | Domingo, 28 de novembro de 2010
Enfim
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 14:58 | Domingo, 28 de novembro de 2010
É a classe polítical que temos em Portugal.
Pois eles não têm interesse em mudar o actual cenário da vida política no país, pois iriam perder as suas regalias e benesses.
Resta aos mais novos imigrarem e não pensarem mais em Portugal para não continuarem a pagaras facturas que estes deixam.
País de corruptos.
 
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O FMI
jupiter2001 (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 16:10 | Domingo, 28 de novembro de 2010
Devem chamar o FMI o mais rápido possivel, só os tachistas instalados é que invocam o Nacionalismo parolo, para tentar manter as suas grandes benesses injustificadas.
 
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Caro jovem militante partidário
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos , 15:50 | Segunda feira, 29 de novembro de 2010
E se o OE não fosse aprovado? Ficaria a salganhada ainda pior, com o PS aos gritos que não o deixavam governar e que os problemas do País, eram piores por essa razão.

Se o OE não fosse aprovado, o Governo caía? Não! Então a única entidade interessada em que o OE não fosse aprovado seria o PS, por encontrar uma “bode expiatório” para a situação.

Os mercados na sua ideia são um género de “Opus Dei” das “massas”. Com “tomadores” de dívida, tão diferentes como: Noruega; Rússia (estes dois já cortaram com a compra da dívida portuguesa, a quaisquer juros); Brasil; Arábia Saudita e entre outros até o “pobre” Timor, que há pouco tempo pensávamos precisar do apoio do Banco Alimentar.

Os juros altos são praticados porque nós não damos garantias de poder honrar os empréstimos. Tudo o resto é conversa da treta. O mal está em nós, não nos “mercados”.

  Sobre a vinda do FMI você escreve: “Será que não percebem que estão a atestar a sua própria incompetência?”

Pergunto: será necessária a vinda do FMI, para que tal se comprove? A situação não é suficiente?

A tutela tanto do PS como do PSD é imprescindível. Não para governar, mas para travar os ímpetos “predadores” de militantes, incluído os jovens.

O Ministro das Finanças não conseguir “cortar” na despesa, não é por acaso… Nem um líder forte como Sócrates tem “força” para limpar o Estado dos “rapazes” amigos. O FMI será a muleta para tomada de decisões agora impossíveis.

Em patriotices do "antigamente" não alinho.
 
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Naive? Não me acredito!
Daniel de Oliveira (seguir utilizador), 1 ponto , 11:26 | Domingo, 28 de novembro de 2010
De facto de ingénuo pouco tem o Dr. Passos Coelho. Presumo que a intenção é encurtar o tempo para que o PS não possa fazer mais "alguma" deles. Facto também é que o OE de 2010 não foi comprido assim como o PEC 1, PEC 2 e probavelmente o PEC3 e o OE 2011. Como sempre o Zé Povinho é alheio ao real jogo politico e só no fim de uma era, neste caso do Socratismo, é que se descobrem os "podres" que mais uma vez vão ficar sem consequências para os actores.
 
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Mais um
jupiter2001 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:04 | Domingo, 28 de novembro de 2010
Será possivel que acredita em tudo o que escreveu neste artigo? vive no pais da Alice? quando caminha numa linha do comboio e vê uma luz e um ouve um grande barulho a vir na sua direcção, julga que é um sonho mau? ou sai da linha?
 
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ingénuo?
pnb (seguir utilizador), 1 ponto , 18:21 | Domingo, 28 de novembro de 2010
ingénuos são vocês. mesmo com o OE aprovado, os mercados (esses bichos assustadores) não se acalmaram, muito pelo contrário. os juros da dívida ultrapassaram os 7%, valor que o MF disse seria o limite para a intervenção do FMI. Tá tudo com problemas de memória?! o Passos Coelho não tem medo do FMI porque não tem nada a perder - pessoalmente - como a cambada toda que está na assembleia da república, mais a corja toda das instituições públicas. o povo não quer o FMI?! mas que afirmação de jerico é essa, qual é a diferença entre um OE que coloca o IVA a 23% e o FMI para o zé povinho? NENHUMA. agora para a classe política e a função pública.... nem um feijão se lhes cabe. estão a ver os privilégios todos a desaparecer pelos dedos como areia.
 
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João Lemos Esteves (seguir utilizador), 1 ponto , 23:14 | Domingo, 28 de novembro de 2010
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Goodwaves (seguir utilizador), 2 pontos , 23:43 | Domingo, 28 de novembro de 2010
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pnb (seguir utilizador), 1 ponto , 8:16 | Segunda feira, 29 de novembro de 2010
Haverá coragem?
João Lemos Esteves (seguir utilizador), 1 ponto , 23:24 | Domingo, 28 de novembro de 2010
Entretanto, Passos Coelho veio afirmar (basicamente) que aqueles que mudam de acordo com o "cheiro" a poder, podem afastar-se do PSD. Uma boa ideia e uma afirmação de coragem e força. Dúvida: será possível quando depende (muito) da máquina partidária, que lhe garantiu mais de 60% de votos nas directas? Quando a sua equipa é maioritariamente formada por direigentes distritais? Veremos. A acompanhar certamente no POLITICOESFERA.
 
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pnb (seguir utilizador), 1 ponto , 8:30 | Segunda feira, 29 de novembro de 2010
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ja_penso (seguir utilizador), 1 ponto , 11:56 | Segunda feira, 29 de novembro de 2010
Ver para crer
maesteves (seguir utilizador), 1 ponto , 14:14 | Segunda feira, 29 de novembro de 2010
Penso que a discussão sobre PC, quanto a mim, resume-se a 3 palavras: "Ver para crer".
 
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João Lemos Esteves (seguir utilizador), 1 ponto , 15:25 | Segunda feira, 29 de novembro de 2010
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