Passos Coelho acha que a mudança que o PSD e o país precisam é que ele assuma a liderança do partido. Por outras palavras, Passos Coelho considera que a sua vitória contra a facção liderada por Manuela Ferreira Leite seria mudança suficiente. Já defendi antes esta mesma análise
e, com o avançar da campanha interna do PSD, ela parece-me cada vez mais correcta.
(1) Basta olharmos para o principal 'argumento' de Passos Coelho contra Paulo Rangel: esteve na direcção da actual liderança do PSD - um género de pecado original aos olhos de quem a repudia - e é responsável pela sua derrota nas legislativas. O argumento é falso, e o facto de ser baseado numa mentira acaba por dizer mais sobre o próprio Passos Coelho do que sobre Paulo Rangel.
(2) Ontem, num artigo publicado no i
, o Vasco Campilho (meu colega aqui no Aparelho de Estado), confirma o teor da mudança que propõe Passos Coelho: fazer do PSD uma alternativa ao PS, i.e. tirar Manuela Ferreira Leite do poleiro. Então, a partir da lógica do ponto acima, não será possível o PSD ser alternativa ao PS enquanto Ferreira Leite e os seus (Rangel e Aguiar-Branco) mandarem. Por isso, Passos Coelho, que não esteve ligado a Ferreira Leite, é o único candidato que pode transformar o PSD numa alternativa ao PS, i.e. ele tem o monopólio da legitimidade da mudança.
(3) Não quer dizer que, caso vença as eleições, Passos Coelho não seja muito mais que uma mudança de facção. Não se sabe. Contudo, o ponto que pretendo salientar é que a linha orientadora da sua campanha interna é praticamente idêntica à que orienta uma Oposição na Assembleia da República perante um Governo. E isso é negativo, porque mais que uma guerrilha interna de facções, o PSD precisava de debater os espaços políticos que pretende ocupar. Sobretudo porque um dos grandes objectivos, a união do partido à volta do futuro líder, será muito mais difícil de conseguir na ressaca de uma luta de facções.