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Partidos e população unidos querem dragagens já na Lagoa de Óbidos

Cerca de 500 pessoas, algumas delas munidas de bandeiras pretas, concentraram-se junto ao areal da Foz do Arelho para reivindicar uma intervenção mais célere e profunda na lagoa de Óbidos, em vez da proposta pelo INAG, que consiste em abrir uma nova "aberta" mais a sul.

Gazeta das Caldas / Fátima Ferreira
16:46 Sexta feira, 12 de março de 2010
Gazeta das Caldas - Partidos e população unidos querem dragagens já na Lagoa de Óbidos

Unidos estiveram também os autarcas das Caldas e Óbidos que foram unânimes na exigência de dragagens como única solução para o problema.

Não faltaram as críticas ao distanciamento e falta de actuação do INAG e ficou a intenção de se voltarem a manifestar no mesmo local, em finais de Abril, caso a intervenção proposta pelo Ministério do Ambiente não garanta a segurança da época balnear.

Marcada para as 16h00 de domingo (depois de ter sido adiada uma semana devido ao mau tempo), a manifestação de sensibilização pelos problemas da lagoa apenas começou meia hora mais tarde. "Está na hora!" gritavam alguns dos presentes, munidos com bandeiras pretas, inconformados com a justificação de que se estava à espera que a televisão chegasse. A Assembleia Municipal improvisada junto ao areal (falaram todos os partidos) acabou por ter início e a televisão não foi visível no local.

Luís Ribeiro, presidente da Assembleia Municipal das Caldas, foi o primeiro a usar da palavra para dizer à população que a sua presença "é o sinal claro que somos amigos da Lagoa". Com esta iniciativa, os políticos renovaram um compromisso e aumentaram as suas responsabilidades. De seguida leu uma carta enviada a semana passada pelo INAG, onde se compromete a reposicionar a aberta mais para sul, de forma a "minimizar a erosão da margem norte e criar as condições atempadas para a formação de areal para uma prática balnear segura".

Artur Correia, secretário da Junta de Freguesia da Foz do Arelho, criticou o trabalho do INAG pelas opções que toma, demora na intervenção e falta de comunicação com os autarcas locais. Foi bastante aplaudido quando disse que há pessoas que pedem a demissão do seu presidente e questionou-se como é que as entidades pensam continuar a proteger o emissário submarino (que leva esgotos tratados para o mar).

O representante da Junta (que substitui Fernando Horta por este se encontrar doente) defendeu o fecho imediato da aberta, opção que foi também aceite pelos técnicos do LNEC e corroborada pelos populares presentes. Artur Correia garantiu que irão continuar a insistir junto do Ministério do Ambiente e apelou a todos a enviar também um e-mail ou uma carta a pressionar para uma solução.

Em tom de ironia, o autarca sugeriu que o Instituto da Água se passasse a designar de Instituto de Areia, numa tentativa de trazer alguma para a Foz do Arelho.

O deputado do BE, Fernando Rocha, apelou à união de todos e incentivou a realização de um protesto, dado que as várias moções e pedidos de audiência aprovados pela Assembleia Municipal nunca deram resultado. "É importante que estejamos unidos e consigamos mobilizar mais pessoas para levar esta luta de vencida", disse.

Também o deputado comunista, Vítor Fernandes, partilhou da opinião que os deputados "fizeram muito" no sentido de pedir uma intervenção na Lagoa, mas que nada foi feito. "Depois de muitos estudos, o que é preciso agora é intervir", defendeu, adiantando que as dragagens previstas para o final do ano têm que ser feitas imediatamente.

"Não queremos mais sacos de areia, mas uma intervenção de fundo", disse o mesmo deputado, que aproveitou a ocasião para criticar publicamente o facto da ministra do Ambiente ter visitado a Lagoa sem contactar nenhum responsável autárquico.

"Dificilmente haverá praia na Foz no verão"

Duarte Nuno (CDS/PP) apelou a uma tomada de posição unida e mais forte, destacando que não podem mais ser "águas mornas", sob pena de serem "outra vez enganados". Criticou o "estado de desolação" em que se encontra a Lagoa e a praia da Foz do Arelho e defendeu a demissão do presidente do INAG, Orlando Borges.

As divergências entre as Câmaras das Caldas e Óbidos relativamente à colocação dos dragados a retirar da Lagoa, foram apontadas pelo deputado socialista, Carlos Tomás, como um motivo para o atraso na intervenção, tendo pedido aos autarcas que se entendam quanto a uma solução.

Também presente na assembleia popular, o presidente da Câmara de Óbidos, Telmo Faria, manifestou a sua solidariedade, união e amizade para com os fozenses e destacou que as duas autarquias estão unidas na resolução desta situação.

O autarca disse que "quer ler tudo o que o LNEC anda a escrever e é pago pelo dinheiro dos portugueses", para saber quais são as soluções técnicas que têm sido defendidas e se o INAG anda a fazer o que o Laboratório lhe recomenda.

Na sua opinião, "dificilmente haverá praia na Foz no Verão" e isso não deixa Óbidos contente, lembrando que também a Assembleia de Óbidos aprovou uma moção, associando-se a este problema.

O autarca apelou à mobilização da sociedade civil, reconhecendo que as autarquias, sozinhas, não conseguem resolver o assunto. "Sinto uma impotência, uma dificuldade enorme em fazer-se ouvir e fazer sentir o interesse da população junto do poder central", disse, acrescentando que têm que ser pedidas contas à ministra do Ambiente.

Para o presidente da Câmara das Caldas, Fernando Costa, a razão de ainda existir alguma praia e a rotunda da Marginal é o emissário submarino, pois apenas a sua salvaguarda justificou uma intervenção. Contudo, alertou para o perigo resultante da pedra e dos sacos, caso não seja colocada areia a tapar, assim como das correntes e fundos que a intervenção originou junto à aberta.

O autarca considera insuficiente a intervenção proposta pelo ministério, alertando para o facto dos 60 mil metros cúbicos de areia que estão previstos para o local "não chegarem para tapar as pedras e os sacos de areia". Na sua opinião, serão necessários, no mínimo, 300 mil metros cúbicos de areia e esta apenas se encontra no fundo da Lagoa.

Fernando Costa deixou ainda o repto para que, se até ao final de Abril o areal não estiver capaz de acolher a época balnear, que voltem a manifestar-se no mesmo local.

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