Palma Inácio era militante socialista
Alberto Frias
Hermínio da Palma Inácio, militante histórico do PS e revolucionário português contra o Estado Novo, morreu hoje em Lisboa, revela fonte partidária. Tinha 87 anos.
Segundo o presidente da concelhia de Lisboa do PS, Miguel Coelho, o histórico militante socialista da secção Almirante Reis foi vítima de doença prolongada. O seu corpo será velado na sede nacional do partido, no Largo do Rato, em Lisboa.
O funeral de Palma Inácio realiza-se amanhã em Lisboa, partindo do Largo do Rato para o Cemitério do Alto de São João, onde será cremado pelas 19h00.
Hermínio da Palma Inácio (1922-2009), a quem o Presidente da República Jorge Sampaio atribuiu em 2000 a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, que lhe foi imposta por Manuel Alegre, tornou-se célebre por ter protagonizado em 1956 o primeiro desvio de um voo comercial de que há registo, durante o qual um avião da TAP sobrevoou Lisboa, Barreiro, Setúbal, Beja e Faro a baixa altitude para lançar cerca de 100 mil panfletos com apelos à revolta popular contra a ditadura.
A sua vida foi marcada por um combate constante contra o Estado Novo, tendo sido preso diversas vezes pela PIDE, destacando-se uma passagem pelos calabouços do Aljube, onde protagonizou uma fuga histórica.
Esteve envolvido, entre outras acções, no assalto à dependência do Banco de Portugal na Figueira da Foz, concretizada em Maio de 1967 com Camilo Mortágua, António Barracosa, e Luís Benvindo. O assalto foi reivindicado como operação manifestamente política pela LUAR - Liga de Unidade e Acção Revolucionária, a cuja fundação Palma Inácio esteve ligado.
No dia 25 de Abril de 1974, Palma Inácio estava preso em Caxias, onde recebeu por código morse as primeiras notícias da Revolução.
Militante do PS de Lisboa, na secção Almirante Reis, Palma Inácio continuou politicamente activo, tendo tido na passagem como vogal na Assembleia Municipal de Lisboa o seu último cargo público.