Não há contagem decrescente, quando falamos de espectáculo, que não tenha no centro uma figura de flor desabrochando aos poucos. O mesmo se passa com aquele que quer ser o maior espectáculo do mundo, a cerimónia de entrega dos óscares de Hollywood. As revelações são feitas aos poucos. Hoje foi revelado o design matriz para o palco da extravagância.
Foi com fanfarra de espectáculo que a Academia publicitou hoje o cenário no qual vão aparecer as pessoas mais famossa do mundo. Famosas e, se tivermos a sorte habitual, bem vestidas por Carolina Herrera ou Valentino e com uma pele que parece ter regressado no tempo (ou pelo menos passado por um qualquer photoshop cirúrgico). Para as estrelas do cinema não podia ser um palco qualquer.
Para a edição deste ano, nº82 numa história feita de grande drama e ainda mais lágrimas, a Academia foi buscar, outra vez, David Rockwell, que já tinha imaginado o espaço na edição do ano passado, um sucesso feito com o proscenium brilhante em estilo de tiara semi circular coroando um espectáculo mais abaixo composto por deuses e deusas venerados por um público planetário que representa cifrões verdadeiros.
Em 2009 o cenário de David Rockwell foi considerado o halo ideal para uma festa que, durante anos, tinha perdido o pé em modelos pouco elegantes. Hoje a Academia quer, sobretudo, sublinhar o pedigree e a torrente voltaica providenciada por tantas estrelas ali presentes.
A catarata de cristais Swarovski - ou, nas palavras originais, Swarovski Crystal Curtain - é um golpe de marketing para a marca austríaca que, com origens boémias, conseguiu impor-se no mercado de luxo graças aos seus cristais cortados com precisão de bisturi e que, sem sombra de dúvida, ficam bem numa noite que tenta recapturar as faíscas fabulosas da Hollywood clássica. A tecnologia pode avançar mas, em Hollywood, continua a respeitar-se o arco superior à entrada do palco.
David Rockwell é um mágico que inventa glamour para o ecrã televisivo. Sabe que, na plateia e em casa, o espectáculo está a ser visto pelos visualistas mais ambiciosos do mundo. Não há tempo para falhas. "Tem sido maravilhoso poder trabalhar outra vez nos óscares", referiu ele. "Foi-nos possível dar continuidade a todas as inovações que apresentámos há um ano". Alem da luz e do movimento, dois dos elementos essenciais ao cinema, foram desenvolvidos truques técnicos que darão ao show um ar ainda mais teatral.
Veja-se, por exemplo, a maneira surgiu diante da plateia mundial o actor Hugh Jackman, quando há um ano aceitou fazer as apresentações em época de crise. No centro só havia um homem aos saltos. Por cima a cortina de cristal austríaco. Ficou tudo com ar milionário, confirmando que, numa homenagem ao cinema, a ilusão ainda é a alma do negócio. A apresentação de 2009 foi considerada a melhor de sempre pelos observadores da produção mais look at me de Hollywood.
No dia 7 de março que se aproxima, os padrões vão manter-se. O estilo predominante de antigamente, vindo do tempo em que havia silhuetas e quando Hollywood só apresentava feições faciais feitas no Olimpo, será complementado com uma paleta moderna em que vão predominar os tons branco, platina e, claro, bronze, esfumado como um fumo de cigarro num film noir ou transparente como um topázio do sudoeste americano.
O palco também apresentará paineis de ossatura metálica e painel HD gigante, para a projecção de retrospectivas e homenagens; e, ainda, 3 paltaformas rotativas nas quais surgirão, suponho, apenas as pessoas mais bem vestidas do ano. "Tem sido tão emocionante poder trabalhar com uma grande equipa, feita de pessoas que gostam de imaginar plataformas de espectáculo que levam as pessoas a cair de amor pelo cinema: o estilo, as luzes, as cores, a técnica e a emoção!", acrescentou Rockwell.