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Óscares 2010: Drama até ao fim

Suspense até ao fim: ninguém consegue adivinhar quem vai levar para casa o prémio maior da academia. O melhor é fazer um print do boletim de voto, no site dos óscares, e fazer apostas lá em casa. A noite é de todos.

Rui Henriques Coimbra, em Los Angeles
9:25 Domingo, 7 de março de 2010
Hollywood está a registar lucros nunca vistos antes
Hollywood está a registar lucros nunca vistos antes

Los Angeles está em festa. Até a chuva parou para deixar que se exiba tanta estrela. No hotel Four Seasons, o bar, se for como no ano passado, continuará a ser o poiso obrigatório mais casual. Consta que, numa noite, o lucro só em bebidas foi na ordem dos 300 mil dólares. A festa mais concorrida, ontem, foi no restaurante Campanille, onde a Dreamworks festejou em privado. O mogul Barry Diller teve no jardim tudo que era Jane Fonda e Edward Norton, apesar do mau tempo, que os cocktails se tomam sempre com agrado.

A festa mais invejável vai ser a do produtor Nicolas Chartier, em Malibu, durante a transmissão televisiva: foi ele quem foi proibido de pôr os pés na cerimónia por ter mandado emails a alguns votantes em que só dizia mal do filme Avatar. A Academia achou a estratégia demasiado agressiva, pouco dignificante.

Mas dado que, em Hollywood, há muita gente que preferia ser flagelada no inferno do que ver no pódio da vitória um filme tão caro e milionário como o da dupla James Cameron - Rupert Murdoch Fox Studios, a festa indy de Nicolas Chartier já ganhou foros de contra-revolução.

Há coisas que já se sabem, mesmo antes de começar o desfile no tapete vermelho: elas não tiveram que pagar um cêntimo pelos vestidos de alta costura ou pelos brincos faiscantes, o espartilho não se vê mas está lá (o Spartastic da Victoria's Secret parece ser o favorito na restrição da silhueta), estão todos a tentar encolher a barriga o tempo inteiro e, claro, não saíram de casa sem uma boa passagem pelo ginásio e pelo cabeleireiro e pelo diabo a quatro.

Também já se sabe que o show vai ser apresentado por um homem cerebral, Steve Martin, e por outro acriançado, Alec Baldwin. Este já veio a público revelar o estilo da cerimónia: "Este ano queremos que seja muito inteligente, charmoso e urbano". Martin acrescentou que, fora isto, "Nós os dois também vamos lá estar".

O que não se sabe é se a Sandra Bullock irá, como parece ser possível, ganhar outro prémio este fim-de-semana. Ela acabou de receber o Razzie pelo pior desempenho do ano, no filme All About Steve. Diz-se que Meryl Streep é a única concorrente à altura, mas que este é o ano da Sandra e já não há nada a fazer. A não ser que apareça uma surpresa Preciosa. Ou que a Carey Mulligan, a menina rebelde do filme An Education, leve para casa aquilo que lhe pertence.

Num ano que parecia previsível e que, agora, parece uma corrida de cavalos completamente cansativa até ao fim, o filme de James Cameron, Avatar, não é, afinal, o vencedor antecipado. Num sprint de última hora, o The Hurt Locker parece estar bem posicionado para receber, pelo menos, a estátua para o melhor realizador. Neste caso, realizadora: Kathryn Bigelow.

Gossip extra: a senhora, alta e maravilhosa e bonita e modesta e inteligente, já esteve casada com Cameron. Dá ideia, por vezes, que lhe ensinou algumas das coisas que ele agora exibe. É mesmo. Já estiveram casados e, hoje, domingo, em directo, vão ter a sua guerra mais visível em frente de muitos milhões de espectadores. Como se a cerimónia precisasse de mais drama.

Os únicos dois vencedores à partida continuam a ser Mo'Nique - a mãe monstruosa do filme de Lee Daniels - e o austríaco Christoph Waltz, por um coronel Landa capaz de torturar os seus suspeitos com palavras que podiam bem ter sido escritas por Quentin Tarantino, tão afiadas são. Tudo o resto é uma incógnita, o que vai ser uma vantagem para um show televisivo que precisa de boas audiências de modo a poder sublinhar um ano fiscal positivo e que ficará, assim, fechado com tom triunfal.

Hollywood está a registar lucros nunca vistos antes. Não se admirem se o filme vencedor for aquele que mais dinheiro trouxe à indústria. Em tempo de crise económica e incerteza laboral, o filme artístico talvez tenha de se contentar com a atenção tida até agora. Quanto a Jeff Bridges, continua a sorrir. Nada há que o tire do topo. Esta é fácil prever: ovação de pé.

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