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Os professores e o relatório

José Alberto Quaresma
22:50 Quinta feira, 6 de março de 2008

Aos professores deu-lhes para arejar em magotes impensáveis. Animam o crepúsculo de capitais de distrito e de outras cidades. Prometem, no Sábado, encher a capital das capitais.

Uma senhora de voz maviosa e narizinho de sibila consegue o prodigioso feito de unir os professores. Os mesmos que, das operações de Matemática, a que melhor conheciam era a divisão. Só em sindicatos continuam decompostos por mais de vinte agremiações, não contando com os que militam em organização nenhuma.

Por força das novas tecnologias da comunicação, é vê-los a sair à rua a praticar exercício, a andar em transportes públicos, enchendo autocarros. E os sindicatos, habituados a vir à cabeça das manifestações, apressam o passo para chegar-se à frente. De velinha na mão os docentes parecem fazer preces por água. Mas nem por pão. Apenas imploram à nossa senhora de Lurdes que os deixe em paz.

Em trinta e quatro anos de democracia nunca conheci um tão profundo mal-estar nas escolas. Professores dedicados e competentes, incapazes de faltar a uma única aula lustros a fio, estão profundamente desmoralizados. Vêem que o que mudou, até agora, foi essencialmente a vinda de sobrecargas inesgotáveis de trabalho burocrático à escola. Não lhes sobra tempo para tentarem melhorar as suas práticas com os alunos. São coagidos a trabalhar apenas para o relatório. Depois de terem ficado anos à de espera do novíssimo funil de lata da progressão na carreira, apenas vergada à manha do Orçamento que só pensa pagar um pouco mais ao menor número possível.

No bracinho de ferro entre os professores e a agente da autoridade da 5 de Outubro e apesar das debilidades de alguns, no essencial, aqueles têm razão. E apreendem finalmente que fazer ponte à sexta-feira, ao abrigo da lei da greve, nada muda. Nem dá consciência tranquila a fins-de-semana prolongados. Mas têm de aceitar inequivocamente a avaliação idónea e experimentada do seu desempenho e promover, com a comunidade, uma mudança sustentada da escola em benefício dos seus alunos e dos cidadãos. Não se esquecendo de explicar, muito bem explicadinho, que a parte de leão do abandono, do insucesso e da indisciplina, entra na escola, está na escola. Mas vem coriácea, todos os dias, da casa de muitos pais distraídos da educação dos seus filhos desde o berço. E que exigem que a escola, onde os depositam, faça milagres.

A mudança, imperativa, não pode ser feita contra os professores. Também não é preciso levá-los ao colo. Mas tem de ser realizada com os que estão. É que engendrar outros, à pressa, é difícil.

Palavras-chave  Blogues, Ciência
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O carro à frente dos bois
Manuel.Araújo (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 13:55 | Sexta feira, 7 de março de 2008
A avaliação dos recursos humanos de uma organização é importante, mas quando está alinhada com a visão, a estratégia e os seus objectivos. Os seus clientes ou utentes, pelos quais a organização justifica a sua existência, não estão directamente interessados na avaliação dos seus colaboradores internos. Ela é instrumental. Os clientes estão interessados principalmente na qualidade dos produtos e serviços. Continuar a ser cliente depende, essencialmente, da promessa da organização ser cumprida e de verem as suas necessidades e expectativas satisfeitas. No fundo, o que importa para os clientes ou utentes de um serviço é o resultado. Isto é, visto de fora, o importante é avaliação da organização e dos seus serviços e não a avaliação dos seus colaboradores que é um assunto de gestão interna. Quando há liberdade de escolha e o cliente é competente para apreciar os serviços, ele resolve bem a questão. Se não gosta ou não se sente satisfeito, muda. Na escola portuguesa tal não acontece porque não há liberdade de escolha das famílias, mesmo entre escolas públicas. As crianças e as famílias são obrigadas a consumir os serviços educativos mesmo que não prestem (as famílias não podem escolher as escolas e as escolas não podem escolher os professores). Neste caso, o Estado tem, no mínimo, a obrigação de garantir a sua qualidade. Em vários países europeus, como em Inglaterra, existe uma Agência do Estado mas independente do Ministério da Educação que avalia a qualidade das escolas (quer sejam do Estado central, municipais, confessionais, sociais, cooperativas ou privadas). E faz a avaliação de igual forma e transparência. O relatório anual da inspecção é publicado na Internet e todas as famílias podem aceder à avaliação e classificação da escola (excepcional, bom, suficiente ou não aceitável), com a descrição detalhada, em 10 ou 12 páginas, dos critérios observados, em comparação com o ano anterior. Esta transparência e rigor na avaliação dos resulatdos é importantíssima. Curiosamente (ou talvez não) quando o inspector acaba o relatório e o envia para a escola com as suas conclusões, a carta é dirigida aos alunos (Começa sempre assim: "Dear pupils (queridos alunos, quando estive aí convosco há uma semana...etc.)". Em Portugal, não há avaliação e muito menos é independente. A inspecção do Ministério é burocrática e parcial porque julga em causa (casa) própria, por isso é completamente ineficaz. Neste quadro, o que importa verdadeiramente para as famílias não é a avaliação dos professores que é um problema laboral. O que interessa para as famílias é a avaliação independente e transparente das escolas. Para que as famílias saibam mais sobre as escolas dos seus filhos e para que as escolas assim escrutinadas publicamente possam ter o incentivo de procurarem fazer melhor. Com a actual desfocagem do problema, estão-se a perder energias numa causa pouco interessante. As famílias, actualmente, assistem a manifestações que são essencialmente laborais e a conflitos de relacionamento entre o patrão (Ministério) e os empregados (Professores) que pouco lhes interessam e, no final, pouco vão contribuir para a qualidade mas apenas para simplesmente arrumar alguns vencimentos nas carreiras da função pública. Não é por aí que as escolas vão melhorar. O importante é fazer a avaliação de todas as escolas, independentemente da sua natureza, através de uma agência independente e tornar os resultados públicos, acessíveis na Internet. Depois a questão da avaliação dos professores seria apenas um assunto importante mas apenas interno de cada escola. Cada uma decidiria a forma como esse esse instrumento seria importante para melhorar a sua classificação e qualidade. Se não se quiser ir por aqui, a única solução que resta será dar liberdade de escolha (o que é extraordinariamente dificil porque o sector privado em Portugal é residual, especialmente ao nível do primeiro e segundo ciclo onde os problemas são maiores). Então, pelo menos que se dê liberdade de escolha entre escolas públicas ou com contratos de associação para que as famílias possam pressionar, desta forma, a melhoria do desempenho das escolas e dos professores que lá trabalham. Relativamente à questão actual da avaliação dos professores e ao conflito laboral existente (disfarçado de defesa da escola pública que é, neste contexto, disparate e cortina de fumo), ele só demonstra a falência do sistema. Não é verdade que os conflitos numa organização aumentam quando ela se aproxima duma situação de dificuldade? E que a situação de dificuldade resulta do facto dos clientes ou utentes terem deixado de estar interessadois nos serviços dessa organização?
Actualmente, as famílias são obrigadas a "adquirir gratuitamente" os serviços educativos numa determinada escola mesmo que não gostem dela. Por isso, não havendo liberdade de escolha, concentremo-nos, então, na avaliação transparente da escola e não na avaliação dos professores. Não ponhamos o carro à frente dos bois. Não resulta, perdem-se energias e é factor de distracção!
 
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Mamaevovo (seguir utilizador), 1 ponto , 10:12 | Domingo, 9 de março de 2008
A Avaliação
cidadaoiberico (seguir utilizador), 1 ponto , 10:42 | Sexta feira, 7 de março de 2008
Avaliação dos Professores
 
Tem-se falado muito e mal da avaliação dos professores. Nota-se que pouca gente sabe do que se trata na realidade.
Para defender o ponto de vista do governo, diz-se que não havia até agora... O que não é de todo verdade. Até agora, os professores tinham de apresentar um relatório crítico de actividade, que era analisado por uma comissão de avaliação, e de fazer formação na qual tinham de ser aprovados. Se não houvesse anormalidades, os docentes teriam "Satisfaz". Se o professor não tivesse cumprido as suas funções ser-lhe ia atribuída a menção de "Não Satisfaz". Para obter a classificação de "Bom" e de "Muito Bom" teria de se submeter a um processo com várias etapas de burocracia. Existia um sistema de avaliação, ao contrário do que o Primeiro-Ministro defende ao tentar, mais uma vez, enganar os portugueses, tentando colocá-los contra os "professorzecos" (como a Ministra da Educação os apelida no Parlamento). O Primeiro-Ministro podia dizer que não concordava com ele, mas não pode continuar a mentir, dizendo que não havia.
Passando ao novo modelo de avaliação de desempenho, que não é feito para avaliar os professores, mas para evitar que eles progridam e criar um sucesso fictício e estatístico para europeu ver. Todos reconhecem que não é um modelo perfeito, mas acham que mais vale um modelo imperfeito, subjectivo e injusto do que dialogar com os professores até se criar uma avaliação justa. Defendem que num país em que reina a injustiça não vale a pena avaliar os professores com equidade e justiça.
É um sistema injusto e impraticável, por vários factores:
1.º Os professores titulares e avaliadores foram escolhidos pelos anos de serviço e não pelo mérito nem pela competência (onde está a preocupação com o mérito e com a excelência?);
2.º Os professores que vão avaliar não têm formação na supervisão de aulas;
3.º Teremos professores de Francês a avaliar aulas de professores de Inglês, e de Educação Tecnológica a avaliar docentes de Educação Física ou vice-versa;
4.º Em muitos casos, os professores avaliados têm muito mais formação do que os avaliadores;
5.º Os professores titulares vão avaliar se os outros recorrem às novas tecnologias e muitos dos avaliadores não sabem enviar um mail, ligar um computador ou o que é um powerpoint;
6.º Os titulares vão avaliar o sucesso dos outros, quando, em grande parte dos casos, são eles que têm uma maior percentagem de insucesso;
7.º Os avaliadores vão avaliar professores de níveis de ensino diferentes daqueles que estão habituados a leccionar, sendo o discurso do docente obrigatoriamente distinto;
8.º Os professores perderão autoridade na sala de aula, perante os seus alunos, no dia em que entrar um titular para avaliar o professor;
9.º Só os resultados dos professores de Língua Portuguesa e de Matemática poderão ser confrontados com os dos Exames Nacionais do 3º Ciclo, o que é uma injustiça para os docentes dessas disciplinas;
10.º Os professores só ficarão com as turmas com alunos com mais dificuldades, caso não possam fugir, pois terão famílias para sustentar e empréstimos para pagar;
11.º Um professor que queira ser honesto e exigente será avaliado negativamente e corrido do ensino;
12.º Serão premiados os professores de disciplinas que não dêem testes;
13.º Se um professor tiver o azar de ter um aluno que abandone a escola para emigrar ou que os pais não tenham condições para o manter a estudar, será penalizadíssimo na sua avaliação;
14.º Se um docente tiver o azar de perder um familiar próximo ou a sorte de ter um filho, será gravemente penalizado na sua avaliação, se faltar os dias a que tem direito por lei;
15.º Se acompanhar alunos de algumas turmas numa visita de estudo e deixar outras turmas com substituição, também é considerada falta de assiduidade às actividades lectivas, imagine-se!!!!
16.º Como os avaliadores e os avaliados já leccionam juntos há muito tempo, há colegas de trabalho que não se falam e os titulares podem aproveitar para se vingar e estragar a vida aos avaliados...
17.º Numa primeira fase, os titulares não serão avaliados por ninguém (onde está a excelência?);
18.º Não vale a pena ter "excelente" ou "muito bom", porque já não haverá vagas para titulares, quando nos for permitido tentar subir na carreira;
19.º Os resultados da avaliação dos alunos serão comparados entre disciplinas com competências totalmente diferentes. Por exemplo, ao comparar-se os resultados de Matemática com os de Educação Física, descobre-se facilmente qual o professor que sairá penalizado e terá de ir para o desemprego, se obtiver duas avaliações "Regulares";
20.º Os professores serão avaliados pelo recurso às novas tecnologias e as escolas não têm projectores nem telas nas salas, as tomadas não funcionam, a electricidade desliga-se constantemente, nem há extensões suficientes!
21.º Os docentes serão avaliados pelas fichas formativas que forneçam aos alunos e só podem tirar fotocópias de testes de avaliação sumativa e, quando as escolas forem entregues às câmaras, nem a isso terão direito.
Estas são algumas situações reais, haverá muitas outras que eu desconheço. Só um louco pode achar isto positivo, a não ser que se queira destruir de vez com o ensino público, enviando todos os professores para o desemprego.
O que se conseguiu até agora com o novo modelo de avaliação:
a) Há um constrangimento entre os professores titulares e os "professorzecos";
b) Não há diálogo entre os docentes, havendo um "ruidoso" silêncio sepulcral na sala de professores;
c) Não há partilha de materiais por causa da competição, pois as quotas, que ainda não foram publicadas, serão muito reduzidas;
d) Estão todos desmotivados;
e) Os professores estão a entrar na escola às 8 horas e 30 minutos e a saírem depois das 22 horas, sem que ninguém lhes pague horas extraordinárias, a analisar grelhas, indicadores e instrumentos de avaliação, como se estivessem a cavar a sua própria sepultura;
f) Não há tempo para preparar aulas, desenvolver estratégias diferenciadas, elaborar e corrigir testes.
Se nos aspectos que eu referi, houver algo que não seja correcto, agradeço que me provem o contrário pelo e-mail: salvarescola@gmail.com. É evidente que esta avaliação só terá efeitos em 2009, porque as injustiças e os processos em tribunal serão tantos que alguém acordará e mudará tudo outra vez, mas, até lá, seremos umas cobaias de algo que sabemos que foi feito por alguém que não conhece a realidade das escolas.
Sinceramente, digam-me se os professores conscientes não terão direito há indignação.
Gostava de poder explicar estes aspectos ao Primeiro-Ministro e propor um modelo de avaliação mais simples, justo e eficaz, mas ele não me recebe, porque não gosta de ouvir quem está no terreno e porque não sou militante socialista. Sou um reles "professorzeco", como nos qualificou a Ministra, mas vindo dela só pode ser um elogio, porque eu sei desde muito novo que os Açores fazem parte da República Portuguesa.
Já que a melhor arma é a escrita vou escrever tanto até ser ouvido por quem possa salvar a Educação.
 
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    Re: A Avaliação    Ver comentário
MariaComenta (seguir utilizador), 1 ponto , 14:40 | Sexta feira, 7 de março de 2008
    A iliteracia    Ver comentário
cidadaoiberico (seguir utilizador), 1 ponto , 15:01 | Sexta feira, 7 de março de 2008
    Re: A iliteracia    Ver comentário
MariaComenta (seguir utilizador), 1 ponto , 15:36 | Sexta feira, 7 de março de 2008
    Re: A Avaliação    Ver comentário
Myshkin (seguir utilizador), 1 ponto , 17:06 | Sexta feira, 7 de março de 2008
CONFAP - FANTASTICO
cidadaoiberico (seguir utilizador), 1 ponto , 15:19 | Sexta feira, 7 de março de 2008
Soube há momentos que o tesoureiro da Confap, desviou 60 000 euros da associção, tudo encoberto pelo menino albino, o legitimo:

este senhor foi eleito com 200 associações presentes em Gondomar, num universo de 1700, ou seja, 1500 não puseram lá os pés por não concordarem com a palhaçada; 600 vão formar outra associação, ou seja este sugeito tachista, recebe o dinheiro dos contribuintes, gasta-o mal, divide os pais e vende-se à ministra por interesses no aparelho ou na administração, só pode. Zangam-se as cumadres sabem-se as verdades.
 
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    E você plágio!! Qual é que é mais grave?    Ver comentário
MariaComenta (seguir utilizador), 1 ponto , 15:51 | Sexta feira, 7 de março de 2008
    Emenda: situação    Ver comentário
MariaComenta (seguir utilizador), 1 ponto , 16:01 | Sexta feira, 7 de março de 2008
    Re: Emenda: situação    Ver comentário
Myshkin (seguir utilizador), 1 ponto , 17:16 | Sexta feira, 7 de março de 2008
a defesa do tacho
Carlos A R Ferreira (seguir utilizador), 1 ponto , 17:44 | Sexta feira, 7 de março de 2008
Este ajuntamento de professores é um passeio de gente que não quer acordar.
É que os outros já acordaram há décadas para uma vida normal, pelo que enxergam muito bem o que motiva os professores. Falam muito da dignidade, porque nunca a tiveram desde o 25 de Abril.
 
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