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Os párias

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
0:00 Quinta feira, 2 de setembro de 2010

Violando todas as regras europeias, Sarkozy continua o repatriamento dos ciganos romenos e búlgaros. Em tempo de crise, há que encontrar alvos fáceis. E eles tanto podem ser ciganos, os imigrantes ou apenas os mais pobres dos mais pobres. É dos livros: atiçando o povo contra os desgraçados se salvam os poderosos.

Eternos perdedores, expulsos vezes sem conta dos seus próprios países, os 'romas' tiveram direito ao mesmo tratamento dado aos judeus nos campos de concentração nazis. Mas nem a história recorda o seu meio milhão de mortos durante o Holocausto. Párias de sempre, foram sendo, como os judeus, bode expiatório de todos os males. Como todos os povos sem terra, foi sempre o isolamento que os salvou. Com algumas diferenças: ao contrário dos judeus não têm uma religião própria, ao contrário dos arménios e dos curdos não têm uma origem territorial clara e ao contrário dos beduínos o seu modo de vida desapareceu sem remédio. Nada, a não ser as suas leis arcaicas e os seus estranhos costumes, os protegem da assimilação que não lhes reservaria mais do que o fundo do fundo da pirâmide social. Hostilizados por todos os regimes, aprenderam a desconfiar dos estranhos e a recusar qualquer contrato social. Mas eles são, desde a Idade Média, tão europeus como qualquer europeu.

Não fujo ao problema: conviver com os costumes ciganos não é fácil. Porque para conviver com a diferença não chega boa vontade. E a coisa piora porque as suas regras são de um tempo que acabou. A esmagadora maioria dos ciganos já não é nómada. As atividades a que se dedicavam foram industrializadas e eles perderam o seu lugar nas nossas sociedades. Restam-lhes duas possibilidades: ou se integram e desaparecem enquanto comunidade ou resistem numa tensão permanente com tudo o que os rodeia. Não é uma escolha fácil.

Do nosso lado, a alternativa ao ódio não deve ser negar a dificuldade. Depois de tantos séculos, talvez seja altura de perceber que, mesmo que a integração se vá fazendo, ela não deixará de ser dolorosa. A resposta europeia aos que preferem escarafunchar na ferida para ganhar vantagem política é ir resolvendo conflitos. E isso demora tempo. Séculos. A eternidade. Porque, já se sabe, o inferno são os outros. E os ciganos sempre foram os outros.

Jogada perigosa


O cenário das presidenciais era o ideal para o PCP. Com a estratégia de unidade à esquerda seguida pelo Bloco, podia finalmente ir buscar-lhe votos descontentes. E com uma figura credível, como Octávio Teixeira ou Carvalho da Silva, tinha a oportunidade de crescer em eleitorado indiferenciado. Mas o PCP preferiu escolher um obscuro dirigente - que apesar de pouco conhecido é o homem atrás de Jerónimo -, sem qualquer carisma e de uma ortodoxia perturbante. Esta opção só pode ter duas explicações: ou a linha dura, que dirige o PCP há meia dúzia de anos está cega pelo seu próprio dogmatismo e não corre o risco de ter menos do que indefetíveis a representá-la, ou esta candidatura é o primeiro passo para substituir o simpático e inofensivo Jerónimo de Sousa. Seja como for, trata-se de uma jogada perigosa: um mau resultado, bem possível para um ilustre desconhecido numa eleição muito personalizada, pode pôr em causa a sucessão pretendida e, mais importante, abalar o poder do grupo que, de limpeza em limpeza, foi tomando a direção do PCP.

danieloliveira.lx@gmail.com

Texto publicado na edição do Expresso de 28 de agosto de 2010

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Várias perguntas
userEX162824 (seguir utilizador), 1 ponto , 1:38 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
Quais são, concretamente, os países dos ciganos nómadas, dos quais eles são expulsos? O DO, logo a seguir, diz que eles são “povos sem terra”…

Porque é que mantêm as suas leis arcaicas e o seu modo de vida associal (ou mesmo anti-social)?

Se eles são perseguidos por serem “diferentes”, porque é que não se adaptam e tornam-se “iguais”?

Se eles se integrassem e misturassem com a maioria, não ascenderiam do “fundo da tabela” para o meio, ou mesmo para o topo?

Porque é que um homem cigano pode casar com uma não cigana, mas uma cigana não se pode casar com um não cigano?

Porque é que os ciganos podem ser racistas em relação aos não-ciganos sem que isso lhes seja censurado pela "esquerda"?

O que é que define os ciganos como “tão europeus como qualquer europeu”?

Porque é que tem de ser sempre a maioria a ter de “conviver com a diferença”? E às minorias não se exige nada, sei lá, bom comportamento, adaptação, sociabilização e assimilação?
 
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filipe@rio (seguir utilizador), 1 ponto , 2:50 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
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Salazarista (seguir utilizador), 1 ponto , 11:46 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
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tbalesteros (seguir utilizador), 1 ponto , 20:59 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
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userEX162824 (seguir utilizador), 1 ponto , 14:13 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
Chega!
Samm (seguir utilizador), 1 ponto , 9:30 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
Já chega da porcaria da conversa dos coitadinhos, párias ou o que seja! Sim, os ciganos são uma minoria, são tratados com medo, indiferença, não lhes são dadas oportunidades iguais, e provavelmente ninguém contrataria um individuo dessa etnia.

Sim, bem sei que se ninguém os contrata e se os tratam de forma diferente, que não têm hipotese de viver como iguais na nossa sociedade. Pescadinha de rabo na boca.

Sou de esquerda, mas a ideia de defender e respeitar quem não respeita, faz-me alguma confusão.

Se o nosso estado social fosse um bote salva-vidas com lotação máxima defininda, há muito boa gente que acha que podemos continuar a puxar individuos do mar, para dentro do bote. Um dia vai afundar.

Sem tolhar o direito à diferença e particularidades culturais, os direitos dos ciganos acabam onde começam os meus. Porque tenho eu que pagar casas, rendimentos mínimos, tolerar a violência a estes parasitas quem tentam afundar o bote onde estamos?

Como qualquer imigrante, se estiver ilegal e não tiver forma de rendimento, deverá ser repatriado, seja ele cigano, romeno, australiano ou esquimó.

Já chega de falsas moralidades e de defender o indefensável. Os ciganos são parasitas, não respeitam leis nem direitos, são por regra extramente violentos e grande percentagem não tem sequer ocupação.

E já agora, senhor Daniel Oliveira... a maioria dos ciganos já não é nómada porque vive numa casa paga com o seu e com o meu dinheiro!!!
 
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DO,os párias,e os outros...
Johnny Guitar (seguir utilizador), 1 ponto , 20:12 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
DO,sempre obsecado pelo "políticamente correcto",quer aqui,quer nas suas prestações no"Eixo do Mal",como todo o obsecado que se preza,nem sequer se ouve a si próprio! Diz ele:não fujo ao problema...Conviver com a diferença,não é fácil! A questão é que ele não tem que conviver com problema nenhum deste tipo,e é-lhe fácil chamar "diferença",ás características das minorias,que pura e simplesmente recusam adaptações de qualquer espécie,a começar pelos direitos dos seus próprios elementos,desde que não sejam "homens adultos",ou seja,crianças destinadas ao analfabetismo e mulheres condenadas ao sub-humanismo não o chocam!É claro que DO não se considera ele próprio membro de uma minoria descriminada,não passivel de ser extinta,embora seja cidadão de um País,que muitos outros - que também se consideram superiores - pensem que também somos "diferentes",ou seja,estúpidos,incultos,e inúreis,e portanto ,em risco de sermos considerados "persona non grata",na comunidade europeia chamada de "desenvolvida"...O "políticamente correcto"é um dos maiores venenos das Democracias!
 
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Se eles lá estão, é Europa
jpafonso (seguir utilizador), 1 ponto , 21:20 | Quinta feira, 2 de setembro de 2010
Suponho que é fatal como o destino. Nos tempos que passam, basta alguém falar dum pouco das história dos Ciganos, das dificuldades da integração, mas também da dificuldade em convencê-los a se integrar, e logo alguém acusa o orador de ser ingénuo, esquerda bem-pensante (como querendo dizer, sem miolos e pés na terra), a vergonha dos bem-protegidos que cospem nos que os protegem.

Ultimamente, tenho encontrado muito disto, até em pessoas que se queriam mais sensatas. Passar-me-ia ao lado senão houvesse propósitos claramente maniqueístas. Por exemplo, os visados deste discurso não são somente os ciganos mas os "esquerdistas" que os protegem... e no entanto, devia ser muito claro que a alergia ao fenómeno cigano é transversal, afectando tanto pessoas de esquerda como de direita. Segundo, não me parece que instituições como a Igreja Católica ou o Expresso possam ser considerados como esquerdistas. A associação que se pretende fazer entre esquerda e ciganice não é inocente, não é honesta, e dá razão à frase de DO: "É dos livros: atiçando o povo contra os desgraçados se salvam os poderosos". Não admira que o Expresso usasse a palavra Vergonha no seu editorial.

É verdade, os ciganos são Europeus, de facto, foram Europeus antes de os outros o serem. Digo isto com uma ponta de ironia porque na discussão das fronteiras da Europa, talvez devêssemos olhar onde eles estão. Se eles lá estão, é Europa, sem dúvida.
 
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