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Os negócios do dr. António Borges

8:00 Segunda feira, 7 de abril de 2008
O dr. António Borges - a já tradicional esperança do PSD - fez recentemente uma grave denúncia: depois de ter anunciado publicamente que iria colaborar com o PSD quando era vice-presidente do Goldman Sachs, o Governo PS desforrou-se cortando contratos ao seu banco.O mais triste desta história é que o dr. António Borges fez em tempos algumas críticas que pareciam fundadas à mistura entre decisões económicas e decisões políticas apontando os danos que isso causava à economia portuguesa. A falta de regras, o favoritismo - o "crony capitalism" luso - pareciam ser o alvo de algumas das suas intervenções e tudo isto está presente no Governo Sócrates com os seus grandes projectos e os seus pequenos negócios. O conhecimento do interior destas histórias e a capacidade para um discurso bem elaborado dava algum peso às intervenções de António Borges, só que não sabíamos que estava a pleitear em causa própria. O episódio é revelador da estreiteza do palco em Portugal: a importância das encomendas públicas e dos contratos com o Estado tornam quase impossível a existência de uma oposição que não seja exclusivamente composta por políticos profissionais. O Governo tem uma ampla liberdade de escolha e a transparência dessas escolhas é nula: quando, por exemplo, o Estado tem necessidade de ser defendido tem de recorrer a grandes escritórios. Não há uma outra solução a não ser que aceitemos uma desigualdade estrutural entre o Estado e as empresas com que tem relações, negociações e inevitáveis litígios: no entanto, uns pingos de transparência, que não existe, poderiam eliminar muitas suspeições (se estas não tiverem base) nas relações dos gabinetes ministeriais com advogados e consultores. A regra para a prestação destes serviços não pode ser o concurso público nem a adjudicação a quem leve mais barato: mas como todo o contrato público tem que ter regras e princípios. 

O Estado não pode chamar a si a liberdade de escolha que caracteriza as empresas porque a isso chama-se nepotismo e outros nomes feios. Essa liberdade é uma fonte de poder e reduz drasticamente o número dos potenciais críticos do Governo e é por isso mesmo uma das causas principais do mau Governo. O episódio Borges recorda-nos tudo isso; e também o velho princípio de que quem vai à procura de equidade recorrendo à justiça do chanceler deve ter sempre as mãos limpas.

Fiscalista

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Sempre tive pé atrás para,
Professor.com.muita. (seguir utilizador), 1 ponto , 1:01 | Terça feira, 8 de abril de 2008
os ditos "homens providenciais"
Normalmente são piores que todos os outros (vidé Paulo Portas).

Apenas uma pergunta:
- Não é verdade o que li, que quem tirou a mama ao A.Borges e à G-S foi o governo do Santana?
É que se foi é na mesma por politiquice.
O A.Borges, fartou-se de dizer que o Santana não servia, e depois claro, o gajo tirou-lhe os milhões que ganhavam em consultoria ao estado.

Afinal foi o Santana ou o Sócrates?

Afinal, outra pergunta.
-Se quando acabou a mama no governo português por parte da G-S, despediram o A.Borges, isto não será demolidor para a imagem de grande capacidade que os media sempre deram do A.Borges?
Será que só se aguentava no lugar porque arranjava "massa" portuguesa aos milhões para a Firma G-S?
 
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