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Os magistrados não são funcionários públicos

Elite portuguesa é incapaz de manter um debate sobre um dado assunto. Nesta semana, já ninguém fala da crise estrutural da Justiça, o Apocalipse da semana passada.

Henrique Raposo (www.expresso.pt)
10:13 Terça feira, 17 de agosto de 2010

I. É sempre assim: numa semana, surge uma pontinha do icebergue e toda a gente debate histericamente a Justiça, ou melhor, os nomes e pessoas da Justiça. Depois, o icebergue volta a submergir e a discussão sobre a Justiça desaparece. A elite portuguesa - jornalistas, colunistas, políticos - é incapaz de manter um debate racional e reformador sobre a Justiça. O "debate" (três camadas de aspas) anda ao sabor das pontinhas do icebergue que os magistrados deixam escapar para os jornais. É triste. Temos uma elite incapaz de repensar o país de forma institucional.

II. A primeira grande reforma a fazer na Justiça é a extinção dos sindicatos de magistrados. Titulares de cargos de soberania não podem ter sindicatos. A soberania não faz greve sobre a soberania (seria uma contradição em termos). Mais: os actores institucionais do estado de direito (magistrados e polícias) não são funcionários do estado social (enfermeiros, professores, etc.). E quem defende o estado de direito não pode ter organizações sindicais e corporativas. Por outras palavras, os magistrados não são funcionários públicos (Jorge Miranda dixit; ver Expresso de sábado).

III. O polícia, o oficial, o diplomata e o magistrado não são funcionários públicos. Se não compreendermos isto, não seremos capazes de reformar a Justiça. Aliás, se não assimilarmos isto, não seremos capazes de reformar o Estado.

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A elite é portuguesa
CãodaRosa (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 11:47 | Terça feira, 17 de agosto de 2010

Ao ler a peça fiquei a saber que afinal a elite é portuguesa, é quem pensa e repensa e com tamanha trabalheira, não é tuga com certeza. Valha-nos isso, temos alguns portugueses e dos bons, tudo indica. Sobre os Magistrados temos de fazer o "distinguo" , entre os Judiciais e os do Ministério Público, é que quer se queira quer não, como alguém diz "Magistratura há só uma a Judicial e mais nenhuma." Logo, não se pode alvitrar o fim de todos os sindicatos pois o do MP justifica-se, trata-se de uma estrutura hierarquizada, tem um “chefe” a quem deve obediência, os seus funcionários precisam de ser defendidos. Já no que respeita à Magistratura Judicial enquanto órgão de soberania, embora não veja qual o mal que tem o sindicato, será de pensar, pela tal elite, se deve ser extinto. Mas é tarefa que cabe aos Juízes, que não são tugas e sabem decidir do seu destino.
 
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Não são funcionários públicos?
vera borges (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 12:09 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
Não é o Estado que lhes paga? Não lhes dão emprego garantido para toda a vida? Reforma? Saúde gratuita … e mais não sei quantos direitos . Os ditos senhores falam e ouvem sentados, os que estão de pé perante eles…
Ainda que salvo algumas excepções pessoais… temos o quê? Um sistema de incompetência, mediocridade, que não é credível? Ou alguém acha que é?
Acha que a justiça é igual para todos? Então porque anda por aí tanta gente de fato e gravata a passear nos seus carros topo de gama e ninguém “os mete lá dentro”?
 
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Ena, ao fim de um ano quase acertava uma
PANTE44 (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 15:11 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
Ora então não são funcionários públicos?!
De facto não recebem como tal (recebem muito mais), não estão sujeitos a processos como os outros, têm uma serie de benefícios que outros não têm mas tudo isto é pago pelo estado. Afinal em que ficamos, são ou não são F.P.?
Se calhar o que queria dizer H.R. é que eles são F.P. no estatuto mas na realidade não o são.
Tem sindicato, são sempre apreciados na sua actividade com pelo menos um Bom, arrastam processos eternamente, nunca ficam sujeitos a pressão nem stress, definem a vida dos outros em conveniência com a sua, etc.
São de facto uma classe a parte, protegida por políticos e grandes gabinetes de Advogados a quem este estado da justiça agrada sobre maneira. Eles são os protectores de todos aqueles que dominam a sociedade para o bem e para o mal.
Temos que deixar de ser cínicos e enfrentar a realidade, a justiça está péssima, a politica esta de rastos e cerca de duzentos mil portugueses ganham comisso e o resto é conversa para jogar fora.
 
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Eleições,e depressa.
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 10:44 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
lªnota:O Ministério Público não é um Orgão de Soberania-é um organismo autónomo ,acima dele estão os Tribunais.
Pinto Monteiro, o actual Procurador Geral é o único culpado :É o Procurador chefe há vários anos,não se soube fazer respeitar -foi dúbvio na sua acção,tomou partido em processos que envolvem Sócrates e desculpou-se esfarrapadamente em entrevistas dignas de principiante.
E quando o Procurador Geral não passa de um mero BEDEL DOS DIREITOS-não há nada a fazer.
2ºnota: O problema do País não é da Justiça: É POLITICO.
E enquanto Portugal não tiver um Governo CREDIVEL, de gente séria e honesta, não vamos a lado nenhum.
Sócrates ,o lº, está queimado até ao tutano em PROCESSOS .Passa mais tempo a falar com advogados para o defender do que a pensar nos problemas do País.
Eleições e depressa, é a única solução.
Só um novo Governo, em quem se possa confiar,permitirá, com a paz necessária, falar de novo nas reformas do Estado, que respondam aos problemas dos Portugueses.Reformas sentidas e compreendidas por todos e não para servir apenas os interesses de alguns.
 
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    Há já reparou que o texto era sobre outra coisa?    Ver comentário
José Telhado (seguir utilizador), 2 pontos , 11:04 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
    Errata: Ah! Já reparou que o tema era outro?    Ver comentário
José Telhado (seguir utilizador), 2 pontos , 11:06 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
    Manuel Alegre escapou ao saneamento no PS    Ver comentário
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 11:24 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
    Fanatismo sim!    Ver comentário
José Telhado (seguir utilizador), 2 pontos , 11:34 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
    O silêncio de Alegre é cobardia    Ver comentário
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 11:43 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
    Você é casmurro!    Ver comentário
José Telhado (seguir utilizador), 2 pontos , 11:50 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
    Re: Manuel Alegre escapou ao saneamento no PS    Ver comentário
George Rupp (seguir utilizador), 1 ponto , 11:38 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
    Mário Soares,hoje,podia ser o Presidente da Repúbl    Ver comentário
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 11:46 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
    Re: Mário Soares,hoje,podia ser o Presidente da Re    Ver comentário
George Rupp (seguir utilizador), 1 ponto , 11:52 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
    O pessoal do" balde da cola"    Ver comentário
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 11:55 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
    Re: O pessoal do balde da cola    Ver comentário
George Rupp (seguir utilizador), 1 ponto , 14:56 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
    Re: Manuel Alegre escapou ao saneamento no PS    Ver comentário
Ricardo37 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:49 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
    Re: Manuel Alegre escapou ao saneamento no PS    Ver comentário
George Rupp (seguir utilizador), 1 ponto , 11:57 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
    Re: Manuel Alegre escapou ao saneamento no PS    Ver comentário
Ricardo37 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:18 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
    Re: Manuel Alegre escapou ao saneamento no PS    Ver comentário
George Rupp (seguir utilizador), 1 ponto , 12:47 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
    De que fala você?    Ver comentário
Professor.com.muita. (seguir utilizador), 1 ponto , 18:49 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
QUEM QUER REFORMAR A JUSTIÇA?
Anamanacosta (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 10:50 | Terça feira, 17 de agosto de 2010

Teremos o que merecemos?
Ouço dizer que isto nunca esteve tão bom. Não na televisão nem noutros órgãos de comunicação social. A elite portuguesa, da qual tão simpaticamente faz parte, também afirma que as coisas estão más. Mas extinguir o sindicato dos magistrados, o sindicato dos polícias, instituições estabelecidas á custa de muita água e sacrifícios parece ser demais. Quando é que voltaria a ser divulgada outra carta aberta salientando que “a hierarquia do Ministério Público está moribunda”, um texto tão esclarecedor sobre o funcionamento e os meandros da Justiça, escrito por quem está por dentro e muito tem a ver com o estado da dita.
 
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Todo o apoio à extinção deste sindicato !
José Telhado (seguir utilizador), 2 pontos , 10:59 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
Ora se os magistrados não são funcionários públicos, é óbvio que não devem ter sindicatos ou fazer greve. Quem faz greve pressupõe que do outro lado está um poder e o sindicato ficaria na posição de contra-poder. Mas se o poder judicial é um poder independente, que sentido faz ter um contra-poder quando eles são o próprio poder. Um absurdo que urge corrigir extinguindo os sindicatos dos magistrados.

Caríssimo, se as suas palavras forem ouvidas, este seu texto valeu por todos os que já escreveu até agora e o País ficar-lhe-á grato por esta sua mui inteligente intervenção.

Bem Haja!
 
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    A lei da rolha no Ministério Público !    Ver comentário
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 11:36 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
    Re: A lei da rolha só conheço a do PSD!    Ver comentário
José Telhado (seguir utilizador), 2 pontos , 11:39 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
    Re: Todo o apoio à extinção deste sindicato !    Ver comentário
userEX105252 (seguir utilizador), 1 ponto , 14:35 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
    As asneiras de HR    Ver comentário
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 14:40 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
Funcionários públicos?
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 12:05 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
Mas querem insultar os FP mas estou-me a referir aqueles que trabalham, os de pau como o sr rui rio apelidou, e que não tinha trabalho para eles mas se fossem inginheiros e afins já tinha?
Não confudam os escravos com a elite vergonhosa deste país.
Esta democracia só serve os interesses dos democRATAS.
 
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Quem lida com a desgraça ...
Nunogu (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 12:33 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
Sendo FP ou não, com Sindicatos ou não, o certo é que as classes que lidam com a desgraça alheia, são as que dominam o País e tem os rendimentos (declarados ou não) mais elevados.
Vejam-se os Advogados, Médicos, Juizes, Banca e mais alguns.
Enquanto formos governados por pessoas que propoem a Lei, escrevem a Lei, alteram a Lei, julgam a Lei e usam a Lei para defender e atacar, não evoluimos, porque são os mesmos que fazem isto tudo. Quem constroi o Labirinto é que o vai percorrer. Deve haver exclusividade nestes casos.
 
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Que estranho
Ricardo37 (seguir utilizador), 1 ponto , 10:39 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
Concordo com o facto da 'justiça' - que de jverdadeira justiça tem muito pouco - ter de ser urgentemente reformada, até pela percepção generalizada de ser a área de funcionamento do estado que (de longe) pior funciona ... havendo inumeros casos onde não funciona de todo.

Não sou entendido, ainda assim estranho que uma reforma tenha de começar pela extinção de um sindicato, mesmo que este nunca devesse ter existido.

Com tanta coisa profundamente errada na justiça, porque raio deve o governo gastar energia com a extinção desse sindicato, quando tem seguramente áreas muitissímo mais proveitosas (no sentido de circurgicas) para intervir.
 
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Artigo interessante e oportuno...
JF Pereira (seguir utilizador), 1 ponto , 12:38 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
O HR, agora deu em escrever sobre assuntos sérios, ainda bem, já estava farto da sua obseção pelo Sócrates.
Quanto ao artigo, estou inteiramente de acordo, os sindicatos dos orgãos de soberania, não têm razão se ser e funcionam como contra-poder das respetivas corporações, descredibilizando as suas funções. Agora era preciso que os partidos se entendessem e alterassem es te estado de coisas, mas a proposta de revisão constitucional do PSD, não está preocupada com a justiça...
 
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    Re: Artigo interessante e oportuno...    Ver comentário
userEX105252 (seguir utilizador), 1 ponto , 14:30 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
    Re: Artigo interessante e oportuno...    Ver comentário
JF Pereira (seguir utilizador), 1 ponto , 14:54 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
gostei desta parte...
airsebas (seguir utilizador), 1 ponto , 18:44 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
"A elite portuguesa - jornalistas, colunistas, políticos".
não sei, fez-me rir. de resto é a conversa do costume, falar do que não se conhece, mandar umas bacoradas de vez em quando e receber o dele ao fim do mês.
sobre o tema, acho que há outros problemas na justiça bem mais "terra a terra", mas que para os resolver teriam que ser tomadas medidas que não passam só pelos tribunais. a justiça teria de ser vista como um todo, coisa que não acontece e nem vejo as "mentes brilhantes" que têm poder de decisão nessa matéria a discutir esses assuntos.
 
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...tá-se!...
juxpot (seguir utilizador), 1 ponto , 21:14 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
No dia de hoje Portugal está salvo! À falta de uma elite que pense e repense o país, eis que nos aparece sebastianicamente aqui o rapozote, capaz de perorar e opinar sobre tudo e mais alguma coisa. O jornal Expresso é hoje, como sempre foi antes, o baluarte da excelência jornalística. Nestes termos, Henrique Monteiro pelo respeito intelectual que é devido aos leitores, tem a obrigação de vir a terreiro explicar pormenorizadamente esta tão repentina quão preocupante concessão do semanário ao banalismo e à mediocridade, com a atribuição de 'palco' a um escriba manifestamente de ideias desafinadas. Não obstante discordarmos do que escreve, podia até haver um discurso articulado e uma conexação de ideias para rebatermos as garatujas cá do Raposo. Mas não. É impossível. O sonho do catraio é apenas e tão só, através de frases curtas e inócuas, tentar produzir um «soundbyte» que dê importância à sua existência...

 
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Os magistrados não são funcionários públicos
Heinkel (seguir utilizador), 1 ponto , 22:58 | Terça feira, 17 de agosto de 2010
Será por isso que defendem interesses privados?
 
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