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António Lobo Antunes lança críticas

"Os livros em Portugal são indecentemente caros"

O autor de 'Arquipélago da Insónia' recebeu ontem o Prémio Clube Literário do Porto e deixou uma mensagem: "quem lê não são as classes altas, é a classe média baixa, como se pode observar nas feiras do livro". (Veja o vídeo no fim do texto)

11:53 Domingo, 28 de dezembro de 2008
António Lobo Antunes revelou à comunicação social que poderá haver um novo livro seu "
talvez para o fim do ano que vem"
António Lobo Antunes revelou à comunicação social que poderá haver um novo livro seu " talvez para o fim do ano que vem"

O escritor António Lobo Antunes considerou ontem no Porto que os livros em Portugal são "indecentemente caros", referindo que "há países com maior poder de compra onde são muito mais baratos", como Alemanha, Holanda e Noruega.

O autor de 'Arquipélago da Insónia', publicado este ano e que já vai na sétima edição, falou durante a cerimónia em que recebeu o Prémio Clube Literário do Porto, com um valor pecuniário de 25.000 euros.

Lobo Antunes, de 68 anos, foi apresentado pelo jornalista, comentador e professor Carlos Magno como um autor que "escreve sobre a contemporaneidade como poucos o fazem neste país", fazendo uso de uma "ironia absolutamente a toda a prova".

O escritor disse que não podia deixar de estar no Porto para receber o prémio, por ter "uma dívida de gratidão muito grande para com a cidade", que vem do tempo em que esteve internado num hospital lisboeta, a lutar contra um cancro.

"Quando há dois anos estive muito doente, recebi sete, oito mil cartas e a maior parte eram do Porto. Isso é uma coisa que nunca poderei pagar", explicou.

O autor falou sobre a sua doença, a morte, a escrita, a cultura, a guerra, o preço dos livros, entre outros temas. Disse por exemplo que os governos pouco têm feito pela cultura desde o 25 de Abril de 1974.

"Quem tem trabalhado com a cultura são as autarquias e são fundações" como aquela a que está ligado o Clube Literário do Porto, a Fundação Dr. Luís de Araújo, defendeu.

Como autor, o que o move é "tentar colocar em palavras o que por definição é impossível contar em palavras, como as emoções ou os impulsos". Lobo Antunes evocou Ernesto Melo Antunes, que foi um dos ideólogos do 25 de Abril e morreu há nove anos, tendo mantido com ele uma grande amizade.

"A morte de um amigo é uma coisa irreparável", resumiu, para depois acrescentar que "o que aparece nos livros são estas coisas todas, ou seja, a vida".

"Os portugueses vivem tão mal e os livros são tão indecentemente caros!", criticou, em seguida, frisando que "que quem lê não são as classes altas, é a classe média baixa, como se pode observar nas feiras do livro".

O presidente da Fundação Dr. Luís de Araújo, Augusto Morais, ofereceu a Lobo Antunes um elefante prateado, que definiu como sendo "uma provocação à memória" do escritor.

O autor de "Memoria de Elefante", o seu primeiro livro, lançado em 1979, recordou que ninguém, na altura, queria publicar este livro, que acabou por ser um êxito editorial.

Perante uma plateia constituída por várias dezenas de pessoas, entre elas muitos jovens, Lobo Antunes falou sobre a sua experiência enquanto doente com um cancro, dizendo que viveu então "uma mistura de sentimentos" e que passou depois "dois meses sentado numa cadeira, completamente vazio".

Segundo Lobo Antunes, a doença deu-lhe outra perspectiva sobre a vida. "A gente passa a jogar com as cartas para cima; não há nada para esconder", sustentou.

António Lobo Antunes revelou à comunicação social que poderá haver um novo livro seu "talvez para o fim do ano que vem". "Não depende só de mim, penso que sim, se for capaz de o acabar", completou.

O Prémio Clube Literário do Porto tem "um significado muito maior do que um prémio no estrangeiro, por maior nome que o prémio tenha". "É para as pessoas do meu país que eu escrevo", justificou.

Esta é a quarta edição do Prémio Clube Literário do Porto, que nos anos anteriores distinguiu os escritores Mário Cláudio, Armando Baptista Bastos, e Miguel Sousa Tavares.


Clique no vídeo do YouTube para ver uma entrevista com António Lobo Antunes a propósito do livro Arquipélago da Insónia




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Não é preciso ter-se tido um cancro para
aukistuxego (seguir utilizador), 1 ponto , 6:35 | Domingo, 28 de dezembro de 2008
se ter uma nova prespectiva de vida, porque eu tambem tenho um e sempre desde a minha adolescência joguei sempre com as cartas voltadas para cima, por isso tenho pago um preço elevado, mas nunca me arrependi. Quanto aos preços dos livros, não só são mais baratos na Alemanha, Noruega e Holanda, mas tambem noBrasil, Argentina e Cuba...por exemplo...
 
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    Re: Não é preciso ter-se tido um cancro para    Ver comentário
TásQuilhado (seguir utilizador), 1 ponto , 14:06 | Domingo, 28 de dezembro de 2008
Panorama
socontamasqueentram (seguir utilizador), 1 ponto , 12:37 | Domingo, 28 de dezembro de 2008
Imensos títulos à venda---tiragens pequenas----qualidade duvidosa de alguns dos títulos= preço alto.
 
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Compra-se os mais baratos...
Sebastião da Treta (seguir utilizador), 1 ponto , 12:53 | Domingo, 28 de dezembro de 2008
Citações de Salazar e Mocidade Portuguesa estão bem baratos... Portanto não se queixem!

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!
 
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Re: "Os livros em Portugal são indecentemente caro
joaquimsilva (seguir utilizador), 1 ponto , 13:01 | Domingo, 28 de dezembro de 2008
Se comparar os preços de um livro traduzido e a sua versão original (inglês) vai ver que a versão portuguesa custa o dobro. Onde est+a a razão desta diferença??
 
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    Re:    Ver comentário
Sebastião da Treta (seguir utilizador), 1 ponto , 13:08 | Domingo, 28 de dezembro de 2008
...
corta bushos (seguir utilizador), 1 ponto , 13:11 | Domingo, 28 de dezembro de 2008
são bens de luxo!
 
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Caros, bem caros.
bomtom (seguir utilizador), 1 ponto , 13:49 | Domingo, 28 de dezembro de 2008
Não há qualquer dúvida, o monopólio das editoras e o modelo de comércio que utilizam são directamente responsáveis pelo preço dos livros practicados em solo nacional.
Comparativamente há livros em que se chega a pagar quase o dobro do que se comprados noutro país europeu.
 
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Quanto mais analfabetos melhor.
aaaa (seguir utilizador), 1 ponto , 14:42 | Domingo, 28 de dezembro de 2008
Nós ganhamos bem, logo podemos pagar.
Será que precisamos de aprender a ler? Ou já sabemos que não vale apena?
 
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E os manuais escolares!!!
Infinitozero (seguir utilizador), 1 ponto , 15:42 | Domingo, 28 de dezembro de 2008
Sem dúvida que o preço dos livros é demasiado caro, e que dizer sobre o preço dos manuais escolares? Uma vergonha!!!! Muitos deles pouco diferem de ano para ano e vêm sempre com erros.
 
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    Re: E os manuais escolares!!!    Ver comentário
ntsp (seguir utilizador), 1 ponto , 0:36 | Segunda feira, 29 de dezembro de 2008
E SÃO SÓ OS LIVROS?
zelis (seguir utilizador), 1 ponto , 17:24 | Domingo, 28 de dezembro de 2008
Se confrontarmos o que ganhamos com o valor dos artigos que consumimos, só podemos estar endividados.
E aumenta a percentagem d ecaloteiros; cada vez mais pedem sem intenções de pagar.
No entanto nunca como hoje existiram tantos autores e editores. E tudo se vende ou muita coisa se lava?
Se compararmos a dificuldades sentidas na edição do seu primeiro livro ( Memória de Elefante) com a facilidade de edição de muitos livros da treta que ocorrem hoje em dia (tipo o lulu largou pelo no tapete), ficamos com a noção da futilidade dos artigos que a publicidade nos impinge hoje em dia.
Mas se as ediçoes se vendem - nem todos os exemplares devem constituir oferta - a não ser que a coisa funcione tipo bancada de estádio.
O "M" compra o topo norte, o "S" compra o topo sul e o "ZÉ" adquire a bancada central; não sendo assim temos o que merecemos.
Muitos anos de vida e de inspiração para continuar escrevendo.
 
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ATÉ QUE ENFIM
Musoko (seguir utilizador), 1 ponto , 20:29 | Domingo, 28 de dezembro de 2008
Finalmente alguém denuncia algo que nos revolta, a nós, que gostamos de ler. O livro em Portugal, como tudo o resto, é um negócio. Por isso os preços praticados são exorbitantes. Fazem-se edições «de luxo», desprezando-se as famosas edições «populares», porque isso era do antes do 25 de Abril. Agora é tudo galas, é tudo luxos, é capa lustrosa, papel de alta gramagem... e para quê? O livro é para ler ou para exibir às visitas? Quando vou às grandes superfícies e vejo livritos a 20 euros (4 contos), viro as costas. Tão diferente de outros países, onde estão acessíveis edições baratas de grandes livros. Mas nesses países não prevalece a ideologia do novo-riquismo mas a da cultura e do bom-senso.
Rui Ramos
 
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simples
portamoedas (seguir utilizador), 1 ponto , 21:30 | Domingo, 28 de dezembro de 2008
E triste escrever isto, mas, uns bons scanners resolviam o problema, ou seja quando um livro é editado em Portugal, por um preço 2 vezes superior aos paises em que o nivel de vida é 3 vezes superior ao nosso, acho que se devia comprar uns exemplares, repartidos entre varios, eram passados no scanner, depois distribuidos através a internet, uma boa impressora lazer, iam ver como é que as editoras baixavam logo os preços.
Porque isto dos preços altos nào é inocente, como é caro eles ( o povo) nào lêm, sendo assim nào têm accesso a cultura, e como fonte de informaçao e cultura a TV, e assim se controla toda a gente , como se diz no pais dos cegos........
 
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    Re: simples    Ver comentário
xpresso (seguir utilizador), 1 ponto , 0:53 | Segunda feira, 29 de dezembro de 2008
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