1. Ser bolseiro não é uma carreira. O principal desejo profissional de um médico que inicia a sua actividade é poder continuá-la e progredir; o principal desejo de um bolseiro é poder deixar de precisar da bolsa.
2. Por experiência, sei que, tirando os outros, a sociedade se divide entre os que consideram o bolseiro um indivíduo com potencial (um estudante) e os que o consideram um parasita (um estudante fora de prazo).
3. O bolseiro está geralmente integrado em universidades ou institutos e a interrupção do seu trabalho não tem graves consequências sociais imediatas. Uma greve de funcionários públicos incomoda muita gente; uma greve de bolseiros não incomodaria tanta gente assim.
Por estes motivos, a Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC), que promove uma manifestação pela Alteração do estatuto de Bolseiro e pela actualização do montante das bolsas
, tem uma missão muito complicada pela frente, agravada pelo cenário de crise.
Mas convém recordar que sem os bolseiros os laboratórios de investigação científica não poderiam funcionar. E que uma aposta na investigação científica passa por valorizar a sua principal força de trabalho. E que as bolsas não são actualizadas desde 2002, o que equivale a uma perda de poder de compra na ordem dos 20% - fosse outro o grupo profissional, isto seria suficiente para que UGT e a CGTP gritassem hoje a uma só voz.
* Segundo o sistema indiano de castas, bem entendido.