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Os floreados dos corruptores

A ditosa pátria que é a nossa está muito preocupada com a corrupção. Tanto no sector privado como no público. A mim só me interessa a segunda, que essa pago-a eu (e o leitor, já agora).

Tiago Moreira Ramalho
18:37 Domingo, 8 de Nov de 2009
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Os discursos inflamados são gostosíssimos, dignos de antologia. José Sócrates dizia no outro dia que tudo faria para lutar contra a corrupção existente e a porvir. Bonito. Uma pessoa quase confia. Claro que tudo não passa de um molhinho de intenções que raramente são verdadeiras porque a corrupção, infelizmente, é uma das principais fontes de rendimento e qualidade de vida da maioria daqueles que lhe poderiam colocar cobro. Não dá jeito fechar a torneira.

Pois, avançando um bocadinho além dos floreados que os corruptores e os corruptos querem dar à questão, há que dizer que um Estado sadio só virá quando os potenciadores de corrupção deixarem de existir, a saber: as golden shares, as nomeações para a administração pública feitas com critérios partidários e os concursos públicos pouco transparentes.

As primeiras, reluzentes aos olhos de todos aqueles que querem tomar nos braços os cordelinhos da nação, são o mais claro tumor da sociedade portuguesa. Uma golden share aqui, outra ali e temos a vida feita, fazendo a vida aos boys costumeiros. As segundas, tão malditas pelos partidos fora do arco e tão esquecidas por aqueles que lhe tomam o gosto, são fonte de corrupção e, além disso, de uma péssima administração pública: instável e incompetente. Se para os altos cargos da nação, nomeadamente direcções de institutos, observatórios e toda essa pantomina bem conhecida, fossem escolhidas pessoas com base no currículo, presentes a júris independentes e que fossem submetidas a verdadeiro escrutínio, lá se perdiam mais umas centenas de lugarejos bons para os senhores das corporações lambe-botistas. Os concursos públicos pouco transparentes são, simplesmente, o derradeiro salto para a promiscuidade entre políticos e empresários. Concursos públicos em que ganham as empreitadas empresas que apresentam orçamentos claramente desfasados da realidade e que, depois de ter o contrato assinado, vão sugerindo, com a aceitação de quem poderia recusar, "acrescentos". Vejamos toda a panóplia de Obras Públicas dos últimos anos, nomeadamente as que tiveram como causa esse grande avanço civilizacional que foi o Euro 2004.

Enquanto não se começarem a dar passos claros no caminho de tornar a máquina do Estado independente, verdadeiramente independente, das estruturas partidárias - à semelhança dos países anglo-saxónicos - e de tornar o Estado completamente livre dos polvos financeiros e das grandes empresas do regime (juro, querido leitor, que não tenho o punho erguido), toda a conversa sobre a corrupção não passará de um mero floreado. Com mais ou menos pinta, mas sempre floreado.

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É portanto precisa a IV República - sabe-se!
Portuguez (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 20:29 | Domingo, 8 de Nov de 2009
Exactamente... Ah, e já agora, está na altura de o Estado Português pedir perdão ao Povo Português por todo o horroroso mal que lhe tem feito, seguindo o exemplo de João Paulo II e de tantos outros dirigentes internacionais: e não brinco ao dizer isto... O Estado, apodrecido pelo regime, tem que zerar o contador para podermos viver a sério, de novo, finalmente, enterrando de vez a Ópera Bufa iberista a coberto da suposta panaceia europeista.
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