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Os filhos dos nossos filhos

A geração que está no poder cresceu a responsabilizar o salazarismo pelo atraso do país. Mas terá consciência do modo como ele vai ser visto pelas gerações seguintes?

(www.expresso.pt)
0:00 Quarta feira, 3 de fevereiro de 2010

Durante anos queixámo-nos do atraso a que a ditadura de Salazar e Caetano conduziram o país. O 25 de Abril, que retomou a República - ou melhor, a res publica, a condução dos assuntos públicos nas mãos do povo, através dos seus representantes - tinha como desígnios não só descolonizar e democratizar, como também desenvolver.Com mais ou menos traumas, os dois primeiros cumpriram-se. Mas o desenvolvimento sempre foi o calcanhar de Aquiles da nossa democracia. Depois de anos a lastimar o estado em que recebemos o país - pobre, analfabeto, triste, do qual fugiam os melhores - que esperar, agora, do julgamento das gerações seguintes? Como olharão para os nossos tempos?Se forem justos, verão enormes melhorias nos indicadores de Saúde e nas redes viárias. Mas serão benevolentes quanto à Educação? No que respeita à Justiça? Sobre a criação e distribuição de riqueza?As gerações dos nossos filhos, e dos filhos dos nossos filhos, serão, sobretudo, severas em relação ao endividamento que lhes deixamos, dinheiro que, em boa parte, se esfumou em nada. Poderão ter a mesma sensação que historicamente nós temos quando olhamos para o tempo das Descobertas ou, mais recentemente, para o tempo do ouro no Brasil. No futuro, haverá também alguns Jerónimos e aquedutos das Águas Livres, mas a sensação dominante será a do desperdício. A menos que ainda queiramos e saibamos ser diferentes, ser melhores.

O véu francês


Proibir o uso do véu, chador e burqa é uma ideia peregrina. Infelizmente, há quem pense que o Governo de Paris age de acordo com o dever de um Estado laico.A proposta de proibição não passa de um ataque à liberdade individual intolerável. Uma sociedade que admite a maior pluralidade na moda, nos trajos, não pode proibir aqueles que são apenas sinais de diferença. À França pedia-se mais coragem contra o terrorismo e mais tolerância com os que apenas têm usos diferentes.

Governar em minoria


As anunciadas abstenções do PSD e do CDS no Orçamento acabou com o mito da impossibilidade de governar em minoria. O recado que Cavaco Silva dera, ao lembrar que tinha essa experiência, foi bem compreendido.O PS deve estar agora mais preocupado. Sem álibis, cabe-lhe governar, embora limitado pelas oposições. Ganha a estabilidade necessária em tempo de crise. E, se com isso ganhar a transparência, melhor ainda. 

Texto publicado na edição do Expresso de 30 de Janeiro de 2010

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GERAÇÃO QUÊ?
Musoko (seguir utilizador), 2 pontos , 16:11 | Quarta feira, 3 de fevereiro de 2010
Filhos dos nossos filhos? Haverá em Portugal filhos dos nossos filhos? Com natalidade negativa, o que tenho visto e revisto é quase a «obrigação» de ter um filho (o mais tarde que for possível) e quantas vezes a decisão de ter mais um elemento no agregado não aponta no sentido de um cachorrinho para o menino ou para a menina?
Por este andar, poucos filhos dos nossos filhos haverá.
BURKA - Tenho-me cruzado diariamente com uma «burka» na escola, por baixo da túnica, calças jeans azuis e ao ombro uma carteira bem á moda. Só o brilho dos olhitos à mostra. Que sedução, imaginar aquele corpo! Como há umas décadas, lembro-me, os maridos não deixavam as esposas saírem á rua «descompostas». Mas enganavam-se, coitados, elas «tapadas» eram mais sedutoras. Viva o «burka»!
 
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Os filhos dos nossos filhos
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 19:48 | Quarta feira, 3 de fevereiro de 2010
Não dá para comparar o agora e o antes. Hoje temos problemas, mas mesmo assim temos um rendimento de 75% e naquela época tinhamos 30% da média Europeia. Só a guerra, a fome, o analfabetismo, a repressão, dava qualquer uma delas para fazer o antes muito pior que o depois. Não havia mais do que 30 kms de autoestradas e estradas secundarias não passavam de carreiros de cabras, onde os acidentes eram constantes apesar do pouco transito, porque ter carro na época era privilégio de muito poucos. Quantos não foram os jovens que tombaram em combate e as famílias nem dinheiro tiveram para trazer os seus corpos, porque o governo nem se envergonhava de não os devolver à família. Nada se pode comparar à excepção da Justiça que em vez de melhorar piorou, pelomenos no que toca à sua lentidão. Em relação à Educação nem é bom comparar, pois o Ensino Obrigatorio era a 4ª. Classe, mas a maior parte não tinha acesso. Hoje com muitos problemas já chegamos ao 12º. ano e as condições e facilidades de acesso não são nem de perto nem de longe comparaveis. No que se refere à distribuição de riqueza o que podemos dizer do Serviço Nacional de Saúde de um Rendimento de Incerssão, de um ordenado minímo e da cobertura a todos os cidadãos de uma reforma ou pensão de sobrevivência. As melhorias são tais que nem é bom falar nem comparar.
 
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(1) O Expresso e a Burqa
CM84 (seguir utilizador), 1 ponto , 21:44 | Quarta feira, 3 de fevereiro de 2010
Iniciei o comentário, quando relacionei o Expresso com o V/1º tema. Na minha opinião de leitor desde o 1º numero (ir para as aulas com o jornal debaixo do braço, fazia-me sentir “especial”), tenho sempre a ideia que: A “coisa” está esquisita, mas “eles” (vocês) estão atentos. Mas nada disso. Existe uma certa vacuidade e os assuntos são tratados mais pela espectacularidade do que pela importância. Talvez imperativos comerciais…

Claro que há excepções e delas realço MST, porque concordando ou não, “fala” para o leitor. Quando foca os assuntos, é directo, é sucinto e resumindo: curto e grosso. Talvez, porque não tendo que se preocupar com a sobrevivência económica do Jornal (o que provavelmente sucede com a Direcção), não necessita de ser “politicamente correcto”. A investigação, se alguma existe, não é digna deste jornal. Os temas parecem “saltitões”, mais adaptados a um outro estilo de jornal. Casos a serem trabalhados e/ou em desenvolvimento… “quê” deles?

Dirão que no jornal existe de “tudo”. É verdade, aparte as excepções, têm “pessoal” da opinião para todos os gostos: o “soviet” encoberto, a direita provocadora, os intelectuais da masturbação (em que só eles entendem e só eles se deleitam) e os “pares” do Governo (escrevem para Eles, citam alguns factos que só Eles conhecem, portanto só entendidos por quem “gira” no meio).

Mas precisamos que o “Expresso” fale para nós. O momento de desânimo que (alguns) vivemos é em muito semelhante ao início dos anos 70.
 
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(2) O Expresso e a Burqa
CM84 (seguir utilizador), 1 ponto , 21:53 | Quarta feira, 3 de fevereiro de 2010
Tanta “coisa” Legal que, estranhamente, é totalmente imoral. E isso, o Expresso precisava de “escarafunchar”, como um cão que não larga o osso.

Depois desta, talvez injusta, reclamação, passo aos assuntos que tratam este Editorial, mas vou citar a última frase do v/primeiro tema: A menos que ainda queiramos e saibamos ser diferentes, ser melhores.

Sobre a Burqa, não concordo com a vossa opinião, primeiro porque se baseia numa observação a partir das nossas realidades, que isentas desses problemas, nos permite dar “ares” de superioridade moral.

A utilização da Burqa, é realmente uma forma de humilhar a mulher. Que tribos Afegãs o pratiquem, como outras atrocidades sem fim, só nos podemos limitar a criticar.

Esqueceram-se de falar das organizações de mulheres muçulmanas, existentes em França e que lutam há muitos anos contra essas práticas. Dizer, como alguns que, pretensamente, falaram com mulheres que usam esse traje e… com o marido ao lado (esquecem-se sempre desse pormenor), garantirem que adoram ver o mundo por uma rede e que com o calor, é uma “agradável” sauna purificadora… sinceramente.

  Se em Portugal teve que se considerar crime a violência doméstica, porque a maioria das mulheres “comia” e calava e, muitas até aceitam, como “direito” do marido, levar umas “porradas” de vez em quando. E estamos numa Sociedade pretensamente “aberta”, portanto como será a vida dessas mulheres, sujeitas a maus-tratos a coberto de pretensas tradições?
 
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Toneladas de ouro
aguafria (seguir utilizador), 1 ponto , 12:30 | Sábado, 6 de fevereiro de 2010

Gostaria de saber, COM RIGOR, quantas toneladas de ouro foram alienadas, nos últimos dez anos.
Onde posso obter esta informação?
Agradeço informação.
 
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Vivam a democracia e os direitos...
aguafria (seguir utilizador), 1 ponto , 12:40 | Sábado, 6 de fevereiro de 2010

Os franceses não aceitam as provocações e fazem muito bem...
Não aceitam os embustes e fazem muito bem...
Não aceitam a humilhação de ninguém e fazem muito bem...
Não aceitam, em sua casa, quem não respeita as regras de hospitalidade e fazem muito bem...
Não aceitam e fazem muito bem...

Porque escondem as caras?
 
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