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Os do costume

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
0:00 Quinta feira, 4 de fevereiro de 2010

As campanhas eleitorais valem o que valem. O investimento público esteve no centro do debate político antes das últimas eleições. Seria isso que dividiria a direita e o PS. Cá está o Orçamento de José Sócrates, com um corte no tão amado investimento do Estado. Mas há coisas em que a campanha vale a pena. Na última, os funcionários públicos viram, de forma surpreendente, o seu salário aumentado acima da inflação. Agora, que já votaram, devolvem o que receberam. Terão de esperar pelas próximas eleições.

Dirão, com razão, que é preciso ir buscar o dinheiro a algum lado. Algumas ideias. Mesmo depois do melhor ano da bolsa portuguesa dos últimos 12, ficou mais uma vez de fora dos objectivos do Governo a taxação das mais-valias bolsistas. Uma medida prometida pelo PS há quinze anos que esbarra sempre com interesses poderosos. São muitos milhões que ficam por pagar.

Outra boa forma de poupar seria reduzir drasticamente as parcerias público-privadas. Como garantiu ao "Jornal de Negócios" o juiz jubilado do Tribunal de Contas, Carlos Moreno, o Estado não tem, nem parece querer ter, força para resistir ao poder daqueles com quem negoceia. O truque, que empurra as despesas de hoje para o futuro, é quase sempre ruinoso. Um exemplo: o que já pagámos pela ponte Vasco da Gama daria para construir esta e mais duas. E, por fim, não seria mau reduzir a quantidade impressionante de ajustes directos que tantas vezes escondem relações opacas e reduzem a concorrência.

Sim, o rigor é necessário. Para começar, podia-se mudar regras de funcionamento que desbaratam dinheiros públicos. O que já começa a fartar é ver que, na hora de pagar, a factura chega sempre aos mesmos endereços. E isentos de qualquer sacrifício ficam também os do costume.

O véu e a liberdade


O Parlamento francês resolveu nomear uma comissão para debater o uso de véu integral no espaço público. Assunto fundamental, tendo em conta que o niqab e a burka são usados por menos 0,1% das muçulmanas em França. Conclusão: proibir o uso destas vestimentas em edifícios e transportes públicos. Segundo a comissão, não se pode permitir que as mulheres sejam obrigadas a tapar a cara. Sendo impossível determinar as que são obrigadas e as que querem mesmo usar, o Estado determina o que pode e não pode vestir a mulher.

Não tenho qualquer esperança de que aqueles que se dizem amantes da liberdade percebam a contradição de pôr o Estado a determinar como cada um se pode vestir. Espero apenas que percebam qual é, tendo em conta o reduzidíssimo número de mulheres que em toda a França usa o véu integral, o objectivo desta encenação. Não se queixe dos resultados dos seus actos quem faz de uma prática que é excepção entre as mulheres muçulmanas a sua bandeira política pela intolerância. Muito provavelmente muitas muçulmanas que nunca usariam tal coisa terão agora um pouco mais de vontade de o fazer.

É provável que Sarkozy tente ir mais longe e proíba o uso do véu integral em todas as circunstâncias. Será inconstitucional. Um ataque a esse valor que eu gostava de acreditar que ainda é europeu: o da liberdade individual. E essa liberdade individual inclui o direito a ser conservador. Gosto? Nem por isso. Mas a liberdade dos outros é mesmo para defender aquilo que eu não gosto nos outros.

Texto publicado na edição do Expresso de 30 de Janeiro de 2010

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A liberdade de obedecer e o prazer de salvar
sacristão (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 10:19 | Quinta feira, 4 de fevereiro de 2010
Como o autor voltou a pôr em jogo o véu e a liberdade subo a parada.
  Antes do mais, o sexo é uma actividade mental que impulsiona e/ou interfere de formas diversas nos actos praticados em todos os campos.
Quem dá tanta importância a percentagens deve saber que são bastantes as muçulmanas sádicas e muitas as oprimidas.
Então o Daniel considera que em questões religiosas 0,1% é pouco? Acha necessários mais que 100gr de vírus para destruir uma pessoa com 100kg? Olhe que 10gr de vírus chegam para fazer vários cacharoletes capazes de destruir em massa populações inteiras, e no campo religioso basta uma santa para fazer milhões de crentes.
O desvario das fanáticas religiosas é dominarem as mulheres através dos homens que são levados a cumprir e a fazerem cumprir costumes e regras cruéis e absurdas. O sadismo delas não está na manipulação simples e directa de mulheres ou de homens mas sim na dupla posse de homens e mulheres que dominam em cadeia. Muitas das muçulmanas oprimidas percebem que os homens não são os verdadeiros opressores, mas são poucos os homens que conseguem ver a realidade porque subconscientemente recusam aceitar que na essência estão a ser dominados pelas mulheres de várias maneiras, tantas que alguns até carregam dentro de si um ser feminino que os consome.

 
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    Re: A liberdade de obedecer e o prazer de salvar    Ver comentário
amboiva (seguir utilizador), 1 ponto , 0:06 | Sexta feira, 5 de fevereiro de 2010
    Re: A liberdade de obedecer e o prazer de salvar    Ver comentário
sacristão (seguir utilizador), 1 ponto , 11:44 | Sexta feira, 5 de fevereiro de 2010
    Re: A liberdade de obedecer e o prazer de salvar    Ver comentário
amboiva (seguir utilizador), 1 ponto , 14:42 | Sexta feira, 5 de fevereiro de 2010
O véu e a liberdade
Cidadão Lopes (seguir utilizador), 1 ponto , 15:57 | Quinta feira, 4 de fevereiro de 2010
São muitas as diferenças ideológicas e conceptuais que me separam do autor. Mas nem por isso deixo de apreciar a leitura dos seus textos, quando expressam de forma coerente e fundamentada os seus pontos de vista.
Nesta caso do "véu e da liberdade", creio que já li qualquer coisa do autor sobre os direitos fundamentais da pessoa humana, designadamente no que respeita aos direitos das mulheres.
O preceito islâmico de que a mulher deve ocultar em público o rosto, tal como todo o corpo, paralelamente com a restrição de muitos outros direitos universalmente aceites configura, como é do conhecimento de todos, uma atitude de menorização do género feminino nas sociedades onde predomina o islamismo.
É razoável que uma sociedade que salvaguarda, mesmo legalmente, a defesa integral dos direitos humanos aceite excepções a essa "regra"?
Os 0,1 % por serem inexpressivos legitimam o seu raciocínio? Mas então, e outras minorias, também inexpressivas, como sejam, cultos satânicos, ou outras, também merecem a sua tolerência?
 
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    Re: O véu e a liberdade    Ver comentário
Durruti Blak (seguir utilizador), 1 ponto , 8:03 | Sábado, 6 de fevereiro de 2010
    Re: O véu e a liberdade    Ver comentário
Cidadão Lopes (seguir utilizador), 1 ponto , 19:53 | Quarta feira, 10 de fevereiro de 2010
    Re: O véu e a liberdade    Ver comentário
Durruti Blak (seguir utilizador), 1 ponto , 6:54 | Quinta feira, 11 de fevereiro de 2010
    Re: O véu e a liberdade    Ver comentário
Cidadão Lopes (seguir utilizador), 1 ponto , 11:15 | Quinta feira, 11 de fevereiro de 2010
    Re: O véu e a liberdade    Ver comentário
Durruti Blak (seguir utilizador), 1 ponto , 13:54 | Quinta feira, 11 de fevereiro de 2010
    Re: O véu e a liberdade    Ver comentário
Durruti Blak (seguir utilizador), 1 ponto , 14:10 | Quinta feira, 11 de fevereiro de 2010
Ao Sr. Oliveira
lusofora (seguir utilizador), 1 ponto , 16:11 | Quinta feira, 4 de fevereiro de 2010
Porque não por meia duzia de encapuçados num congresso/reunião do BE?
Preferencialmente armados..........
 
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Os do costume
AntonioJusto (seguir utilizador), 1 ponto , 18:39 | Quinta feira, 4 de fevereiro de 2010
O uso do véu integral bem como o do véu é o símbolo da subjugação da mulher ao homem e um sinal usado pelos extremistas religiosos. A mulher é pertença do homem e se fosse cobiçada por um outro homem colocaria o problem ao homem. Assim os homens são solidários entre si.

António Justo
http://antonio-justo.blog...
 
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O Macaco Nú
MárioJTAlmeida (seguir utilizador), 1 ponto , 10:18 | Segunda feira, 8 de fevereiro de 2010
"Não tenho qualquer esperança de que aqueles que se dizem amantes da liberdade percebam a contradição de pôr o Estado a determinar como cada um se pode vestir."
Nesse caso, que tal andarmos todos nús!?
 
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    Re: O Macaco Nú    Ver comentário
Cidadão Lopes (seguir utilizador), 1 ponto , 11:18 | Quinta feira, 11 de fevereiro de 2010
Pois...
Artemis1972 (seguir utilizador), 1 ponto , 20:13 | Quarta feira, 10 de fevereiro de 2010
Se os emigrantes querem viver nos países democráticos e civilizados, têm também eles de ser democráticos e civilizados....
Cumprimentos,
 
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