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Os 'bota-abaixo'

8:00 Segunda feira, 21 de julho de 2008

Um mau desempenho da economia pode ter várias origens. É irrelevante. Na hora de julgar, o julgador ignora as causas e reage às consequências: se estas são más, a culpa é da governação. Este veredicto abrange um grupo heterogéneo de pessoas: os que não vêem, os que não querem ver e ainda os que vêem o que lá não está. Incluo neste grupo os chamados 'bota-abaixo', estejam na oposição ou fora dela. Sócrates que se cuide. A avaliar por amostras recentes, a partir de agora é sempre a abrir.

É notório que o desempenho económico não está a ser bom. E o mais provável é que venha ainda a piorar. As fragilidades da procura interna são óbvias: o consumo, que depende da riqueza disponível, afectada pelo endividamento, não tem espaço para crescer; e o investimento, que depende da produção e das taxas de juro, entrou numa espécie de multiplicador ao contrário - sobem as taxas, investe-se menos, diminui o produto, cai o investimento ainda mais. A culpa? Do Governo, claro.

Mas é do lado da procura externa que o problema se agudiza. É hoje claro que, independentemente da produção, não conseguimos escoar o que produzimos porque não há mercado comprador. As exportações baixam. Mas há produtos de que, qualquer que seja o preço, não podemos prescindir, como é o caso do petróleo. As importações sobem. De tudo isto resulta um défice acrescido, que afecta negativamente a economia. É aqui que surgem as perguntas inteligentes: então e o Governo não faz nada?

Se a actividade económica diminui, devemos preparar-nos para que o desemprego aumente, já que a alternativa seria manter trabalhadores inactivos. E presumo não haver dúvidas de que, num cenário destes, aumentará o défice corrente e de capital, que arrastará o endividamento do país face ao exterior. Não sei se já sabiam, mas as crises têm custos... Enfim, sejamos realistas: há um inimigo que nos entrou em casa sem convite e não temos alternativa a lidar com ele. Que fazer?

Vejamos as respostas tradicionais. Desvalorizamos a moeda, para aumentar as exportações? Não podemos. Baixamos as taxas de juro, para estimular o investimento? É impossível. Reduzimos os impostos, para dar ânimo a empresas e particulares? O défice não permite. Lançamo-nos num vasto programa de despesas públicas, à boa maneira keynesiana, para que seja o Estado a oferecer à economia aquele safanão que os privados não conseguem dar? Seria o estoiro definitivo. Então o quê?

Há um ponto essencial: o Governo tem de manter a cabeça fria. Depois, há pelo menos três coisas que devem ser feitas. Deve ser mantido, até ao limite do possível, o processo de consolidação orçamental. Se, ainda assim, subsistir alguma folga, os recursos devem ser afectados a situações de emergência social.

E, quanto ao tal safanão à economia, só vejo uma hipótese: seleccionar os investimentos reprodutivos, aproveitar os fundos comunitários e desenvolver parcerias público-privadas.

Lamento desiludir os 'bota-abaixo'. O que deve ser feito, no essencial, é aquilo que o Governo está a fazer.

Daniel Amaral

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Abaixo?!
VerdadePuraeDura (seguir utilizador), 1 ponto , 14:27 | Quinta feira, 24 de julho de 2008
»Quem vai verdadeiramente ABAIXO vão ser os mediocres destes Socialistas de Meia-Tijela quando forem DERROTADOS pelo PSD nas próximas eleições legislativas em 2009.»Já chega de mediocridade...Já chega de Sócrates.
 
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    Re: Abaixo?!    Ver comentário
spinin (seguir utilizador), 1 ponto , 21:55 | Segunda feira, 28 de julho de 2008
Pois é.O sr.Daniel é tido por alguns analistas...
jovemvidente (seguir utilizador), 1 ponto , 16:02 | Quinta feira, 24 de julho de 2008
...como a caixa de ressonância do banqueiro Ulrich.Cá para mim,que nada sei de Economia,o sr.não é nada disso.Aliás,o sr.até pode ser isso,mas involuntariamente.Digo eu.Caixa de ressonância sim,o sr. é,mas do Governo,melhor:de José Sócrates(vonluntária ou involuntariamente,o problema é seu).O pior,e isso não fica bem a ninguém,é tentar alijar responsabilidades que cabem exclusivamente ao Governo!Esses fretes têm um preço.Não se fazem de graça.Digo eu...!Assemelham-se às apostas nos futuros na Bolsa.
      De resto,até era capaz de concordar com o sr.no que respeita aos investimentos necessários.Mas os necessários são os imediatamente produtivos para fazer face à procura e evitar o aumento da inflação.Mas como o sr. defende a contenção,quiçá,mesmo a diminuição dos salários,vai dar ao mesmo.
 
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!...
VerdadePuraeDura (seguir utilizador), 1 ponto , 17:36 | Quinta feira, 24 de julho de 2008
»Portugal que teve 1ºMinistros de verdadeira categoria e de verdadeira capacidade técnica e politica como o grande Francisco Sá Carneiro,o Prof Cavaco Silva,Durão Barroso,e/ou o Dr Soares agora tem o...Sócrates?!??!!...Um politicozeco de 3ºcategoria!??!!!...SAFA!...»Mas quem foram os MASOQUISTAS/CONFUSOS que DESPERDIÇARAM o seu precioso tempo e voto VOTANDO neste politico mediano/mediocre??!!!...
 
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temi (seguir utilizador), 1 ponto , 17:48 | Sábado, 26 de julho de 2008
Os bota abaixo
temi (seguir utilizador), 1 ponto , 17:56 | Sábado, 26 de julho de 2008
Mais do que qualquer outro povo. os portugueses gostam de dizer mal do que têm .Só quando se anda por fora é que temos consciência como é vista a política portuguesa. Não há dúvida que, apesar do esforço que o governo pediu aos portugueses e das medidas que promoveu, a crise internacional impediu que já este ano o país pudesse crescer de uma forma mais convincente Mas, se em vez de dizermos mal nos esforçássemos por produzir mais e melhor e tivessemos mais contenção a gastar recursos como os energéticos e a não fazer despesas não consentâneas com o nosso orçamente, contraindo empréstimos que depois se não podem pagar, talvez a situação não fosse aquela que agora todos criticam, para a qual contribuem e que nada fazem para solucionar.
 
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A Tretolândia
Sakata (seguir utilizador), 1 ponto , 17:51 | Domingo, 27 de julho de 2008
Blá, blá, blá............. mas no fundo, salve-se quem puder e o último que feche a porta (se na altura não tiverem gamado a porta) !
 
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Bota abaixo ?!!!!!!
Sakata (seguir utilizador), 1 ponto , 15:42 | Segunda feira, 28 de julho de 2008
Mas este retangulo não pode ir mais baixo, caraças. Só se se enterrar mesmo esta treta.

Não quereria o autor dizer antes: Os Cangalheiros ?!!
 
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E AS ILUSÕES?
Ead Ward (seguir utilizador), 1 ponto , 21:47 | Domingo, 3 de agosto de 2008
Caro Daniel Amaral,
Quase que estive para responder-lhe no meu blogue. Certamente que o senhor esqueceu-se que o governo ignorou taxativamente os factores externos provocados pelo rebentamento da bolha imobiliária dos EUA que atingiu também o mercado da Europa. Melhor, o governo vendeu ilusões aos portugueses de que nada nos atingiria e que continuaríamos na senda do crescimento económico, exportar mais e na geração de emprego (des?), e não é que os portugueses compraram-nas ao desbarato! Acha que as paralisações e as reivindicações foram espontâneas e desprovidas de razão ou de gente tola? Seguramente que não. Portanto, acho que seu texto sintetiza muito bem o que se poderia estar a passar em Portugal se não nos andassem a vender ilusões. Eu não compro ilusões, sabe porquê? Comi o pão que o diabo amassou, e já estou preparado para segunda volta. Desta vez, os seus números não tiveram a força que lhe está subjacente.
Um abraço.
 
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