Para incentivar a utilização de veículos eléctricos, o Governo e os 25 municípios da rede piloto estão a criar um conjunto de benefícios que facilitam a sua aquisição e utilização: incentivo de 5.000 euros para os primeiros 5.000 automóveis adquiridos; isenção de ISV (Imposto sobre Veículos) e IUC (Imposto Único de Circulação); deduções fiscais na aquisição de veículos eléctricos (IRS para particulares e IRC para empresas); incentivo adicional de 1.500 euros em caso de abate de veículos em fim de vida; prioridade à circulação nas vias de alta ocupação (corredores BUS); zonas preferenciais de estacionamento nos centros urbanos; e circulação em zonas de emissão reduzida de CO2.
Destaque para os modelos já disponíveis no mercado nacional e internacional, e para os que se anunciam nos próximos anos:
Mega e City
Pode não ser ainda o automóvel eléctrico que todos desejam, mas tem a vantagem de ter sido primeiro a chegar ao mercado nacional. É o Mega eCity na sua versão comercial, com capacidade para duas pessoas e um volume de mala de 900 litros. A sua velocidade máxima é de 64 km/h e sua autonomia é limitada (60 quilómetros), mas tem a vantagem de poder ser carregado rapidamente em qualquer tomada de 220 v. Com um motor de apenas 4 kW de potência contínua (máxima de 12 kW), o Mega eCity está homologado como quadriciclo pesado, não podendo circular em auto-estrada e nas pontes 25 de Abril e Vasco da Gama. Em contrapartida, não precisa de ir à inspecção e não paga ISV (Imposto sobre Veículos). Apesar de ser eléctrico, paga IVA à taxa de 20%, o que eleva o seu preço final de venda ao público a 14.000 euros. Em breve, haverá uma versão para quatro pessoas, possivelmente, homologada como automóvel, para poder beneficiar de todos os incentivos concedidos pelo Governo à compra de veículos eléctricos.
Mini E (Electric)
A versão eléctrica do Mini está a ser testada nos Estados Unidos, onde 500 unidades deste automóvel foram entregues a clientes seleccionados na Califórnia, em Nova York e em New Jersey. Embora se trate de um veículo equipado com um motor potente de 150 kW (equivalente a 204 cv), com 220 Nm de binário, uma velocidade máxima limitada a 152 km/h e um autonomia para 240 quilómetros, as primeiras impressões apontam para algum desapontamento com o tempo de recarregamento das baterias: 23 horas, numa tomada de 110 v. Na Europa, espera-se que este tempo baixe para 10 horas (numa tomada de 240 v.), mas não há indicações de datas para a sua comercialização. Um programa de leasing destes carros, por um período de seis meses, acaba de se iniciar no Reino Unido, a um custo subsidiado de 330 libras (cerca de 400 euros), por mês.
Mitsubishi i-MiEV (Mitsubishi Innovative Electric Vehicle)
O Mitsubishi i-MiEV foi posto à venda no Japão, em Julho de 2009, por 4,59 milhões de ienes (cerca de 35.394 euros). Para já, está apenas acessível aos governos provinciais e às empresas, mas deverá chegar ao grande público em Abril de 2010, beneficiando de incentivos que reduzirão o seu preço final de venda para perto dos 25 mil euros. Baseado no modelo "i" da marca nipónica (o motor eléctrico e o inversor foram alojados no espaço do motor a combustão, e as baterias estão colocadas sob o piso), este automóvel mantém a habitabilidade para transportar quatro adultos e algum espaço para bagagens. O motor eléctrico de 47 kW (equivalente a 63 cv) desenvolve um binário de 180 Nm e uma velocidade máxima de 130 kms/h. A autonomia varia entre 130 e 160 quilómetros, em função dos passageiros transportados e do estilo de condução. As baterias de iões de lítio podem ser recarregadas em 20 a 25 minutos (carregador rápido só disponível no Japão) ou em 5 a 7 horas numa tomada de 220 v. Para o próximo ano, apenas está prevista a comercialização de 250 unidades do i-MiEV na Europa.
Nissan Leaf
Nos Estados Unidos, as reservas para as primeiras unidades do Nissan Leaf podem começar a ser feitas na Primavera de 2010. Desde que o carro foi apresentado, cerca de 22 mil pessoas contactaram a marca japonesa a pedir informações adicionais, 70% das quais residem nas áreas onde este automóvel eléctrico vai ser comercializado no final do próximo ano: San Diego e Los Angeles (Califórnia), Tucson (Arizona), Seattle (Washington) e Portland (Oregon). Em Portugal, o Nissan Leaf só chegará em meados de 2011, revelaram recentemente os responsáveis da empresa. Trata-se de um veículo com capacidade para cinco pessoas, dotado de um motor eléctrico com a potência de 24 kW, que lhe confere uma velocidade máxima de 140 kms/h. As suas baterias de iões de lítio garantem-lhe uma autonomia de 160 quilómetros e podem ser recarregadas a 80% em menos de 30 minutos, num carregador rápido ou em 8 horas, numa tomada de 220 v.
Renault Kangoo Be Bop Z.E. (Zero Emissões)
Desenvolvido com base no modelo térmico com o mesmo nome já em circulação, o Kangoo Be Bop Z.E. representa o conceito de veículo utilitário eléctrico destinado aos profissionais. Com comercialização prevista para 2011, acolhe uma motorização com potência de 70 kW, um binário de 226 Nm (superior aos 200 Nm da versão com motor diesel) e uma autonomia de 160 quilómetros. Apesar dos seus 3,95 m de comprimento e altura de 1,85 m, só disporá de bancos dianteiros na versão que será vendida em Portugal. Em compensação, conserva as qualidades do Kangoo tradicional em termos de conforto, habitabilidade e segurança. Por prejudicarem aerodinamicamente os veículos, os espelhos retrovisores foram substituídos por câmaras perfiladas de baixo consumo, alimentadas por painéis solares colocados no tejadilho. Para facilitar o carregamento, o portão traseiro tem acoplado um piso rebatível que permite colocar ou fazer deslizar os objectos na mala. Para não comprometer a capacidade de carga, o Kangoo Be Bop será o único veículo Zero Emissões da Renault que não terá a funcionalidade de trocar de bateria. Quanto ao preço, o construtor assegura que este veículo custará o mesmo que a versão equivalente a diesel, sem contar com as baterias, que serão objecto de um contrato de leasing.
Renault Fluence Z.E.
A comercialização da versão eléctrica do Renault Fluence terá início em Israel - o primeiro país que assinou um acordo de mobilidade eléctrica com a aliança Renault-Nissan -, no final de 2010. A partir de 2011, chegará aos restantes mercados da Europa, nomeadamente, a Portugal. Com uma autonomia de 160 quilómetros, um motor de 70 kW (equivalente a 95 cv) com um binário de 226 Nm, capacidade para cinco adultos e um volume de mala de 327 dm3, o Fluence Z.E. assume-se como uma solução de mobilidade "estradista" para as famílias. As suas baterias de iões de lítio podem ser carregadas com recurso a três sistemas distintos: numa tomada normal de 220 v., entre 4 e 8 horas; num carregador rápido, em 20 minutos; ou em três minutos, por troca de bateria no sistema Quickdrop que será instalado nas estações de serviço.
Renault Twizy Z.E.
Baptizado de Twizy, este modelo é um veículo zero emissões que, dentro de dois anos, vai revolucionar os meios urbanos, tanto a nível ambiental como de mobilidade. A carroçaria é em forma de casulo, com um comprimento de 2,30 metros e uma largura de apenas 1,13 metros, dimensões que permitem alojar dois adultos, um atrás do outro, como se de uma motorizada de 125 cm3 se tratasse. O Twizy está equipado com uma motorização 100% eléctrica de 15 kW (20 cv), com um binário de 70 Nm e uma velocidade máxima de 75 km/h. Com autonomia para 100 quilómetros é, por excelência, um veículo para uso urbano e suburbano, onde proporcionará deslocações rápidas nas vilas e cidades. As suas baterias estão colocadas sob os dois bancos e podem ser recarregadas em três horas e meia numa tomada de 220 v.
Renault Zoe Z.E
Será o último do modelos eléctricos propostos pela Renault a chegar ao mercado (só está previsto para 2012). Com menos 17 centímetros que a actual geração do Renault Clio, o Zoe perfila-se como um veículo compacto para quatro ocupantes, no segmento B. Está dotado de um motor eléctrico de 70 kW com 226 Nm de binário e as mesmas performances e autonomia do Renault Fluence Z.E. As suas baterias de iões de lítio podem ser carregadas nos três sistemas previstos pelo construtor. Destaque, no entanto, para um conjunto de inovações interiores e exteriores, como um tejadilho concebido como uma membrana inteligente que protege tanto do calor como do frio e optimiza a gestão do ar condicionado, recuperando energia através de células fotovoltaícas em 'ninho de abelha'; retrovisão exterior assegurada por duas câmaras perfiladas de baixo consumo que enviam imagens para o espelho retrovisor interno; portas com abertura em 'asa de gaivota' à frente e tipo 'borboleta' atrás; e um painel de instrumentos coberto por uma membrana inteligente com comandos tácteis, ecrã panorâmico TFT (Thin Film Transistor) e informações animadas por um pequeno 'avatar', que faz a ligação entre o condutor e a tecnologia por meio de curtas mensagens.
Smart ED (Electric Drive)
Depois dos primeiros ensaios em Berlim, a partir de 2010, outras cidades europeias como Hamburgo, Paris, Roma, Milão, Pisa e Madrid também irão conhecer "ao vivo" as potencialidades do Smart ED. Trata-se de uma versão com motorização eléctrica do popular veículo citadino, capaz de acelerar, de 0 aos 60 kms/h, em 6,5 segundos, mas cuja velocidade foi deliberadamente limitada a 100 km/h pelo construtor. O Smart ED está dotado de uma bateria de 14 kWh da Tesla Motors (ao abrigo da recente parceria desta empresa norte-americana com o grupo Daimler), que pode ser recarregada numa simples tomada de 220 v. Segundo o construtor, a autonomia de 135 quilómetros é mais do que suficiente para o tráfego diário citadino (30 a 40 quilómetros), para o qual bastam duas ou três horas de carregamento das baterias.
Tesla Roadster
Este desportivo de dois lugares concebido pela Tesla - uma empresa norte-americana com sede em Silicon Valley (Califórnia) - é o mais rápido e competitivo automóvel 100% eléctrico actualmente no mercado. A sua comercialização na Europa iniciou-se em 2008, com a aceitação de encomendas em lista de espera (apenas são produzidos 200 unidades por ano). Na Península Ibérica, o centro de assistência e manutenção está instalado em Madrid. Com um motor eléctrico de 215 kW (288 cv) e 370 Nm de binário, o Tesla Roadster é capaz de acelerar dos 0 às 60 milhas (96,5 kms/h) em apenas 3,9 segundos; a sua velocidade máxima ronda os 201 km/h; e a sua autonomia é de 244 milhas (cerca de 392 quilómetros). As baterias são recarregadas em 3,5 horas, a partir de tomadas de 110 ou 220 v. Nos Estados Unidos, o seu preço final de venda ao público é de 101.500 dólares (cerca de 67 mil euros).
Toyota iQ EV (Electric Vehicle)
Para não ficar atrás da concorrência, a Toyota escolheu a plataforma do pequeno citadino iQ para desenvolver um modelo 100% eléctrico para comercializar em 2012. O primeiro protótipo, denominado FT-EV foi apresentado logo no início do ano, no salão automóvel de Detroit, dando lugar nos salões de Genebra e de Frankfurt, ao iQ EV e, no mais recente salão de Tóquio, ao FT-EV II. Esta versão mais futurista, com portas deslizantes e painel de instrumentos minimalista, é mais curta no comprimento do que o iQ original - 2,73 m contra 2,98 m (embora mantenha a largura de 1,68 m) - o que deixa adivinhar um veículo para transportar apenas duas pessoas. Não foram revelados detalhes sobre a motorização eléctrica e as baterias, admitindo-se que a sua autonomia possa ir dos 80 aos 130 quilómetros.
Volkswagen E-Up
A Volkswagen apresentou no último salão automóvel de Frankfurt, a primeira versão do automóvel eléctrico que vai comercializar no mercado europeu, mas só em 2013. À imagem do Toyota i-Q, o VW E-Up é um 3 + 1 (três adultos e uma criança) com um comprimento de pouco mais de três metros (3,19 m) e uma largura de 1,64 m. O motor eléctrico apresenta-se com uma potência máxima de 60 kW e contínua de 40 kW, o que lhe confere uma velocidade máxima de 135 kms/h e um binário de 210 Nm. Dependente do tipo de condução, a autonomia do E-Up pode chegar aos 130 quilómetros. As baterias de iões de lítio podem ser carregadas em cinco horas, preferencialmente, à noite (em horas de vazio). Cálculos efectuados com a electricidade paga a cerca de 14 cêntimos/kWh revelam que os custos de conduzir o E-Up não ultrapassam os dois euros por cada 100 quilómetros.