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Os animais não são coisas

Em Portugal os animais têm o estatuto de coisas. Mas o Ministério da Justiça tem pronta, há meses, uma proposta que dará aos animais o estatuto de seres sensíveis. Por isso, comemore hoje o Dia Mundial do Animal apelando às autoridades, através dos emails indicados no final do texto, para que seja alterado o nosso Código Civil.

Virgínia Matos Joaquim, Bióloga e Activista Independente dos Direitos dos Animais
12:39 Domingo, 4 de Out de 2009
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Os animais não são coisas

Dificilmente podemos conceber que a proposição supra possa ser posta em causa, de tão inquestionável se nos afigura aquilo que afirma. Nem mesmo quando procuramos testar a sua aparentemente intrínseca verosimilhança (o seu valor de verdade), definindo subcategorias como "animal humano/animal não-humano", "vertebrado/invertebrado", nos parece possível admitir que qualquer entidade designada por "animal" possa confundir-se, seja qual for o quadro de pensamento em que situemos a discussão, com as entidades que classificamos como "coisas".

Traçámos, aliás, essa distinção categorial muito antes do Reino Animalia e reconhecemos mesmo, de forma mais inclusiva, que os seres vivos (lato sensu) não são coisas. Sucede, porém, que, ao arrepio da Ciência e do próprio senso comum, alguns ordenamentos jurídicos teimam, penosamente, em ignorar esta distinção fundamental. É o caso do Código Civil português, que atribui aos animais o estatuto de coisas.

Ora, um código que é fundador de uma parte importante das regras que regem a nossa vida em comunidade e, como tal, inspirador das nossas representações do mundo e dos outros, deveria plasmar, senão as mutações da sensibilidade colectiva, pelo menos a evolução do conhecimento.

Código Civil refém de paradigmas antropocêntricos

Em vez disso, o Código Civil continua, no que aos animais diz respeito, refém de velhos paradigmas antropocêntricos de matriz cartesiana, há muito destronados pela revolução darwiniana oitocentista.

E, se o entendimento que prevalece nalgumas ordens jurídicas é o de que os animais, embora não sendo coisas, não têm direitos, assunto de que não nos ocuparemos aqui, forçoso é reconhecer que elas tendem a reflectir a crescente consciencialização da necessidade de garantir e reforçar a protecção dos animais, salvaguardando-os da crueldade e do sofrimento, e a declarar convictamente o seu estatuto de seres sensíveis.

Abster-nos-emos, neste breve texto, de aflorar aspectos, em que seria fácil espraiarmo-nos longamente, como a legitimidade moral dos direitos de propriedade sobre os animais, a instrumentalização dos interesses dos animais não-humanos e a sua subordinação aos interesses e desígnios dos humanos ou a atribuição de diferentes níveis de protecção em função do grau de complexidade neurológica ou da proximidade das espécies na escala filogenética, defendida por algumas concepções de como deve materializar-se a protecção conferida.

Longe do exemplo de Nova Iorque

Resistiremos igualmente à tentação, também ela enferma de antropocentrismo crónico, de considerar que a protecção dos animais deve ser assegurada por servir os propósitos da elevação moral e da dignificação dos seres humanos. Por um lado, porque, entre nós, o debate ético sobre estas matérias ainda vai no adro.

Longa é a distância que nos separa do estado de Nova Iorque, onde, há dias, a ASCPA (American Society for the Prevention of Cruelty to Animals), no exercício dos poderes legais de que se encontra investida para investigar actos de crueldade contra animais, ordenou a detenção do autor de um crime de crueldade por negligência na falta de prestação de cuidados médico-veterinários a três gatinhos, cuja vida foi, por isso, posta em risco. A pena inclui multa e pena de prisão até dois anos.

Como longa é a distância que nos separa da Alemanha, que consignou a protecção dos animais na sua Constituição Federal, ou da Suíça, que declarou (também na sua Constituição, já em 1992) o valor fundamental da dignidade dos seres vivos (Würde der Kreatur), transportando a Bioética para os patamares mais avançados do debate da sustentabilidade ecológica, da manipulação genética e das biotecnologias, num genuíno tributo à "ética da reverência" de Albert Schweitzer.

"Modesta" alteração do estatuto

No caso português, a alteração do estatuto jurídico dos animais no Direito Civil, que um grupo de trabalho do Ministério da Justiça empreendeu em Maio de 2008, é bem mais modesta: trata-se de atribuir aos animais um estatuto diferente do das coisas, introduzindo o conceito de animal como ser sensível.

Aos que duvidam da oportunidade ou da pertinência da alteração, basta referir que, numa demonstração de que a evolução dos sistemas jurídicos tende a ser determinada a partir do seu exterior, isto é, a partir da comunidade que regem, pela progressiva consolidação de novos referenciais axiológicos ou de novas mundividências, o inquérito nacional sobre Valores e Atitudes face à Protecção dos Animais em Portugal, realizado em Maio de 2007, pela Associação Animal (Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES) do ISCTE), revela que os valores da protecção dos animais geram elevado consenso entre os Portugueses.

Não se compreende, assim, que uma proposta de revisão destinada a corrigir uma categorização cuja inadequação é por demais evidente e a colmatar o enorme atraso jurídico português neste domínio se encontre inexplicavelmente bloqueada.

Legislação acessória de protecção desactualizada

Tanto mais que urge reordenar e aprofundar a legislação acessória de protecção, há muito desactualizada e incapaz de dar a resposta que se impõe às situações verdadeiramente gritantes de crueldade cometida contra animais (contraste-se o caso do estado de Nova Iorque, antes referido, com a absoluta impunidade de que goza o indivíduo que, entre nós - em Cacia, concelho de Aveiro, em 2008 -, decidiu cortar as quatro patas a um cão, deixando-o a sangrar até à morte, para citar um de muitos casos similares de que há registo).

A proposta do Ministério da Justiça abrirá caminho a mais e melhor protecção legislativa para os animais, tão urgente e contudo tão adiada, e constitui, em consonância com os sinais dos novos tempos, uma importante declaração de maturidade ética e de avanço civilizacional. Porque tarda tanto a sua aprovação?

Posto isto, lançamos um repto ao leitor: que melhor celebração, entre nós, do Dia do Animal que pedir aos nossos governantes que façam, de uma vez por todas, tábua rasa da iníqua concepção de que os animais são coisas no nosso sistema jurídico?

Apoie a alteração do estatuto jurídico dos animais no Código Civil, saudando a iniciativa do Ministério da Justiça e pedindo ao Governo e à Presidência do Conselho de Ministros que a aprovem!

gabministro@madrp.gov.pt

gabinetesepcm@pcm.gov.pt

gmj@mj.gov.pt

pm@pm.gov.pt

 

29 comentários
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A consciência animal e a humana
dedalo11 (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 23:06 | Domingo, 4 de Out de 2009
Em todos os tempos, em Portugal, os animais foram usados como os maiores amigos do homem na verdadeira acepção da palavra. Falando dos cães, eles eram guardas; eles ajudavam os pastores com os rebanhos; eles eram acarinhados, sempre. E até levavam o almoço aos donos com a cesta da comida na boca. Os gatos são mais cínicos porque ronronam e ronronam... e andam a cirandar pela casa sempre em busca de carinho. E se já serviram para matar os ratos, começam a ficar preguiçosos. Mas enfim, são adoráveis, sempre. Em geral, os portugueses têm hoje como nunca, o maior dos cuidados com os animais e sobretudo começam a ter a consciência de que não os têm quando não podem cuidar deles convenientemente. A juntar a isso existem leis. Mas há quem bata e maltrate de diversas formas os animais. Mas também há quem bata nas mulheres e nos filhos. O Homem é um ser estranho. NO entanto, não podemos correr o risco de , despendendo todo o nosso tempo na protecção aos animais, nos esquecermos da essência da Humanidade. Sou totalmente contra os maus tratos aos animais, no entanto não gostaria de ver um dia uma sociedade para protecção dos humanos... porque seguimos muito para esses trilhos. É que cada vez há menos protecção para os humanos e aumenta cada vez mais a protecção para os animais. Basta olharmos em redor do mundo. Devem morrer mais crianças por dia à fome do que animais que sempre se desenrascam...
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    Re: A consciência animal e a humana    Ver comentário
Fausto Fonseca (seguir utilizador), 1 ponto , 13:24 | Quarta-feira, 7 de Out de 2009
Só tem direitos
odisseia na terra (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 23:26 | Domingo, 4 de Out de 2009
quem também tem obrigações.

Isto é um principio universal de Direito mas pelos vistos já não é bem assim...
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    Re: Só tem direitos    Ver comentário
odagrom (seguir utilizador), 1 ponto , 8:26 | Segunda-feira, 5 de Out de 2009
    Re: 1000% de acordo    Ver comentário
odisseia na terra (seguir utilizador), 2 pontos , 10:22 | Segunda-feira, 5 de Out de 2009
    Re: Só tem direitos    Ver comentário
SirArthur (seguir utilizador), 1 ponto , 13:27 | Quarta-feira, 7 de Out de 2009
    Falácia dos direitos/deveres...    Ver comentário
filipe@rio (seguir utilizador), 1 ponto , 11:54 | Segunda-feira, 5 de Out de 2009
    Re: CERELAC    Ver comentário
odisseia na terra (seguir utilizador), 2 pontos , 12:52 | Segunda-feira, 5 de Out de 2009
    Re: Só tem direitos    Ver comentário
Dukesa (seguir utilizador), 1 ponto , 12:58 | Quarta-feira, 7 de Out de 2009
    Re: essa CABECINHA pensa?    Ver comentário
odisseia na terra (seguir utilizador), 2 pontos , 13:02 | Quarta-feira, 7 de Out de 2009
    Re: essa CABECINHA pensa?    Ver comentário
Fausto Fonseca (seguir utilizador), 1 ponto , 13:35 | Quarta-feira, 7 de Out de 2009
    Re: Existe um patamar minimo de rigor intelectual    Ver comentário
odisseia na terra (seguir utilizador), 2 pontos , 14:36 | Quarta-feira, 7 de Out de 2009
    Re: Existe um patamar minimo de rigor intelectual    Ver comentário
Fausto Fonseca (seguir utilizador), 1 ponto , 14:42 | Quarta-feira, 7 de Out de 2009
    Re: Nem no Direito Natural esta sua tese    Ver comentário
odisseia na terra (seguir utilizador), 2 pontos , 14:40 | Quarta-feira, 7 de Out de 2009
    Re: Nem no Direito Natural esta sua tese    Ver comentário
Fausto Fonseca (seguir utilizador), 1 ponto , 14:43 | Quarta-feira, 7 de Out de 2009
Ainda há um caminho a percorrer...
Brilhantina (seguir utilizador), 2 pontos , 0:48 | Segunda-feira, 5 de Out de 2009
Há ainda um caminho a percorrer em relação a uma boa coexistência entre os animais e os Portugueses.
Apercebi-me que na Alemanha e na Inglaterra a bicharada trata por tu os respectivos concidadãos.
Em Londres, estamos sentados num dos bancos do Hyde Park a comer pipocas ou outra coisa qualquer, para entreter o estômago, aparece quase sempre um esquilo que se faz de convidado para o pic-nic e nem pede licença para passar por cima de nós a fim de espreitar se o menu lhe agrada.
Estamos num park na Alemanha, como por exemplo em Munique, na zona verde junto ao rio, deitados porque o sol fez-nos uma visita inesperada, aparece sempre um melro ou um pardal que quase nos poisa em cima à espera por uma migalha de qualquer coisa. Mais a sul, em Stanberg, que fica à beira de um grande lago, imensas aves de arribação prescindem da continuação da sua viagem em direcção ao Norte de África e optam por passar o Inverno no referido lago, junto a esta cidade, porque sabem que há quem lhes dê de comer.
Em Portugal, as coisas já não são bem assim, se o bicho que nos vem cumprimentar for comestível e se já tiver o tamanho ideal, há sempre uma frigideira que espera por ele. Não me digam que não é verdade o que digo, com o exemplo de ainda haver Pombos em certas cidades... falem com um pombo e depois ouvirão as histórias que ele tem para contar.
Ter um animal em Portugal é um luxo, a saúde não é comparticipada e as Veterinárias têm que dar lucro... o SNS ainda não chegou a essa gente(????)
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    Re: Ainda há um caminho a percorrer...    Ver comentário
odagrom (seguir utilizador), 1 ponto , 8:25 | Segunda-feira, 5 de Out de 2009
GRRRrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr
B l u e S k y (seguir utilizador), 2 pontos , 10:25 | Segunda-feira, 5 de Out de 2009
Se os humanos se maltratam como é que pode haver sensibilidade ou amor para tratar de um animal de estimação?
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Proteção Animal
japmac (seguir utilizador), 1 ponto , 15:51 | Domingo, 4 de Out de 2009
Na verdade já é tempo da nova legislação ser aprovada para que novas proteções surjam ao animal, já demorou tempo de mais, eles bem precisam pois existe muita gente que ainda os considera como "coisas". Faça-se justiça.
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Direitos dos animais
tionando (seguir utilizador), 1 ponto , 0:12 | Segunda-feira, 5 de Out de 2009
Hoje, perdão ontem era o Dia dos Direitos dos Animais.
Esqueceram de mencionar se era só dos irracionais. Conheço muitas mulheres maltratadas e ninguém liga. Somos maltratados pelo governo, ninguém liga.
Há nessecidade de alterar o Dia Mundial dos Animais para Dia dos Animais Irracionais. Os Racionais em todo o mundo são muito maltratados por outros racionais que parecem irracionais
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    Re: Direitos dos animais    Ver comentário
Fausto Fonseca (seguir utilizador), 1 ponto , 13:41 | Quarta-feira, 7 de Out de 2009
    Re: Direitos dos animais    Ver comentário
tionando (seguir utilizador), 1 ponto , 23:48 | Quarta-feira, 7 de Out de 2009
Os "animais" esquecem os verdadeiros animais"
Geraldo Sem Favor (seguir utilizador), 1 ponto , 0:37 | Segunda-feira, 5 de Out de 2009
E quanto mais conheço os "animais" mais gosto dos animais.
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O lobo domesticado
juquita (seguir utilizador), 1 ponto , 13:14 | Segunda-feira, 5 de Out de 2009
Foi o ser humano que começou por domesticar os bé-bés lobos e, aí, se apercebeu que estes animais lhe podiam ser muito úteis, para a caça, para guardas, para puxar trenós, etc. etc.. A partir daí penso que o homem ficou refem de ter modificado os hábitos desses animais que, regra geral, já não conseguem viver separados dele. Sobmetem-se a tudo, desde acompanhar um mendigo alcoolizado que por vezes o maltrata, a ficar acorrentado num circulo de meio metro ou em capoeiras, amontoados uns em cima dos outros, como já assisti com cães de caça. Em qualquer dos casos, quando persentem o dono, chamam-no incessantemente à espera de carinho e alimento.
Por coincidencia, ontem, dia dos animais, o meu inesquecivel amigo Juca, que tinha cancro teve ser abatido. O nosso abraço foi muito mais forte do que a dose anestésica administrada. Foi doloroso mas pior teria sido vê-lo morrer lentamente e com sofrimento para ele e para a família que o amava. Sempre o tratei com imenso respeito e muito carinho depois que o apanhei com meio ano abandonado à beira duma estrada. Era inteligentissimo e muito, muito fiel.
Foi um grande amigo, um irmãozinho, como lhe chamavamos. Foi muito feliz até ao fim. Estamos tristes como se tivesse partido um familiar. Não temos qualquer dúvida que nos "pagou" em dobro toda a alegria e ternura que lhe dedicámos.
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Animais!
Frozen.capucho (seguir utilizador), 1 ponto , 21:37 | Segunda-feira, 5 de Out de 2009
Gostava de ver a mesma preocupação com todos os animais, em vez de somente ver esta indignação pelos cães e gatos. É uma vergolha!
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Animais Versus Coisas
Frozen.capucho (seguir utilizador), 1 ponto , 12:32 | Terça-feira, 6 de Out de 2009
Os animais servem para servirem os seres humanos. Sempre foi e sempre será. Ridiculo este projecto de lei!
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    Re: Animais Versus Coisas    Ver comentário
Dukesa (seguir utilizador), 1 ponto , 13:01 | Quarta-feira, 7 de Out de 2009
    Re: Animais Versus Coisas    Ver comentário
Fausto Fonseca (seguir utilizador), 1 ponto , 13:45 | Quarta-feira, 7 de Out de 2009
A pirâmide das necessidades...
SirArthur (seguir utilizador), 1 ponto , 13:51 | Quarta-feira, 7 de Out de 2009
É ela que controla e condiciona todo o comportamento humano. À medida que a sua base começa a ser dada como algo adquirido vão-se adicionando "necessidades", numa sociedade desenvolvida e rica, quando que se caminha para o topo a idiotice começa a reinar.
Se uma pessoa com fome nunca iria pensar em algo tão supérfluo como um telemóvel, alguém para o qual um telélé 3G é algo "adquirido" irá começar a adicionar degraus onde se incluem não só os direitos dos animais, mas os direitos extremos dos animais ou outro equivalente.

Como a corrente crise está a ser pessimamente mal resolvida, pelo abuso de fundos públicos - ou seja, com um pensito rápido, em breve uma grande fatia da população terá fome; estes degraus idiotas desaparecem e os direitos dos animais resumir-se-ão a um simples «todo o animal tem direito a acabar numa sanduíche, contando que haja pão para a fazer».

É dar tempo ao tempo...
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