4! Fui ao jantar dos prémios e tudo correu como estava previsto. Michael Bay ganhou o prémio de realizador do futuro! Espera, terei visto bem? Será verdade que as palavras Michael e Bay foram, improvavelmente, acopladas à palavra futuro? Só mesmo em Vegas é que tal acontece, cidade onde todos os anos, no Showest, se festeja o triunfo de Hollywood numa era em que, do Magalhães ao assento traseiro dos carros familiares, estamos rodeados de ecrãs. Mas Michael Bay e futuro, juntos? Não foi o Michael Bay que, no Pearl Harbor, provou ser inepto em cruzar emoções épicas com carinhas juvenis, a fórmula que, com tantos heróis nos ecrãs, parece ser a receita vencedora nos dias que correm? Já não percebo nada.
Ok, está bem. Já percebi: 2009 vai ser o ano em que os cinemas americanos vão mostrar o Transformers 2, realizado pelo, lá está, Michael Bay. Afinal faz sentido. A chave deste puzzle é: Michael Bay, futuro, mais 800 milhões de dólares nas bilheteiras de todo o mundo, confeti e que bom não sermos sugados no maelstrom da crise mundial. Algarismo extra: tralalá.
O "Transformers 2, The Revenge" abre a 24 de Junho determinado a pegar fogo ao Verão e aos estudantes em férias. Tem efeitos fenomenais executados por uma equipa visual que há tempos recebeu 3 nomeações da academia, e vem impelido emocionalmente pela dupla Shia LeBoef, (SLASH!), Megan Fox, maravilhas humanas que fizeram ninho nos filmes com robôs. Não consta que, no El Buli, o Adriá sirva sobremesas tão gostosas a apenas 9 dólares. Duas horas de luxo.
Só mais um pormenor: os superheróis estão a dar tanto lucro que os estúdios começaram a praticar reservas de datas. A Paramount acabou de reservar o dia 1 de Maio de 2011 para o Transformers 3. Ora lá está outra coisa que faz sentido. Se a Paramount sabe que vai precisar de 5 mil ecrãs a reserva tem de ser feita com alguma antecedência.
5! O novo filme de Woody Allen, "Whatever Works", pode não ser o seu melhor, o que não tem importância nenhuma. Woody Allen não se classifica com valores porque o homem é, não só incomparável aos outros mas incomparável entre si. Dizer que o "Whatever Works" não é tão bom como o "Annie Hall" é como dizer que o pescoço da Greta Garbo é menos perfeito que o seu perfil. O que interessa é isto: o filme é, de facto e como disse a actriz Patricia Clarkson, "profundamente engraçado". Pérola extra? Descobre-se nele quase uma confissão. É sobre um senhor (Larry David da Silva Cáustico) que se apaixona por uma menina muito mais nova (milagrosa Evan Rachael Wood). Soa familiar, não soa? E mais isto: o senhor desencantado é de tal modo pessimista que, quando a miúda loira da província lhe vem pedir ajuda, ele responde que ela devia ir procurar divertimentos noutro sítio, acrescentando que um dos lugares mais engraçados de Nova Iorque é o Museu do Holocausto. Adivinhem quem, no fim e ainda atirando insultos ao mundo, encontra o amor? Epílogo: já que temos que atravessar a vida, o melhor é dar valor ao que funciona. No Upper East Side dizem apenas whatever works.
6! O que Sir Michael Caine referiu sobre Portugal foi mais ou menos isto, pouco, eu sei, mas garanto que, quando ele acabou de lembrar a sua lembrança, quando aquelas imagens me pousaram na cabeça em forma de punch line, houve todo um país e todo um império que me apareceu de repente e brevemente. Vi logo apeadeiros de comboio com azulejos de vindima na sala das chegadas e das partidas. Dixit: "Lembro-me de ter sido muito bem tratado em Portugal. Mas já foi há muito tempo. Quem estava no poder era o Salazar. Lembro-me de ter assistido a uma parada militar. Fiquei ali a ver os soldados a passar até que reparei num que coxeava. Achei aquilo estranho. Poucos minutos depois lá estava outra vez um coxo vestido para a luta. Mas, espera aí! Era o mesmo coxo. Afinal o grande cortejo dava apenas a volta ao quarteirão".