O Governo apresentou à Assembleia da República uma proposta de alteração ao Orçamento do Estado que pressupõe um défice da ordem dos 8%.
Nada de surpreendente, após um período eleitoral com o álibi de uma crise.
O que admira é que há apenas dois meses o discurso oficial se baseasse no feito histórico da resolução do desequilíbrio das contas públicas e, só por causa da crise, o défice orçamental rondasse nessa altura os 5%.
Como não é possível, em dois meses, ter ocorrido uma deterioração com esta amplitude, resta concluir que houve um mascarar intencional de uma situação há muito existente, mas que teve de ser encoberta para não suscitar mais reservas quanto à política que estava a ser seguida.
É ao ministro das Finanças, que foi o arauto da negação da evidência, que cabe agora a grande tarefa de fundamentar os valores apresentados, porque já se viu que só anunciar números deixou de ter significado.
Percebe-se que se prepara o ambiente e o caminho para o aumento de impostos, se não declarado, pelo menos camuflado. O que significa o novo Código Contributivo se não um aumento de impostos?
O ministro das Finanças veio agora confirmar o que muitos já diziam.
Não me espantaria vê-lo tomar medidas a que sempre se opôs para resolver uma situação que sempre negou.
Texto publicado na edição do Expresso de 28 de Novembro de 2009