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Oracle versus Google: Um duelo de gigantes

Saiba porque é que a Google e a Oracle andam às turras.

Tiago Janela (www.expresso.pt)
17:30 Segunda feira, 30 de agosto de 2010
Bityteiro de serviço
Bityteiro de serviço

Recentemente a Oracle processou a Google por esta ter infringido várias das suas patentes registadas. Essas infrações ocorrem no seu novo sistema operativo para dispositivos móveis. O Android. Se ainda não sabe o que é o Android aproveite para ler mais um pouco e fique a saber o que é um.

Em tom introdutório e olhando para um passado recente notamos que os smartphones cada vez mais utilizam "adaptações" de sistemas operativos utilizados em computadores pessoais.

O Windows Mobile é uma "adaptação" do Windows. O iOS é uma "adaptação" do Mac OS X. O Android é uma "adaptação" do Linux que em cima desse sistema operativo tem um ambiente de execução Java. Já os BlackberryNokia e restantes têm sistemas operativos criados isoladamente e embora partilhem certas ideias com os sistemas operativos de computadores pessoais diferem muito mais deles dos que os anteriormente referidos. 


O Java em especial é um conceito engraçado porque não é um ambiente de execução físico. É virtual! Como assim? É uma máquina virtual que corre sobre uma máquina física. Porque é que se deram ao trabalho? Porque assim podem mudar a máquina física e apenas têm de mudar a implementação da máquina virtual para que todos os programas escritos para a máquina virtual continuem a ser executados na nova máquina física. É portanto uma camada de abstração sobre a máquina física. Ou se preferirem, em termos grossos, é um computador virtual que corre sobre um computador físico.

Esta abordagem é especialmente interessante na indústria mobile uma vez que existe uma imensidão de máquinas físicas diferentes (inúmeros aparelhos feitos por muitos fabricantes). O Java possibilita que os engenheiros de software criem apenas uma vez os seus programas. A implementação da máquina virtual encarrega-se de traduzir o código para a máquina física sobre a qual está a executar . Assim não têm de passar pelo processo moroso e doloroso de adaptação dos programas a cada máquina física existente. É de facto uma abordagem interessante que ajuda a indústria a criar soluções decentes que funcionam numa grande fatia de dispositivos. No entanto não é uma solução perfeita. É um compromisso. Tem os seus contras, que não são do âmbito deste post. 

Android
Android
Google, Inc.

Qual é, então, a legitimidade da Oracle para processar a Google por infração de patentes?

Algumas partes da definição do ambiente de execução Java (no caso da Oracle conhecida como Java Runtime Environment, ou JRE, na gíria da informática) utilizada pela Google (neste caso com o nome Dalvik, a sua versão do JRE) para criar o sistema operativo Android  encontra-se patenteada pela Oracle. A Oracle obteve estas patentes quando adquiriu a Sun Microsystems.

Atendendo à aceitação que o Android está a ter por parte dos fabricantes de smartphones, pelas operadoras de rede que estão a dar grande destaque a estes aparelhos e ao facto de ser um potencial negócio de biliões é natural que um padrão comportamental já há muito verificado surja: quem tiver a mínima hipótese de meter algum ao bolso assim o tentará fazer, seja lá de que maneira for.


O problema da Oracle reside em como é que a Google materializou a sua própria adaptação da máquina virtual Java. Existem diversas propriedades intelectuais pertencentes à Oracle quanto à realização de um sistema compatível com Java. Essas propriedades intelectuais descrevem como realizar diversas partes dessa máquina virtual. Propriedades intelectuais essas que a Google terá utilizado no desenvolvimento da sua máquina virtual (o Dalvik), sabendo disso (um vez que contratou vários engenheiros que trabalharam na Sun Microsystems), e não dando crédito, nem pagando os royalties devidos por isso. Mais ainda aliciou e continua a aliciar os produtores de software e hardware a violarem eles próprios essa propriedade intelectual criando e distribuindo aplicações e aparelhos. Pelo menos assim diz a Oracle.

Está aqui a queixa da Oracle .

Java
Java
Oracle, Inc.

Se a Oracle ganhar o litígio pode representar um grande rombo nos cofres da Google e pode também significar o fim dos Droids tal como os conhecemos.

Representará também um forte precedente para a comunidade que hoje em dia desenvolve aplicações em Java. Afinal quanto do Java é open source e de livre utilização? Será mesmo um sistema de especificação aberta, como sempre o entendemos? Ou é só se render menos de 500€? 

Isto seria um desastre ainda maior para os consumidores que já têm um Droid (estes sim os verdadeiros prejudicados) e para a indústria de desenvolvimento de aplicações mobile uma vez que se perdia um dos grandes jogadores do mercado. O Android. Embora seja um sistema (na minha opinião) bastante inferior ao da Apple (o iOS) é aquele que está melhor colocado para ser bem sucedido no mercado.

Estes litígios podem durar anos. No entanto a indústria mobile está atenta ao resultado da turra entre estes dois gigantes uma vez que cada um dos finais possíveis representa um mundo futuro bem diferente no que toca aos dispositivos móveis.

Concluo dizendo que se está a tornar cada vez mais típica a competição dentro de salas de tribunal do que no mercado. Muitas empresas cada vez mais tentam deitar os outros abaixo em arenas onde não ganham grande clientela com isso. Provavelmente até os prejudica nessa área. As companhias de tecnologia devem sempre salvaguardar as suas patentes, mas parece que o teor dessas patentes está a ficar cada vez mais ridículo. Estão a fazer com que o actual sistema de patentes trabalhe contra a inovação, em vez de a favor dela. Será que os actuais sistemas de patentes são adequados aos dias de hoje? Poderá uma reavaliação daquilo que é passível de ser patenteado estar na ordem do dia?

Quando será que as grandes corporações gastarão os milhões que andam a gastar nos tribunais na melhoria dos produtos dos consumidores (que foi o que fez deles a "grande" companhia que hoje são)?

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Não é bem assim...
filipe@rio (seguir utilizador), 1 ponto , 18:08 | Segunda feira, 30 de agosto de 2010
Corporações são corporações, é assim que elas se entendem, nos tribunais. Não se iludem com a Google, tal como qualquer outra corporação, o importante é lucro e mercado, e no caso concreto, é "alavancar" o Android à custa da popularidade do Java como ambiente de desenvolvimento, claro, tendo em vista o seu grande rival neste mercado específico, a Apple.

O Android tem uma máquina virtual que não interpreta bytecodes de Java; e a Google não seguiu fielmente a especificação do Java - o que dá todo o direito da Oracle processar a Google, pelos motivos já referidos no artigo.

Quanto à frase "Representará também um forte precedente para a comunidade que hoje em dia desenvolve aplicações em Java. Afinal quanto do Java é open source e de livre utilização? Será mesmo um sistema de especificação aberta, como sempre o entendemos?(...)".
- Atenção, que não se confunda a especificação da linguagem, com os programas que são desenvolvidos nela. Eu continuo a poder desenvolver à vontade no Java - agora se eu quiser criar uma implementação do Java, aí tenho de obedecer à especificação.

Quanto ao "desastre" para os utilizadores do Android - duvido muito. A Google pode muito bem substituir a linguagem Java pela sua própria, a Google Go... não duvidem.

Quanto à Oracle, embora o negócio dela seja fornecer soluções, e não plataformas ou aplicações, não faz mais do que lhe é de direito em relação ao Java.
 
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    Re: Não é bem assim...    Ver comentário
Tiago Janela (seguir utilizador), 1 ponto , 20:31 | Segunda feira, 30 de agosto de 2010
    Re: Não é bem assim...    Ver comentário
filipe@rio (seguir utilizador), 1 ponto , 13:56 | Terça feira, 31 de agosto de 2010
    Re: Não é bem assim...    Ver comentário
filipe@rio (seguir utilizador), 1 ponto , 14:05 | Terça feira, 31 de agosto de 2010
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