Terminadas as eleições Europeias, seria altura de concentrar as atenções em Teerão porque se realizarão, já dia 12 de Junho de 2009, as eleições para a Presidência da República Islâmica do Irão.
Contudo, e uma vez mais, as eleições no Irão serão completamente ignoradas, e estarão afastadas dos nossos alinhamentos noticiários, até ao exacto momento do resultado final. Desprezaremos um dos poucos actos eleitorais que se realiza no Médio Oriente, e que acontecerá no habitual isolamento que caracteriza o Irão nas últimas décadas.
Ao contrário das eleições dos Estados Unidos da América, que são seguidas, e bem, durante meses a fio, desde a contagem dos delegados, até ao Baile do Presidente, as eleições no Irão passarão despercebidas à excepção de algumas notas de rodapé, ou referências marginais.
A informação disponível continua a estar limitada a declarações públicas explosivas que conduzem a incessantemente discussões sobre possíveis sanções, ou de tempos a tempos, sobre acidentes e eventuais envios de ajuda Humanitária.
É uma pena, pois neste momento vive-se nas ruas de Teerão, assim como na maioria das cidades Iranianas, um fervilhar eleitoral inexistente na nossa Europa. Os Iranianos estão na rua. Os discursos são inflamados e as mensagens políticas poderosas, arriscadas e determinantes.
Em confronto, estarão desta vez quatro políticos: o actual Presidente Ahmadinejad, o antigo primeiro-ministro Mirhoussein Mousavi, o antigo porta-voz do Parlamento, Mahdi Karoubi, e Mohsen Rezaie o antigo Chefe da Guarda Revolucionária.
Naturalmente, e como no resto do mundo, acompanhados de diversos actores, como é o caso do Líder Supremo, o Ayatollah Khamenei (não confundir com o falecido Khomeini) e múltiplos apoiantes, alguns com nomes conhecidos do Ocidente, como é o caso dos ex-governantes Hashemi e Rafsanjani.
E no próximo dia doze, milhões de cidadão decidirão que rumo dar (não só) ao Irão...
Porque passará quase despercebido um acto eleitoral tão relevante para todo o Mundo?
Talvez devêssemos perguntar porque andamos demasiado (dis)traídos.