O advogado Paulo Penedos, filho do presidente da REN, confirmou hoje à Lusa ter sido constituído arguido no processo que deriva da
operação 'Face Oculta'.
"Fui constituído arguido porque sou advogado de uma das empresas de Aveiro, a SCI. Acrescento que a empresa presta vários serviços de consultoria jurídica a diversas empresas, entre as quais à PT, reiterando que esta empresa nada tem que ver com o processo em causa", afirma Paulo Penedos.
A 'Operação Face Oculta' está a investigar um conjunto de funcionários de grandes empresas portuguesas, pelo possível envolvimento de três dezenas de quadros médios e superiores em operações de favorecimento na adjudicação de obras.
Fonte policial disse hoje à Lusa que a Polícia Judiciária (PJ) está a realizar buscas em vários pontos do país, numa operação de "grande envergadura" relacionada com alegados crimes económicos de um grupo empresarial sedeado em Aveiro.
A edição 'online' do Correio da Manhã tinha avançado que a PJ estava a realizar buscas nas empresas Rede Ferroviária Nacional (REFER), Rede Eléctrica Nacional (REN) e outras detidas directa ou indirectamente pelo Estado, entre elas a Galp, o BCP e a EDP, no âmbito de uma investigação relacionada com crimes económicos.
Em declarações à Lusa, Teófilo Santiago, responsável pela PJ de Aveiro, que está a coordenar a operação, disse que "as empresas não estão em causa, mas sim quadros que nelas trabalham".
Galp confirma buscas em Sines
A Galp e a EDP confirmaram esta tarde a existência de recolha de informação por parte da Polícia Judiciária. No caso da Galp, a diligência incidiu sobre "um funcionário" da refinaria de Sines, enquanto que, no caso da EDP, "foi apenas pedido informação sobre um processo", disseram as fontes oficiais destas duas empresas.
Já o director-coordenador da REN, Artur Lourenço, negou à Lusa que a empresa tenha sido alvo de buscas da PJ, afirmando que a polícia se deslocou à sede para "recolher informações sobre eventuais contratos" com companhias terceiras.
Por seu lado, a REFER confirma que a Polícia Judiciária "pediu algumas informações sobre terceiros", mas negou que qualquer dos seus responsáveis ou departamentos tenha sido alvo de buscas por parte desta polícia.
Fonte oficial do BCP garantiu à Lusa desconhecer a realização de quaisquer buscas nas suas instalações.